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O aumento da expectativa de vida no País não foi acompanhado por uma mudança na forma de encarar o envelhecimento, que ainda é frequentemente associado a doenças e perda de autonomia, segundo Maria Cristina Hoffmann, consultora para o Envelhecimento Saudável da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
“Envelhecer é uma etapa do curso de vida. Não é a fase final”, afirmou Maria Cristina durante o Summit Saúde, promovido pelo Estadão nesta terça-feira, 27, em São Paulo. Acompanhe aqui a transmissão do evento.
Na palestra magna sobre envelhecimento, longevidade e o cuidado de pacientes com doenças crônicas, Maria Cristina falou da necessidade de repensar como a sociedade lida com o avanço da idade, adaptando os serviços de saúde às transformações demográficas e epidemiológicas.

Ela lembrou que a expectativa de vida no Brasil está em torno de 76,8 anos. No entanto, ressaltou a diferença entre o tempo que as pessoas vivem e o período em que permanecem saudáveis.
“Estamos vivendo mais, isso é muito bom, mas estamos envelhecendo com saúde?”, questionou. “Nos nossos últimos anos, a gente não vive com tanta saúde.”
Segundo Maria Cristina, o desafio não é apenas prolongar a vida, mas garantir qualidade aos anos vividos.
A abertura do evento também contou com uma breve participação de Eurípedes Alcântara, diretor de jornalismo do Estadão. Ele adiantou que o Summit trataria dos avanços da ciência que constroem uma vida melhor para mais brasileiros. “A construção de saúde depende de instituições confiáveis e depende também que essas conquistas sejam reconhecidas e valorizadas pelo público”, disse.
Na sequência, Maurício Serpa, secretário-adjunto municipal da Saúde, falou da preocupação de melhorar a qualidade de vida, considerando o aumento da longevidade. “O desafio é trazer confluência para que as iniciativas que já existem se conversem”, avaliou.
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Na palestra, Maria Cristina abordou a associação frequente entre velhice, adoecimento e perda de independência. Segundo a consultora da Opas, essa percepção contribui para que muitas pessoas com mais de 60 anos não se reconheçam como idosas.
Por isso, Maria Cristina defende que a qualidade de vida na velhice seja avaliada também pela capacidade de manter autonomia e independência.
Ela ainda destacou a importância de olhar para a saúde mental nesse contexto, lembrando que enfrentar os desafios da longevidade depende de uma atuação conjunta de serviços de saúde, políticas públicas e sociedade.
Doenças crônicas exigem mudanças no sistema de saúde

A consultora da Opas também lembrou que o envelhecimento da população ocorre em meio a uma mudança no perfil epidemiológico brasileiro.
Se antes as doenças transmissíveis tinham maior prevalência, hoje são as condições crônicas, como diabetes e hipertensão, que ocupam o topo.
Tal cenário exige mudanças na organização dos serviços de saúde. “Se a gente está envelhecendo e há um predomínio de doenças crônicas, é preciso um acompanhamento longitudinal”, defendeu Maria Cristina.
