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Contrato de Belo Horizonte vai ditar interesse de investidores na Copasa

Saber termos e condições é importante para a avaliação da empresa de saneamento

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Reservatório da Copasa em Teófilo Otoni, MG Foto: Divulgação/Copasa

Prestes a ser lançada no mercado, a oferta de ações que vai privatizar a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ainda tem um ponto de indefinição: a renovação do contrato da companhia com a prefeitura de Belo Horizonte. Além de ser o maior cliente da Copasa, os termos e condições podem ser um modelo para os demais municípios mineiros. Os interessados na empresa, como a Sabesp, têm falado publicamente sobre a importância desse contrato para conseguir avaliar a companhia mineira.

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O cronograma inicial do governo de Romeu Zema previa a oferta de privatização até o final deste primeiro trimestre, antes do início do período pré-eleitoral. Na corrida contra o tempo, a administração da Copasa vem fazendo uma série de reuniões nas últimas semanas, com a prefeitura de BH e outros municípios mineiros.

Os novos contratos, por exemplo, terão que conter as metas de universalização que o governo mineiro quer como contrapartida da venda da estatal, assim como fez a Sabesp em São Paulo.

Negociação está em fase final

A presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, disse na teleconferência de resultados do 4º trimestre de 2025, no final de fevereiro, que a renovação do contrato com BH estava na “fase final de trâmites”, mas até agora nada. “Estamos dialogando com todos os municípios. Definimos uma frente estratégica com os 80 principais”, disse ela. A estatal atende 636 municípios mineiros e quer também incorporar contratos de esgoto para municípios onde só tem contrato para a água.

O CEO da Sabesp, Carlos Piani, afirmou ontem, 18, que a companhia tem interesse na Copasa, mas ressaltou que a definição do contrato de Belo Horizonte será “crítica” para a avaliação do negócio. O executivo destacou também que o desenho da licitação pode influenciar o apetite da empresa, a depender de favorecer mais o mercado ou investidores estratégicos.

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Segundo Piani, o processo avança de forma lenta, especialmente nas negociações da concessão da capital mineira, que responde por cerca de 40% da receita da Copasa.

Caso é comparável ao de São Paulo

O CFO da Sabesp, Daniel Szlak, comparou o caso ao modelo adotado em São Paulo após a privatização, quando 371 dos 375 municípios aderiram a um consórcio com regras unificadas. Em Minas Gerais, afirmou, a Copasa não seguiu esse formato.

Pelas informações disponíveis, acrescentou o CFO da Sabesp, o contrato de Belo Horizonte deve servir de referência para futuras renovações com outros municípios. “Quanto mais claras forem as regras, mais fácil atribuir valor ao negócio e tomar uma decisão mais assertiva”, disse ele em entrevista à Broadcast.

A visão é corroborada por especialistas do setor. “Entendemos que a última definição relevante pendente para destravar o processo é a negociação da prorrogação do contrato de serviços com a capital Belo Horizonte”, diz o analista da BB Investimentos, Rafael Dias, em relatório.

O contrato de concessão de Belo Horizonte está no centro da discussão sobre a avaliação de valor da companhia, segundo o advogado Victor Hugo Scandalo Rocha, da Rocha & Rocha Advogados. “Qualquer indefinição sobre o modelo regulatório ou sobre os termos de renovação afeta diretamente as projeções de fluxo de caixa futuro. Sem uma análise clara e um processo licitatório estruturado, o risco percebido aumenta e tende a desestimular investidores estratégicos, como a Sabesp.”

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Negócio pode movimentar até R$ 10 bi

A privatização da Copasa deve puxar a fila de grandes ofertas de ações na Bolsa brasileira, com destaque para o setor de saneamento. A operação deve movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, segundo fontes.

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O modelo proposto repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico, que poderá comprar até 30% da empresa mineira. A lista de potenciais interessados inclui, além da Sabesp, a Aegea, Equatorial, Veolia e fundos de infraestrutura, como o Perfin, que já é investidor da empresa, e o canadense CPP.

Procurada, a Copasa afirmou que, no momento, encontra-se em período de silêncio. “Dessa forma, está impedida de se manifestar ou conceder entrevistas sobre quaisquer temas que possam influenciar a análise de investidores ou afetar a paridade de informações no mercado.”

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 18/03/2026, às 17:25

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