
A BEE4, primeiro mercado regulado do Brasil com foco em pequenas e médias empresas, já tem tudo quase pronto para começar a operar em renda fixa e planeja receber, logo nos primeiros dias úteis de 2026, a emissão inaugural de uma companhia pelo Regime Fácil, lançado na semana passada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para facilitar o acesso de empresas de menor porte ao mercado de capitais. As normas entram em vigor em 2 de janeiro.
A BEE4 mapeou 380 mil empresas no Brasil com faturamento anual entre R$ 5 milhões e R$ 500 milhões, ou seja, que atendem às regras do Fácil. Elas vão poder fazer emissões de ações e renda fixa de até R$ 300 milhões com regras mais simples e menos burocracias, isto é, com custos bem menores que uma empresa maior.
Por exemplo, os balanços que precisam divulgar são semestrais, e não trimestrais como as grandes empresas de capital aberto. Outra novidade é que as ofertas não precisam obrigatoriamente de um banco coordenador e haverá uma unificação da documentação obrigatória (formulário de referência, prospecto e lâmina) em um único formulário anual simplificado.
O regime novo da CVM permite também que uma empresa de menor porte faça emissão de renda fixa, e a BEE4 já está em conversas com empresários para fazer logo que 2026 começar, conta o cofundador e presidente do conselho da BEE4, Rodrigo Fiszman.
Regra facilita abertura de capital de pequenas
O plano é ter já no início de janeiro também pedidos iniciais para empresas virarem companhias abertas pelo novo regime, o que pelas regras pode ser feito na própria BEE4. “O Fácil talvez tenha sido o marco regulatório mais relevante no Brasil desde a Lei das SA”, afirma o executivo.
A estimativa é que existem ao menos R$ 2 trilhões no mercado com demanda direcionada para títulos privados de renda fixa, vindos de investidores como fundos de pensão e seguradoras. A BEE4 recebeu aval da CVM para operar no mercado com debêntures e notas comerciais, além de ações, que já opera desde que estava no Sandbox regulatório, um espaço criado pela CVM para ideias inovadoras.
A BEE4 já tem quatro companhias listadas, que fizeram o processo nos últimos quatro anos com ofertas de ações, enquanto o mercado tradicional para estreantes na B3 estava fechado. Após sair do Sandbox, a BEE4 recebeu aval em janeiro para ser uma depositária de ativos, e em abril para ter o mercado de balcão.
A BEE4 foi inspirada em mercados de acesso de países como Índia, Reino Unido e Canadá. A sócia-cofundadora e CEO do grupo, Patricia Stille, explica que várias sugestões que a empresa deu acabaram entrando na regra final do Fácil da CVM. Os fundadores da instituição tinham a visão de que o mercado de capitais brasileiro não ganhava mais tração justamente por questões regulatórias, que não tinham atrativos para as companhias de menor porte. E resolveram estudar outros mercados no mundo e apresentar um estudo na CVM. Agora, estão conversando com empresários para discutir as primeiras emissões. Em um dos casos, um banco propôs dar crédito via emissão de debêntures a uma empresa e encarteirar os papéis, como costumam fazer com as grandes companhias.
Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 11/07/2025, às 13:16.
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