Nunes reúne movimentos por moradia, área ligada a Boulos, ataca invasões e pede ‘ordem e progresso’

Prefeito disse que setor não é dominado pelo deputado federal, seu adversário na eleição de 2024; escolha do vice ficará para 2024

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Por Pedro Augusto Figueiredo
Atualização:
4 min de leitura

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), fez um gesto neste sábado,11, aos movimentos populares por moradia, área historicamente ligada ao seu principal adversário na eleição de 2024, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) há mais de 20 anos.

Ricardo Nunes participa de encontro com integrantes de movimentos por moradia Foto: Pablo Jacob/Divulgação

Em um ato em frente à Prefeitura, Nunes anunciou que vai lançar um edital em dezembro para atender associações de moradores que compram terrenos para fazer loteamentos de interesse social. A medida será uma nova categoria dentro do Programa Pode Entrar Entidades, que já prevê outras modalidades, como o Executivo municipal comprar moradias construídas pela iniciativa privada.

Ao Estadão, o prefeito disse que, ao contrário do senso comum, há diversas associações e movimentos por moradia que não apoiam Boulos. “Essas entidades que são ligadas a ele fazem muito barulho, têm muita repercussão na imprensa porque tem invasão”, disse Nunes, contrapondo em seguida:“A gente tem várias entidades ligadas a nós, mas entidades organizadas que respeitam as leis. Agora, aquela entidade que invade nem eu quero perto”, declarou.

O ato foi promovido pela Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo (ATST) e desde o nome, “Moradia Sim, Invasão Não”, procurou opor Nunes e a ATST a Boulos e ao MTST. Uma das táticas utilizadas pelo movimento liderado por Boulos para ter as reivindicações atendidas pelo poder público é a invasão de prédios e terrenos.

A ATST representa cerca de 40 movimentos por moradia da região Norte de São Paulo. “A gente só consegue ter progresso com a ordem. É necessário que as pessoas ajam respeitando as leis sem fazer invasões”, discursou Nunes no ato.

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O Estadão procurou Guilherme Boulos por meio da assessoria de imprensa, mas ele ainda não se manifestou. O pré-candidato do PSOL se reuniu com lideranças religiosas na Lapa, zona Oeste, pela manhã, e participa de uma plenária no bairro Butantã durante a tarde. O deputado federal pretende visitar todas as 32 subprefeituras da cidade até o fim do ano.

Definição do vice ficará para 2024

Ricardo Nunes afirmou que combinou com os partidos aliados que a discussão sobre quem será seu vice ficará para o próximo ano. Segundo o prefeito, as notícias e especulações em torno do tema estavam atrapalhando o seu dia-a-dia. “Acho que o PL tem mais condições de indicar porque é o maior partido. Se tiver um bom nome, ele fica muito forte para poder fazer a indicação”, disse.

De acordo com o chefe do Executivo, o Republicanos e o Podemos também manifestaram desejo de indicar seu companheiro de chapa. “Vamos sentar todos em uma mesa [e decidir]. Agora, lógico, o Tarcísio [governador de São Paulo] vai ter o peso, [tem] o peso do PL, mas ficou para o ano que vem porque estava criando muitos problemas”, continuou Nunes.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), quer o apoio de Bolsonaro e só vai definir o vice em 2024 Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Tarcísio de Freitas sugeriu o nome do secretário-executivo da Segurança Pública paulista, Osvaldo Nico, para a chapa. Também é cotado o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil). O prefeito voltou a demonstrar o desejo de contar com o apoio de Jair Bolsonaro na eleição. Em uma das conversas com o ex-presidente, ele disse ter apresentado o histórico de resultados da eleição na capital paulista.

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“Foram apresentados dados para ele da importância da junção da direita com o meu campo de centro. Dividir esse campo de centro-direita não é positivo”, disse Nunes. Apesar do prefeito demonstrar tranquilidade, Bolsonaro fez acenos ao deputado federal Ricardo Salles (PL), que depois de desistir de ser candidato, voltou ao jogo e deve mudar de partido para conseguir disputar a eleição.

Pesquisa Datafolha divulgada no final de agosto coloca Guilherme Boulos em primeiro lugar com 32% das intenções de voto, seguido por Ricardo Nunes que tem 24%. A deputada federal Tabata Amaral (PSB) com 11% e o deputado federal Kim Kataguiri (União), 8%.

Nas últimas semanas, Ricardo Nunes foi criticado por causa da resposta dada à falta de energia elétrica que chegou a durar uma semana em alguns pontos após um temporal na capital paulista. Nos primeiros dias, adotou uma postura mais branda com a concessionária Enel e sugeriu a criação de uma taxa facultativa cobrada da população para enterrar os cabos elétricos. Em seguida, mudou a postura e a Prefeitura decidiu processar a empresa por não ter cumprido o prazo dado para os religamentos.

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