O Bosque Selvagem é uma animação tão original que fica difícil desviar o olhar

CRÍTICA – Nova animação de Travis Knight combina uma história fantástica com o cuidado visual característico da LAIKA Studios.

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Foto do autor Diana Pordeus
Atualização:

Filmes animados podem causar estranhamento em adultos e, por conta disso, nem sempre vão bem nas bilheterias. Afinal, isso implica que apenas aqueles com crianças deveriam assistir às obras de animação, mas essa ideia acaba fazendo com que ótimas histórias sejam perdidas. Esse será o caso dos adultos que não derem uma chance a O Bosque Selvagem.

A produção acompanha Prue McKeel, uma jovem de 13 anos que vai atrás de seu irmão mais novo, Mac, depois que ele é raptado por seres mágicos que a guiam até um bosque que, teoricamente, é inacessível. O filme foi idealizado por Travis Knight, atual CEO da LAIKA Studios, há 16 anos, quando ele ficou sabendo da primeira versão do livro de Colin Meloy, antes mesmo de sua publicação. O Minha Série já assistiu ao filme, e você pode conferir a crítica completa abaixo.

Uma história original

Prue e Alexandra fazem tudo pelas pessoas que amam em O Bosque Selvagem. Foto: LAIKA Studios/Divulgação

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Mesmo sendo uma adaptação, O Bosque Selvagem é um dos filmes mais originais do ano, em todos os sentidos possíveis. A história de ficção não é inovadora, mas nos apresenta à encantadora Prue McKeel, dublada por Peyton Elizabeth Lee na versão original e por Giulia Benite na versão brasileira, que é uma protagonista interessante o bastante para nos guiar por sua jornada. A sensação de imersão e originalidade se deve muito ao fato de que, além de apresentar uma história completamente fantasiosa, a animação detalhada nos tira completamente do mundo real.

Entretanto, por mais que a narrativa não seja exatamente cansativa, dá para perceber o tempo passando. Talvez a história de Prue e Curtis (Jacob Tremblay na dublagem original e Pedro Bulgarelli na versão brasileira) não fosse tão bem contada se não durasse quase três horas. Imagino que todo o esforço de fazer um filme inteiro em stop-motion não resultaria em minutos desperdiçados se eles não fossem considerados necessários.

Uma animação tão perfeita que não tem como desviar o olhar

Prue McKeel é a destemida protagonista de O Bosque Selvagem. Foto: LAIKA Studios/Divulgação

Acompanhar a jovem Prue McKeel enquanto apreciava cada detalhe da animação impecável da LAIKA foi um ótimo escape do mundo real. Em um material oficial sobre a produção, foi revelado que o filme conta com 2.804 planos em sua versão final. Todo esse cuidado fica evidente quando assistimos ao longa.

Na maior parte da história, eu não sabia se prestava atenção nos diálogos, nos rostos dos personagens ou em todo o ambiente ao redor. A vontade que fica é a de pausar cada plano e apreciar com cuidado todos os detalhes bem trabalhados. De acordo com o material oficial, as gravações aconteceram em 132 cenários práticos, construídos em 117 locações distintas, enquanto os 142.030 rostos substituíveis criados para a animação eram constantemente trocados, quadro a quadro, para transmitir as emoções dos 233 bonecos.

O que realmente me impressionou na narrativa é que a história não tem medo algum de falar sobre a morte e até de mostrá-la, tratando-a como parte da experiência de viver.

De fato, dá para entender por que todos os longas-metragens em stop-motion lançados pela LAIKA Studios foram indicados ao Oscar de Melhor Filme de Animação. O Bosque Selvagem não deve ficar de fora dessa estatística, principalmente considerando todo o debate sobre estúdios que utilizam inteligência artificial em suas produções.

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Se tudo isso ainda não convenceu você sobre a qualidade da animação, calma que, para nós, brasileiros, ainda tem mais: Thiago Calçado, natural de Uberaba, em Minas Gerais, é um dos animadores da produção. Calçado já havia trabalhado com Travis Knight em Kubo e as Cordas Mágicas (2016), mas também participou da produção de Ilha dos Cachorros (2018), de Wes Anderson, e, mais recentemente, do vencedor do Oscar Pinóquio (2022), de Guillermo del Toro.

Uma história que gira em torno da emoção

O Bosque Selvagem é uma daquelas animações que conquistam justamente por sua capacidade de transportar o espectador para um mundo fantástico sem abrir mão de questões profundamente humanas. O filme acerta ao trazer diálogos emocionantes e profundamente reais, mostrando a potência que uma animação pode ter mesmo sem trazer pessoas reais para a tela. Ainda assim, o cenário é tão fantasioso que acaba sendo um alívio não precisar racionalizar tudo o que está acontecendo.

O que realmente me impressionou na narrativa é que a história não tem medo algum de falar sobre a morte e até de mostrá-la, tratando-a como parte da experiência de viver, mesmo nos momentos em que sua necessidade é questionada. Colin Meloy escreveu uma história emocionante e o roteirista Chris Butler parece ter adaptado ela com o mesmo carinho.

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É justamente esse equilíbrio que torna O Bosque Selvagem tão especial: enquanto a fantasia nos mantém imersos naquele universo, as reflexões sobre os laços familiares e a perda dão profundidade à jornada. Tudo tem um charme próprio, uma identidade muito particular, e o resultado é uma obra que consegue ser mágica sem deixar de ser sensível e, acima de tudo, humana.

Vale a pena ver a animação O Bosque Selvagem?

Se você busca uma experiência completamente singular, imersiva e emocionante, vá ao cinema assistir a O Bosque Selvagem. Em um momento em que parte da população consome conteúdos curtos, dinâmicos e feitos por IA, a nova produção de Travis Knight é o contraponto mais perfeito e reconfortante possível. Permita-se ser guiado por Prue McKeel: você vai sair, no mínimo, impressionado com todos os detalhes dessa produção tão original.

O Bosque Selvagem foi produzido pela LAIKA Studios e distribuído pela Imagem Filmes, com estreia programada para o dia 28 de outubro nos cinemas de todo o Brasil.

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