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Nos parques, a suntuosidade dos cânions

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Por Agencia Estado
Atualização:

Do Hotel Parador Casa da Montanha até o Parque Nacional dos Aparados da Serra são 9 quilômetros de distância. E, para quem viaja sem o acompanhamento de agências especializadas, o hotel dispõe de roteiros com saídas diárias para os cânions e localidades, além de cavalgada e pesca esportiva. Nos passeios, o turista tem direito até a um piquenique em grande estilo. A melhor época para visitar o lugar é entre maio e agosto. Teoricamente, é neste período que chove menos. Mas, claro, ninguém escapa de viradas repentinas nas condições climáticas. A grandiosidade dos cânios dos parques Nacional dos Aparados da Serra e Serra Geral é impressionante. Sua formação data de algo em torno de 150 e 200 milhões de anos. Estima-se que nesta época tenha ocorrido um vigoroso abalo sísmico e magmático na Terra, resultando nos cânios. Também foi quando os atuais continentes foram formados, quando houve a separação das Américas da África. O resultado é um cenário ímpar no País. E que, mesmo não tendo sediado nenhum episódio da Guerra dos Farrapos (no começo do século 19), serviu como cenário para a minissérie da "Rede Globo", "A Casa das Sete Mulheres". O Parque Nacional dos Aparados da Serra, um dos mais antigos parques do País, foi criado em 1958. Está localizado no nordeste do Rio Grande do Sul, divisa com Santa Catarina, e a 19 quilômetros do centro de Cambará do Sul. Já o Parque Nacional da Serra Geral fica bem ao lado, é uma extensão do primeiro. Juntos, somam 27.550 hectares de natureza quase intocada, em plena Serra Gaúcha. O Parque Nacional dos Aparados da Serra, com 102 km2, leva este nome justamente pela formação dos cânios que abriga, que parecem mesmo ter sido "aparados" por um escultor. O mais famoso e fotografado deles é o Itaimbezinho, no idioma indígena significa "pedra afiada". Para os adeptos do ecoturismo é um prato cheio. Trilhas levam a verdadeiros santuários ecológicos. O problema é que, antes de fartar-se com o êxtase visual, o ecoturista terá de refazer-se do choque de ter de pisar em trilha asfaltada com pedras oitavadas. Isso mesmo, o ímpeto de genialidade, foi de um ex-administrador do parque. Mas, voltando os olhos para o horizonte que se descortina verde intenso (quando o tempo ajuda, claro), duas trilhas panorâmicas conduzem aos principais atrativos do parque. Pela Trilha do Vértice, de 1,4 km, durante cerca de 45 minutos, o visitante caminha entre arbustos e córregos de águas cristalinas até o Cânion do Itaimbezinho. Passando, inclusive, pelo Centro de Informações Turísticas, que exibe vídeos e fornece todo o tipo de informação aos visitantes. A trilha tem três mirantes dos quais pode-se avistar primeiramente a Cascata das Andorinhas, formada pelo arroio Perdizes, com queda aproximada de 300 metros. Aqui, a curiosidade é que andorinhas fizeram do cânion sua morada. Elas ficam bem atrás da queda d´água, no vão entre as rochas. Daí o nome. As constantes revoadas das andorinhas deixam as fotos ainda mais belas. Ao cair, as águas formam o Rio dos Bois. Chegando ao segundo mirante, o cartão-postal é a Cascata Véu da Noiva, com queda de 500 metros. Cordas de isolamento garantem a segurança dos turistas. Seguindo pela Trilha do Cotovelo, o visitante chega ao outro lado do cânion. São cerca de seis quilômetros de caminhada por uma estrada larga - mas que ficou conhecida também como "trilha" -, enfeitada por flores símbolo do Rio Grande do Sul: a brinco da princesa. A caminhada dura perto de 2h30 (ida e volta). Após um imenso descampado, a surpresa: a visão do Itaimbezinho, que se estende por 5.800 metros, a uma profundidade de 700 metros em média. Os paredões de pedra parecem ter acabado de partir de tão próximos, estão separados apenas pelo Rio do Boi. Pode-se ver também uma terceira cascata. Menor do que as outras, é chamada de Seu Marçal. No rio - Segundo o guia Wilson, da agência de turismo San Clemente, um roteiro bem interessante é o da Trilha do Rio do Boi, que leva esse nome por causa dos bois que, com a neblina, perdiam a visão e acabavam caindo despenhadeiro abaixo. O ponto de partida é a cidade de Praia Grande, em Santa Catarina. "Ela tem 23 quilômetros e é percorrida em cerca de 8 horas, fazemos toda a travessia pelas bordas do cânion. Os turistas ficam encantados, realmente é muito bonito e vale a pena." Mas por maior que seja o entusiasmo, recomenda-se bom preparo físico para fazer este roteiro. "Em alguns trechos, temos de caminhar com água pela cintura. Quem não tem condicionamento, não consegue ir até o final", avisa. Contudo, o programa depende de autorização do Ibama. O último cânion dos Aparados é o Faxinalzinho, com 7.000 metros de extensão, já na divisa com a Parque da Serra Geral. Este cânion, entretanto, é fechado ao público. Flora - Os nativos da região chamam a vegetação do interior dos cânions de matinha nebular, nome dado pelo fenômeno provocado pelas massas de ar quente vindas do litoral que se chocam com as temperaturas baixas da serra e, por efeito da condensação, formam uma densa neblina no lugar. Este pedaço de Mata Atlântica é enfeitado por muitas araucárias, árvore que nasce naturalmente no País, na faixa que vai do Estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. A flora dos Aparados da Serra, no entanto, possui 630 espécies catalogadas. E a fauna é igualmente rica. No parque, animais como o leão baio (puma), jaguatirica, gato do mato, bugio, lobo guará, veado campeiro, graxaim, lontra e tatu podem ser avistados. Também já foram registradas mais de 150 espécies de aves, entre elas o gavião-pega-macaco, gavião-pato, gavião-tesoura, papagaio-charão, gralha azul e o quero-quero. SERRA GERAL - O Parque Nacional da Serra Geral também tem como estrela vales profundos a mais de 1.000 metros acima do nível do mar. Fica a 22 km de Cambará do Sul, tem 17,5 km2 e foi criado em 1992. Até o início do século 20, os habitantes do lugar eram os índios xoclengues, que, segundo os historiadores, eram canibais e costumavam atacar colonos de fazendas dos arredores. É neste parque que fica o mais bonito e maior cânion da região, o Fortaleza. Tem 7,5 metros de extensão e paredões de 900 metros. Os mais aventureiros fazem a descida do cânion, com técnicas de escalada, até o Rio da Pedra. Mas é perigoso e desaconselhado pelos guias especializados. Do mirante do Fortaleza, com o tempo aberto, é possível ver trechos da planície catarinense e do litoral gaúcho. Há vários pontos de visitação no Fortaleza, como a Pedra do Segredo, com 5 metros, que fica apoiada em outra de apenas meio metro; a Cachoeira do Tigre Preto, com 400 metros de queda, entre outros. Surpreendente é a caminhada de quase quatro horas até o topo do Cânion Malacara. O nome é uma alusão a mancha branca na testa de cavalos cuja pelagem tem este nome. O Malacara tem até 800 metros de altura. Lá do alto, avista-se o mar de Torres e as torres vermelhas da Igreja Matriz de Praia Grande. No total, são 12 cânions na região. Além destes citados, também vale destacar o Churreado, o Macuco e o Faxinalzinho. Lugares para contemplar a majestade da natureza e deixar o tempo passar bem devagar, ouvindo os pássaros e o som das águas calmas.

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