Gerando resumo
Há muitos anos, a senha do wifi de uma célebre cafeteria paulistana é #moeufo... Cada reticência entregando uma amarga verdade: depois de moído, o grão de café perde sabor e perfume rapidinho, em questão de minutos. Atingido pelo oxigênio, ele inicia seu processo de envelhecimento e, sejamos sinceros, nada é tão bom quanto café fresco, não é mesmo?
Pensando nisso Paladar Testou às cegas 15 marcas de grãos encontrados em supermercados e empórios. Abusou do conhecimento de quatro especialistas para que, em qualquer casa, um simples bebedor possa tomar um cafezinho melhor.
Paladar Testou: qual é o melhor café em grãos?
Veja quais são as melhores marcas de café em grão para comprar no mercado.
Por que comprar café em grãos?
O primeiro ponto é o citado: manter grãozinhos inteiros prolonga o frescor. E um café fresquinho revela de maneira mais franca aromas e dulçor naturais. Ok, pode ser menos prático do que comprar café moído, no entanto, ao comprar café em grãos, é possível ajustar a cada xícara o perfil de moagem.

A saber: grãos moídos muito grossos, por exemplo, produzem bebidas de sabor fraco e sinalizam que o moedor precisa trabalhar mais um pouquinho. Não à toa, para fazer um espresso o pó deve ser fininho.
Também dá para acrescentar às vantagens o fato que moer seu próprio cafezinho constitui um ritual que torna o preparo de cada xícara único.
O que é café especial?
Não, especial não é um adjetivo como gourmet. Quando se trata de cafés especiais ou de especialidade se refere a uma classificação técnica para grãos de alta qualidade – e isso no mundo todo.
Ser um Specialty Coffee implica obter pelo menos 80 pontos numa escala de 0 a 100 de avaliação sensorial (fragrância, aroma, sabor, finalização, equilíbrio, corpo, acidez e doçura) pelo protocolo da Associação de Cafés Especiais (SCA).
Como foi feito o teste?
Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial. Em todas as provas realizadas por Paladar, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. Nos dias anteriores ao teste, as amostras são compradas* em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista, de modo que as marcas não sabem que seus produtos serão submetidos a uma degustação às cegas. O júri tampouco sabe o que irá enfrentar.

No caso dos cafés em grãos, Paladar optou por marcas que contivessem as menções “especial” e “torra média” asseguradas pelas embalagens. Para testá-las com propriedade, convocou quatro experts: Caio Tucunduva (torrefador e sócio do Café Hotel), Maycon Alves (do Diário de um Coffee Lover), Paulo Gabriel (barista e coordenador do projeto Fazedores de Café) e Henrique Fernandes (barista do King of the Fork).
Durante uma tarde no balcão do Café Hotel, em Pinheiros, os jurados avaliaram aroma e coloração dos grãos. Tanto inteiros quanto moídos. Na sequência, provaram todos com a mesma moagem e mesma proporção de água (10 gramas para cada 100 ml), passados por filtros de papel escaldados e acomodados em coador japonês Hario V60. Veja quais marcas foram eleitas as melhores.
*os valores dos produtos mencionados a seguir são de compras feitas entre os dias 21 e 23 de abril de 2025, data do teste
Os três melhores cafés em grãos do Brasil:

Duas Irmãs
Sensação de frescor foi notada tanto pela espuma viva quanto pela acidez na boca. Doçura e corpo também agradaram.

Santa Monica
Equilíbrio notável, notas de caramelo e dulçor, “boa definição para café honesto”.

Guaspari
Maciez, acidez, baixo amargor e corpo presente agradaram o júri
As 15 marcas avaliadas pelo júri em ordem alfabética
Torra não homogênea, amargor acentuado e aroma ligeiramente fermentado foram identificados (250g, R$ 49,98, Mambo)
Apesar de notas achocolatadas e de caramelo, a torra mais intensa do que se esperava e a adstringência desagradaram (250g, R$ 34,99, Oba)
Grãos de tamanho homogêneo, aroma de cacau, doçura e acidez persistente foram os pontos de destaque (250g, R$ 35,80, Casa Santa Luzia)
Fundo amendoado e toque de caramelo não compensaram a torra escura e a pouca adstringência (250g, R$ 30,60, Casa Santa Luzia)
Embora a torra estivesse uniforme e houvesse dulçor, um aroma envelhecido e um sabor levemente oxidado comprometeram a degustação (250g, R$ 39,90, Casa Santa Luzia)
Ao notarem que os grãos pequenos e homogêneos eram da variedade moca, os jurados vibraram. No entanto, amargor e falta de complexidade decepcionaram (250g, R$ 36,10, Casa Santa Luzia)
Torra média mais clara, acidez sutil e doçura destacada foram os pontos positivos (250g, R$ 39,99, Oba)
A lembrança de caramelo amanteigado misturada a uma nota cítrica, assim como o volume em boca garantiram a terceira colocação ao exemplar (250g, R$ 34,30, Casa Santa Luzia)
A torra média para clara enganou: o café era amargo e pouco aromático (250g, R$ 29,10, Casa Santa Luzia)
O júri contestou o termo especial na embalagem, visto que notas desagradáveis de fumaça e amargor intenso foram sentidos unanimemente (500g, R$ 59,99, Oba)
O exemplar não comoveu os jurados: “A gente vê que não é porque é especial que é delicioso” (250g, R$ 34,10, Casa Santa Luzia)
Doce, frutado, baixo amargor e corpo persistente. Não à toa quase chegou ao Top 3 (250g, R$ 35,80, Casa Santa Luzia)
O segundo colocado foi considerado o mais equilibrado da degustação às cegas (250g, R$ 24,60, Casa Santa Luzia)
A torra uniforme e a doçura foram percepções unânimes, porém, parte do júri apontou notas oxidadas (250g, R$ 37,90, Casa Santa Luzia)
Os grãos geraram uma bebida desequilibrada, com retrogosto queimado (250g, R$ 44,99, Oba)






