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Le Vin Filosofia

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O novo foco no rosé de Provence

Vinícolas francesas investem nos vinhos rosados de categoria superior, com foco na gastronomia

Foto do autor Suzana  Barelli
Foto do autor Suzana  Barelli

Por sorte (ou por mérito), os vinhos rosés ultrapassaram, há algumas décadas, o status de ser um subproduto dos tintos. E, mais do que isso, depois do enorme crescimento de seu consumo – segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho, a sua produção aumentou 25% entre 2001 e 2021 –, os rosados agora se destacam em uma categoria, digamos, premium. Isso, mesmo sendo vinhos de corpo leve, frescos, muitos com vocação gastronômica e, melhor, sem aquele açúcar residual muitas vezes enjoativo. E, ainda, sem muita vocação para envelhecer por décadas nas garrafas.

“Tem os rosados e tem os rosés de Provence”, brinca Sébastien Nore, diretor global de estratégia do Château Minuty, uma das referências destes rosés, em passagem pelo Brasil neste final de janeiro. Com vinhedos em Saint-Tropez, o Minuty é um dos chateaux que apostam na sofisticação dos vinhos rosados. “Estamos em uma categoria distinta dos rosés mais adocicados e de maior extração”, acrescenta Nore.

Diferenças

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A diferença destes rosés se percebe na taça, a começar pela cor, um salmão quase transparente, lembrando casca de cebola, mas também pela escolha da variedade – a grenache domina, em blend com cinsault, syrah ou mourvèdre – , e pela maneira de elaborar. Os top de linha nestes rosés de Provence não são nem prensados em máquinas, mas têm seu líquido extraído por gravidade, apenas do peso das uvas uma em cima da outra. Uma extração pra lá de delicada. E o preço corresponde: o Garrus, o rosé premium do Château d’Esclans, elaborado com uvas de vinhedos centenários, tem preço sugerido de R$ 816, na LVMH. O Étoile, da Domaine Ott, por sua vez, é vendido por R$ 1.778, na Épice.

Étoile Foto: Les Ateliers/ Divulgação

Atualmente propriedade do grupo Roederer, a Domaine Ott, uma das pioneiras nestes rosés mais sofisticados, começou a se destacar por uma garrafa estilosa, desenvolvida na década de 1930 por René, o filho do fundador Marcel Ott. Diz a lenda que o proprietário Marcel queria que a garrafa, que lembra um vidro grande de perfume, fosse usada por todos os produtores da região, o que não aconteceu.

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Delicadeza

Na história mais recente, uma das boas contribuições para o aumento da qualidade dos rosados se deve a Sacha Lichine, do Château d’Esclans. No final dos anos 1990, ela trocou o château da família (o Prieuré-Lichine, de Margaux) para investir na Provence. Junto com o enólogo Patrick Léon (ex-Château Mouton Rothschild), Sacha não apenas criou o Whispering Angel, como incentivou as macerações mais delicadas, o estágio em barricas de carvalho, entre outros cuidados. “Nossos rosés têm diferentes expressões de aromas e sabores, conforme as uvas, que vem de terroir distintos, alguns com mais argila, outros com mais calcáreo”, explica Diego de Kerhor, embaixador do Château d’Esclans, em viagem ao Brasil no final do ano passado.

A estas vinícolas se soma também o Miraval, resultado da parceria do ator Brad Pitt com a família Perrin – por aqui, este rosé que tem cenas de romance de cinema (a separação de Pitt e Angelina Jolie respinga no projeto de vinhos do casal na Provence é comercializado pela Mistral por R$ 532).

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E para quem duvida do potencial dos rosés nos produtos de luxo vale saber que atualmente tanto o Château d’Esclans, como o Minuty, são de propriedade do grupo LVMH, de Bernard Arnault, conhecido pelos seus grandes champanhes, entre outras grifes de luxo. E o plano do grupo para o Brasil é apostar em eventos mais sofisticados, em locais como a ilha de Fernando de Noronha e a cidade de Trancoso (BA), ao longo do ano.

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