A OpenAI vai permitir que adultos usem o ChatGPT para criar e acessar conteúdo erótico a partir de dezembro, em uma mudança na política da empresa, que até hoje proibia qualquer material de natureza sexual. O anúncio foi feito na terça-feira, 14, pelo CEO Sam Altman em seu perfil no X (ex-Twitter), e também inclui a criação de aplicativos adultos dentro da plataforma, sob regras rígidas de segurança e verificação de idade.
A decisão marca uma das maiores transformações nas diretrizes da OpenAI desde o lançamento do ChatGPT, em 2022. A companhia, conhecida por manter filtros rigorosos contra qualquer tipo de nudez ou erotismo, vai passar a adotar o princípio de “tratar usuários adultos como adultos”, segundo Altman.

A liberação, no entanto, não será total. Ainda não está claro que tipo de material poderá ser classificado como “erótico permitido”, mas a empresa promete definir limites até o lançamento oficial da nova versão do chatbot. A ideia seria equilibrar liberdade de criação com segurança, afirmou o CEO.
Na prática, os usuários adultos vão poder interagir com o ChatGPT em conversas de cunho erótico, criar histórias com conteúdo sexual e, em alguns casos, gerar imagens dentro dos novos apps adultos. Esses aplicativos vão funcionar como extensões internas do ChatGPT, criados por desenvolvedores parceiros da OpenAI e liberados apenas para contas verificadas.
Futuramente, a empresa planeja liberar essa criação de aplicativos independentes com temas adultos. Os apps vão poder oferecer experiências de sexting, geração de imagens eróticas com consentimento ou até assistentes virtuais voltados ao público adulto, sempre dentro de regras específicas. Internamente, o projeto é visto como parte da estratégia de transformar o ChatGPT em uma plataforma aberta, uma espécie de “loja de aplicativos” baseada em IA.
Altman afirmou que a flexibilização só foi possível após a empresa implementar novos sistemas de detecção de idade e filtros automáticos de proteção. “Agora que conseguimos mitigar os sérios problemas de saúde mental e temos novas ferramentas, poderemos relaxar as restrições com segurança na maioria dos casos”, disse na publicação que fez no X.
Segundo a OpenAI, o “age-gating”, processo de verificação automática de idade, será essencial para separar o público adulto de adolescentes e crianças. O sistema deve bloquear temas adultos em contas de menores e permitir acesso irrestrito apenas a usuários confirmados como maiores de 18 anos.
A mudança vem meses depois de a empresa enfrentar críticas sobre os impactos do ChatGPT na saúde mental de jovens. Em setembro, a OpenAI foi incluída em um inquérito da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) sobre riscos de uso de IA entre adolescentes, após um processo judicial envolvendo o suicídio de um jovem de 16 anos na Califórnia.
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Para lidar com esse histórico, a companhia anunciou também a criação de um conselho de bem-estar e inteligência artificial (IA), formado por oito especialistas que vão orientar políticas de uso saudável da tecnologia. O grupo será responsável por revisar práticas e sugerir ajustes periódicos nos mecanismos de segurança.
A introdução de conteúdo adulto vem sendo discutida internamente há mais de um ano. Em fevereiro, a OpenAI já havia revisado suas diretrizes para esclarecer que apenas material envolvendo menores continuaria totalmente proibido. Desde então, o erotismo passou a ser classificado como “conteúdo sensível”, gerado apenas em contextos controlados.
A abertura, porém, reacendeu o debate sobre os limites éticos da IA. Modelos rivais, como o Grok, de Elon Musk, já enfrentaram problemas com o uso indevido da tecnologia para criar imagens pornográficas falsas, incluindo deepfakes. A OpenAI promete monitorar continuamente os novos recursos para evitar abusos e manter a moderação humana em áreas sensíveis.
Apesar das promessas, especialistas em tecnologia e regulação digital avaliam que a empresa ainda terá desafios para controlar o uso indevido da ferramenta. O próprio Altman reconheceu que a medida exigirá novos investimentos em infraestrutura, já que conteúdos visuais e interativos consomem grande capacidade de processamento.
