Apenas 3% dos cargos de diretoria ou liderança executiva são ocupados por mulheres negras. É o que mostra um levantamento do Mover, movimento pela equidade racial com mais de 50 empresas associadas – entre pesos-pesados do mercado, como Gerdau, McKinsey e Nestlé. Os dados foram anunciados em primeira mão à coluna nesta sexta-feira (25), Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.

Entre as companhias associadas ao Mover, mulheres negras ocupam 25% dos cargos de entrada. À medida que sobem os andares, se tornam cada vez mais raras. No topo, restam 3%. O contraste é ainda mais visível quando se olha para as funcionárias não negras: começam com 24% nos cargos iniciais e chegam a 16% nas cadeiras executivas. As chances de uma funcionária negra chegar a um cargo de liderança são cinco vezes menores do que as de uma funcionária branca.
“Estatisticamente, as mulheres negras têm menos acesso a oportunidades de desenvolvimento, são menos vistas e indicadas para promoções, e os critérios de crescimento na empresa nem sempre consideram suas trajetórias individuais”, afirma Natália Paiva, diretora-executiva do Mover.

Muitas corporações, diz ela, ainda tratam a diversidade de forma genérica, com pouca disposição para mexer nas estruturas. ”O problema não é falta de talento, mas sim de compromisso com a equidade.” Entre as recomendações: mentoria específica para negras, políticas de promoção com critérios objetivos e revisão de processos que dificultam o acesso de mulheres negras à liderança.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, conhece de perto o esforço necessário para furar a bolha. Também lembra que, quanto mais escura é a pele da pessoa, maior é a dificuldade. “Dentro do grupo de mulheres negras, estão as mulheres pretas. É como um funil que vai ficando cada vez mais estreito. E, quanto mais estreito esse funil, menos pessoas parecidas com você há”, explica.

Em meio ao cenário desanimador, algumas empresas tentam redesenhar o percurso. O Grupo L’Oréal Brasil, por exemplo, aponta estar investindo em ações afirmativas. Segundo seu censo interno, 53% das lideranças negras são femininas. A empresa adota programa de mentoria para mulheres negras, iniciativas para evitar disparidade salarial e uma política de home office quatro vezes por semana para mães que voltam da licença-maternidade.
“Para nós, mulheres negras, ocupar um cargo de liderança significa estar num espaço que historicamente nos foi negado, onde nossas vozes foram silenciadas”, diz Helen Pedroso, diretora de Responsabilidade Corporativa e Direitos Humanos do grupo. Por isso, defende, é importante criar ações estruturais para quebrar essas barreiras.

Assim como Helen, Loana Coelho, diretora de Digital do Grupo L´Oréal no Brasil, reforça a necessidade de diversidade em todas as áreas da companhia. “Nossa meta no marketing é contratar, no mínimo, 50% dos influenciadores pertencentes a grupos sub representados”, conta.



