Não importa se é verão ou inverno, mas a praia faz parte da rotina do aposentado Quintino Schroder, de 67 anos, e de sua mulher Lenir Bohnenberger Schroder, de 50. O casal deixou Curitiba para curtir a aposentadoria em Navegantes (SC), a 110 quilômetros de Florianópolis.
Embora seja um polo náutico, por onde entram e saem milhares de toneladas de produtos todo ano, o lugar tem um jeito pacato. “A gente gosta muito de praia, de estar todo dia ali, independentemente do clima”, conta Lenir.
Os dois não estão sozinhos na escolha. Santa Catarina foi o Estado com maior saldo migratório entre 2017 e 2022 - ou seja, entrou mais gente do que saiu. Os dados são do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira, 27.
São Paulo, por outro lado, teve balanço negativo pela 1ª vez desde que esse tipo de medição passou a ser feita, em 1991. Esses resultados revelam um novo padrão do fluxo migratório do País, em que Sul e Centro-Oeste atraem mais migrantes pela oferta de trabalho - sobretudo no agronegócio - e pela qualidade de vida.

Entre os motivos para a preferência pelo Estado sulista, estão a qualidade de vida e, no caso de quem ainda trabalha, as oportunidades de emprego.
Juntos há 27 anos, Quintino e Lenir dizem que sempre tiveram o sonho de morar no litoral catarinense. Ele é natural da cidade do Rio de Janeiro, ela de Concórdia, interior de Santa Catarina.
Na capital paranaense, trabalharam e juntos fizeram os planos para a aposentadoria, sempre com a vontade de voltar ao Estado vizinho, onde já haviam vivido (em Balneário Camboriú).
Ela foi gerente de um importante hospital oftalmológico. Ele se aposentou como funcionário da Copel, a companhia de distribuição de energia Paraná. “Um dia, a coisa voltou a criar corpo. O sonho aconteceu”, completa Lenir.
Em Navegantes, eles viram também a possibilidade de ter mais tranquilidade financeira. O custo de vida mais baixo possibilita o investimento na compra e revenda de imóveis, o que permitiu que Lenir parasse de trabalhar dez anos antes do prazo oficial para aposentadoria.
“A vida em Curitiba era mais rigorosa, tudo tinha horário, tudo programado, desde a manhã até a noite. Agora tem mais tranquilidade”, comenta Quintino,
“Outra coisa são as pessoas. Aqui todo mundo se conhece, se cumprimenta”, acrescenta. O casal ainda diz que morar em frente à praia também ajuda a se manter ativos com caminhadas diárias na orla, o que acaba inspirando fazer mais exercícios físicos, como musculação.
Segundo Schroder, Navegantes ainda não foi descoberta por turistas, diferentemente de outros municípios da região, como Balneário Camboriú, Itapema e Bombinhas, que sofrem com congestionamentos e praias poluídas durante o verão. “A cidade está engatinhando nesse sentido”, conta. “Quem vai na praia são os moradores locais.”