Polícia não está conseguindo fazer prevenção e precisa investir em investigação
Presidente do Fórum destaca que ações das forças de segurança falham no planejamento e uso da tecnologia.
Das dez cidades mais violentas do Brasil, todas estão no Nordeste. Isso é o que mostra o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cujos dados foram divulgados nesta quinta-feira, 24. Destacam-se Ceará e Bahia, que concentram oito desses municípios.
Por trás da escalada da tensão, estão os confrontos entre facções criminosas, que disputam as melhores rotas de venda de drogas, e o avanço do tráfico para as regiões metropolitanas e para o interior.
No topo do ranking, está Maranguape, a menos de trinta quilômetros de Fortaleza, que já aparecia entre os dez municípios mais violentos na edição anterior do estudo. O município tem 79,9 óbitos por cem mil habitantes.
Para frear essa escalada, a prefeitura criou no início do ano uma secretaria de Segurança. A pasta diz que, entre os principais desafios, estão ampliar o patrulhamento e armar a Guarda Civil. Procurada, a Secretaria Estadual afirma fazer esforços para ampliar os investimentos na área, com policiamento ostensivo e inteligência.
A segunda colocada é Jequié, no sudoeste da Bahia, com com 77,6 mortes para cada cem mil moradores. Entre as primeiras, há até destinos turísticos famosos, como Porto Seguro (BA), com taxa de 59,7.
A primeira capital da lista é Salvador, na 20ª posição, com indicador de 52 assassinatos.
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia diz que nos dois últimos anos o Estado reduziu em 6% (2023) e 8,2% (2024) os índices de mortes violentas. Este ano, no primeiro semestre, houve queda de 7,3%. Entre as ações, foram contratados 6 mil novos profissionais da área e fortalecido o programa Bahia pela Paz, com ações permanentes de prevenção.
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O Brasil, por sua vez, atingiu neste ano o número mais baixo de homicídios da série histórica, iniciada em 2012. É a quarta redução consecutiva, embora tenham ocorrido 44.127 assassinatos.
“A queda poderia ser maior se houvesse mecanismos de enfrentamento ao crime organizado mais eficientes. Isso passa pelo fortalecimento da investigação, pela redução da impunidade, pelo combate à lavagem de dinheiro”, diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“Sem investir no combate à lavagem de dinheiro, não daremos conta do PCC (Primeiro Comando da Capital) ou do Comando Vermelho, duas grandes holdings criminais que se transformam em quase consórcios", acrescenta.

Os casos aqui descritos como homicídios são classificados pelo Anuário, uma das principais publicações do setor, como mortes violentas intencionais (MVIs).
Considerado o principal indicador para aferir os níveis de violência do Brasil, ele agrega casos de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
