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Serra Gaúcha tem acampamento de luxo

O hotel Parador Casa da Montanha, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, é ponto de partida para visitar lugares como os cânions da serra gaúcha e ainda curtir o clima de acampamento

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Por Agencia Estado
Atualização:

Que tal conciliar um roteiro de compras, gastronomia requintada e ecoturismo numa das regiões mais belas do Sul do Brasil? Da sofisticação de Gramado às paisagens singulares dos cânions de Aparados da Serra e Serra Geral, no município de Cambará do Sul, a 186 quilômetros de Porto Alegre, as surpresas são muitas e boas. A chegada do inverno sinaliza o momento ideal para uma viagem deste lado do País. Se for a dois, melhor ainda. Além de charme, a estação do ano é bem convidativa aos casais enamorados, seja num jantar romântico ou no aconchego de uma barraca térmica. A pequena Cambará do Sul (em tupi-guarani quer dizer "folha-de-casca-rugosa"), com 6,8 mil habitantes, é ponto de partida para um roteiro pelos parques Nacional dos Aparados da Serra e Nacional da Serra Geral, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Até o século 19, a cidade era apenas uma rota para tropeiros de gado; o processo de urbanização começou em 1864. Entretanto, até o ano passado, turistas interessados em conhecer as belezas naturais destes parques contavam apenas com opções bem modestas de hospedagem em Cambará do Sul. Isso mudou com o Parador Casa da Montanha. Inaugurado em dezembro do ano passado, o hotel, da tradicional família Peccin, oferece um inovador estilo de hospedagem no País. Aqui, o turista fica instalado em barracas térmicas (são oito, seis de casal e duas de solteiro, com duas camas). Portanto, fim do trauma para quem nunca acampou. E veio justamente daí a idéia do estilo do hotel. "Costumava acampar sempre com meu irmão (Felipe Prawer Peccin, 24 anos, hoje secretário de Turismo de Gramado) no Parque Nacional dos Aparados da Serra. Foi aí que tivemos a idéia", diz Rafael Prawer Peccin, 22 anos, administrador do Parador Casa da Montanha. "Também já tinha a experiência de ter me hospedado num parque nacional nos Estados Unidos, numa barraca bem sofisticada. Mas aqui é diferente", lembra Felipe, destacando que agora a hotelaria está fora de seus projetos profissionais. "Só me dedico à política." Seu pai, Luciano Peccin, fez caminho inverso. Secretário de Turismo por duas administrações seguidas, agora ocupa-se com a direção do Hotel Casa da Montanha, um dos melhores de Gramado. Localizado numa área de 300 hectares da Fazenda Camarinha, arrendada do vice-prefeito da cidade, o Parador Casa da Montanha começou a funcionar apenas como restaurante de comida típica. Pouco tempo depois, as confortáveis cabanas, que levam o nome de animais da fauna local, como leão-baio e lobo-guará, entraram em funcionamento. "Tudo aqui tem de se encaixar perfeitamente com o movimento da natureza. Não queremos interferir, muito menos agredir o meio ambiente", explica Rafael, dono do labrador mais fofo da região. Com dois anos, o dócil Hunter faz sucesso entre os hóspedes. O custo de cada cabana ficou em torno de R$ 10 mil. Com boa distância entre uma e outra, dispostas ao longo de um deque de madeira, são confeccionadas de lona, uma camada de fibra de vidro e alumínio e revestidas, internamente, por tecido colorido. Uma graça e, claro, bem romântico. Para garantir a temperatura e o conforto em pleno inverno gaúcho, um aquecedor a gás. A dica é ligá-lo uma hora antes de dormir e desligá-lo antes de pegar no sono. Como as barracas são térmicas, não esfria. Há também os edredons maravilhosos, de pena de ganso, confeccionados manualmente por seu Sadi Sartori, de 73 anos. Ele é uma espécie de faz-tudo no Parador. Tem uma mão espetacular para a cozinha e encanta aos hóspedes com sua simpatia e bom humor. Até o final do ano, este acampamento de luxo na região onde habitavam índios de origem tupi-guarani, vai ganhar mais quatro barracas, para até quatro pessoas e com chuveiro no banheiro. Para os demais hóspedes, a opção continuará sendo a Casa de Banho. Se a idéia de sair do quentinho da cama para tomar banho em outro local, encarando o frio gaúcho logo nos primeiros minutos do dia, pode lhe parecer incômoda, esqueça. No Parador, o dia começa bem cedo mesmo, e vitaminado, com um bom café da manhã, orquestrado ao som da agradável música regional. Para ver as belezas naturais dos parques a dica é levantar acampamento bem cedo mesmo. Isso porque a visibilidade nos cânios é melhor neste período do dia. Outro conselho importante é informar-se sobre as condições climáticas nos parques antes de se dirigir a eles. Especialmente para quem está em uma das cidades dos arredores, como Gramado. O tempo pode mudar de uma hora para outra e você perder a (longa) viagem. Do Parador, até a entrada do parque são mais de duas horas em estrada de terra e cascalho. E, diga-se, chacoalhar esse tempo todo a bordo de uma land rover, chegar lá e não ver absolutamente nada por causa de chuva ou neblina é incrivelmente frustrante! Mas nada que um "plano B" não resolva. As agências de turismo da região têm roteiros bem legais e variados pelas cidades próximas. Todos valem muito a pena. Mas quem preferir esperar a neblina baixar tem como boa alternativa a tranqüilidade do hotel, com barulhinho bom do Rio Camarinhas, a lareira e os deliciosos pinhões, cozidos ou sapecados na chapa. E chimarrão, afinal, estamos do Rio Grande do Sul!

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