A General Motors prepara uma nova etapa para sua operação de carros elétricos no Brasil. Depois de iniciar a montagem do Chevrolet Spark EUV e encaminhar a da Captiva EV na Pace, antiga fábrica da Troller em Horizonte (CE), a empresa avalia colocar mais dois modelos na linha operada pela Comexport. O anúncio pode ser feito ainda este ano, com início das operações previsto para 2027.
A informação foi apurada pelo Jornal do Carro e reforça a estratégia da GM de transformar a unidade cearense em uma espécie de porta de entrada para veículos elétricos de origem chinesa vendidos sob a marca Chevrolet. A Pace já opera em regime SKD, no qual os carros chegam parcialmente desmontados.
Nos bastidores, um dos nomes cotados é o Wuling Bingo, também chamado de Binguo em alguns mercados. O hatch compacto elétrico é fruto da joint venture entre Wuling, Saic e GM na China, a mesma base industrial de onde saíram Captiva EV e Spark EUV.
Durante o Salão do Automóvel de Pequim, o JC já havia apurado que o modelo tinha chances de ser comercializado no Brasil, inclusive com a possibilidade de adotar identidade Chevrolet no País.
Futuro nostálgico com o Chevrolet Celta
Por aqui, o Bingo poderia ressuscitar um nome conhecido do consumidor brasileiro: Celta. A ideia ainda se encontra no reino das possibilidades, mas faria sentido dentro da estratégia da Chevrolet de usar emblemas de forte apelo popular para dar mais familiaridade a carros elétricos importados ou montados a partir de kits chineses.
Procurada pela reportagem, a Comexport confirmou que a GM avalia ampliar a lista de modelos montados em Horizonte, mas afirmou que a operadora da planta ainda não foi informada sobre quais veículos estão no radar.
“De fato, a GM avalia produzir novos modelos em Horizonte, mas nós ainda não sabemos quais. Eles não abrem para nós. O que temos contratado é a produção do Spark e da Captiva”, disse Rodrigo Teixeira, vice-presidente e sócio da Comexport ao Jornal do Carro.
Chevrolet Captiva EV aposta em DNA chinês e bom custo-benefício para fazer sucesso
SUV elétrico carrega vícios e virtudes de carros do país asiático, mas traz preço atrativo para buscar o seu lugar ao Sol. Crédito: Estadão
A fala mostra que a discussão existe, mas ainda está concentrada dentro da própria GM. Em setembro do ano passado, Fábio Rua, vice-presidente da GM para a América do Sul, já havia comentado que, a depender da evolução do negócio, a empresa poderia considerar a montagem de novos carros na Pace.
A General Motors também foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou oficialmente até o momento da publicação desta matéria. O espaço continua aberto para manifestação da fabricante de origem norte-americana.
Elétrico acessível com DNA chinês e nome brasileiro
O Wuling Bingo se encaixa justamente em segmento sensível no mercado brasileiro de elétricos. O modelo é um compacto de aptidão urbana e deve ser vendido por aqui a preços relativamente acessíveis, provavelmente numa faixa entre R$ 110 mil e R$ 120 mil.
Na China, o hatch foi lançado em 2023 e virou um dos produtos mais importantes da Wuling. Somente nos primeiros meses de 2026, foram mais de 176 mil unidades emplacadas, segundo dados de mercado.
O porte também ajuda a explicar o interesse. O Bingo mede 4,05 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,58 m de altura e 2,56 m de entre-eixos. Ou seja, é mais do que capaz de enfrentar modelos como BYD Dolphin Mini e Geely EX2.

O Wuling Bingo usa motor elétrico dianteiro de 88 cv de potência e baterias de 32 kWh ou 38 kWh. A autonomia no otimista ciclo chinês varia de 330 km a 403 km, números que, naturalmente, seriam menores em uma medição conforme o padrão brasileiro do Inmetro.
O modelo também pode receber recarga rápida, indo de 30% a 80% em cerca de 15 minutos. O Bingo oferece ainda função V2L, que permite alimentar equipamentos elétricos externos com potência de até 3,3 kW.
Pace deve ter mais marcas em breve
A GM foi a primeira cliente da Planta Automotiva do Ceará. A operação da Comexport nasceu como alternativa para fabricantes que querem montar veículos no Brasil sem assumir, sozinhas, todo o custo de uma fábrica própria. A empresa presta o serviço industrial, enquanto a marca contratante fornece os kits, define os produtos e cuida da estratégia comercial.
Segundo a Comexport, várias empresas procuraram a companhia para conhecer o projeto, mas a maior parte das conversas ainda não avançou para negociação efetiva. Rodrigo Teixeira afirma, porém, que existe a possibilidade de anunciar mais uma marca para produção pequena de veículos elétricos ainda este ano.
Para a Chevrolet, a ampliação da Pace tem um peso estratégico maior. A marca vem usando sua parceria chinesa para recompor rapidamente sua linha de elétricos no Brasil, sem depender apenas dos modelos globais mais caros, como Equinox EV e Blazer EV.
O Spark EUV abriu essa nova fase com porte urbano e preço mais baixo dentro da gama eletrificada da fabricante. O Captiva EV, por sua vez, mira um público de SUV familiar. O Bingo, ou Celta, entraria abaixo de todos eles, como possível modelo de volume.
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