PUBLICIDADE

Explica as tendências da música e da cultura pop

Explica as tendências da música e da cultura pop

O rock voltou a ser ‘cool’, mas com a autenticidade de um filtro de Instagram

Gênero aparece em álbuns de Charli XCX, Olivia Rodrigo e outros como bibelô nostálgico. Boa fase está presa a nomes do passado.

PUBLICIDADE

Na última semana, a popstar britânica Charli XCX – aquela do Brat, o comentadíssimo disco da capa verde – lançou mais um trabalho, este com muitas guitarras distorcidas e influência de rock alternativo. John Cale, um dos fundadores da emblemática banda The Velvet Underground, aparece na capa. Este ano também teve a diva adolescente Olivia Rodrigo fazendo um álbum quase inteiramente dedicado ao The Cure. Isso, sem falar em Billie Eilish, Miley Cyrus, Post Malone, Benson Boone… todos estes flertam com o estilo roqueiro.

Depois de passar pelo menos uma década como música de nicho, o rock voltou a ser “cool”. Nos anos 2010, especialmente na segunda metade, esse gênero perdeu espaço para o rap e o eletrônico na estética jovem e no mainstream (o tipo de música que faz sucesso). Mas, na virada para os anos 20, um movimento inesperado aconteceu: clássicos do rock e até músicas menos conhecidas de bandas mais antigas viralizaram na internet, ao serem usadas como trilhas de vídeos curtos nas redes sociais. Foi assim que faixas como Dreams, do Fleetwood Mac, e I Wanna Be Yours, do Arctic Monkeys, caíram nas graças dos novinhos.

Música do Arctic Monkeys viralizou nas redes sociais anos depois de seu lançamento; sucesso do rock, hoje, é muito puxado pelo passado Foto: Zackery Michael/Divulgação

PUBLICIDADE

Como resultado, o rock passou a viver um novo momento. No Brasil, o estilo deu um salto de popularidade em 2023, passando de 16º a 3º mais escutado no Spotify – um movimento causado, entre outros fatores, por turnês bem-sucedidas de bandas como Skank e Titãs, que aconteciam na época.

Hoje, ao abrir qualquer parada global de hits, você provavelmente encontrará lá algum nome roqueiro de outras gerações: Oasis, The Strokes, The Killers ou até The Police. Nos festivais de música, eles também voltaram a ser protagonistas. Na edição de 2026 do Primavera Sound de São Paulo, por exemplo, Strokes e Gorillaz lideram o line-up.

Apesar de tudo isso, é fácil perceber que a boa fase do rock é puxada por bandas cujo auge ficou no passado. O gênero virou uma espécie de bibelô nostálgico, uma referência usada para dar cara de autenticidade às coisas do presente, como um filtro descolado do Instagram.

Publicidade

Claro que existem coisas novas. Bandas como Wet Leg, Turnstile e Geese, apesar de um tanto derivativas, tentam dar uma cara para o rock dos anos 2020 e alcançam bons números. Mas, como tudo nesses nossos tempos, o rock parece fragmentado. Novos nomes surgem o tempo todo, com estilos bem diferentes, mas não há uma vertente forte nascendo para mudar as coisas, como o punk dos anos 70, o grunge dos anos 90 ou o indie dos anos 2000.

Particularmente, acho que vai demorar para voltarmos a ver algo assim. Para esse tipo de coisa acontecer, uma cena do underground, desconhecida do grande público, precisa se fortalecer no mundo físico: em encontros, festas e festivais. Enquanto continuarmos descobrindo música apenas pelo algoritmo das redes sociais, vamos mesmo ficar presos no passado.

Vale ler também
Alice Ferraz
Sarah Morris retrata gigantes corporativos em exposição inédita em São Paulo
Alice Ferraz
Governo e órgãos do Trabalho estudam “lista suja” para empresas condenadas por assédio eleitoral
Alice Ferraz
Para CEO da BlackRock no Brasil, o país ‘vai continuar sendo a potência que é’
Tudo Sobre