‘Viver Nas Ruas’: Série especial do ‘Estadão’ vira livro nos 30 anos de sua publicação

Em setembro de 1995, a repórter Rebeca Kritsch viveu a realidade das pessoas em situação de rua em SP e experiência rendeu uma série especial que marcou a história do ‘Estadão’

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Foto do autor Leonardo Neto
Atualização:

A série Viver Nas Ruas, da jornalista Rebeca Kritsch, publicada há exatos 30 anos pelo Estadão, será lançada em breve como livro, com prefácio do deputado estadual Eduardo Suplicy.

Para fazer a reportagem, Rebeca morou nas ruas de São Paulo por uma semana, sem dinheiro, sobrevivendo às custas de esmolas e da venda de latinhas de alumínio.

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Há 30 anos, a repórter Rebeca Kritsch viveu por cinco dias nas ruas para escrever a série de reportagens que agora será transformada em livro Foto: Vidal Cavalcante/Estadão

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O resultado foi uma impactante série de reportagens publicada no dia 3 de setembro de 1995, ocupando seis páginas do jornal. “A situação já era um problema sério em São Paulo da época. Eram 4,5 mil pessoas em situação de rua e já achávamos um problema muito grave. Hoje são 32 mil, segundo o censo de 2021”, observa Rebeca, que há 16 anos mora fora do Brasil, mas segue acompanhando a situação por aqui.

“Quando tive essa ideia de dormir na rua, vi que era uma oportunidade única de mostrar a situação daquelas pessoas, de outro ponto de vista. A ideia era mostrar aquela realidade sob o ponto de vista das calçadas”, explica.

Rebeca conta ainda que espera que o livro ajude a criar uma consciência de que viver nas ruas não é fácil. “Este é um problema complexo e de todos nós. Não é olhar e ignorar. A gente precisa ajudar, olhar para essas pessoas e colocá-las nos nossos planos de sustentabilidade e humanismo. É olhar para essas pessoas e entender que elas precisam de ajuda, de apoio”, defende a jornalista.

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A série, que contou com fotos de Vidal Cavalcante, foi eleita como um dos 150 momentos marcantes dos 150 anos de história do Estadão, celebrados em 2025. A reportagem rendeu o Prêmio Esso daquele ano à dupla.

Rebeca ao lado do fotógrafo Vidal Cavalcante, com quem dividiu a missão nas ruas de São Paulo Foto: Vidal Cavalcante/Estadão

‘Maluquinha’

Para a série, Rebeca conta que teve uma preparação, apoiada por integrantes da Organização Auxílio Fraterno (OAF), que ainda hoje atua para acolher e amparar pessoas em situação de rua. Uma destas integrantes era a irmã Ivete de Jesus, que ajudou a “compor o personagem” ao longo das semanas que antecederam a missão.

“Uma coisa que me deixou muito feliz em saber foi que a Irmã Ivete [que já está morta] se referia a mim como ‘aquela maluquinha’, mas falava também que eu era inteligente e perspicaz. Eu acho que sou as três coisas”, conta rindo.

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O livro

Livro 'Viver nas ruas', de Rebeca Kritsch, sairá pelo selo galáctico, da e-galáxia, na segunda quinzena de outubro Foto: e-galáxia/reprodução

Além da reportagem original, o livro atualiza dados, conta o que aconteceu com personagens retratados na série e mostra a transformação da população em situação de rua ao longo dos anos, um número que cresceu mais de 600% nos últimos 30 anos.

Viver Nas Ruas sai pelo selo galáctico, da e-galáxia, com previsão de publicação na segunda quinzena de outubro.

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