Seis novidades da música brasileira que valem o play: de Cazuza a João Gomes

Primeiro sucesso solo do compositor, ‘Exagerado’ soa rejuvenescido, com todos os defeitos e qualidades da voz do poeta da geração 80

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Foto do autor Danilo Casaletti
Atualização:

Em uma entrevista no final dos anos 1980, Cazuza, ao ser provocado por Marília Gabriela a explicar a letra da canção Exagerado, diz que ela era um grande deboche do amor levado às últimas consequências. Escrita por Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni, Exagerado foi lançada em 1985, no primeiro disco solo de Cazuza, embalada pelo pop rock daquela década.

A faixa atravessou o tempo e chega em plena forma aos seus 40 anos, completados nesta terça-feira, 18. Em plena forma mesmo: ela ganha uma versão remasterizada feita para as plataformas digitais, pilotada pelo produtor Guto Graça Mello, que na época do lançamento era diretor artístico da gravadora Som Livre. Com ele nessa empreitada de rejuvenescer o som de Cazuza, está Anderson Trindade.

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Batizada Exagerado (Versão Especial - 40 anos), a faixa foi trabalhada a partir das fitas originais do álbum Cazuza. “Não me toquei que já faziam 40 anos!”, diz Graça Mello ao Estadão. “A gravação original é maravilhosa, mas, para os dias de hoje, estava ultrapassada em questão de som. O que fizemos foi ajustar o volume da voz do Cazuza, efeitos e parâmetros da banda”, explica o produtor.

Com isso, Exagerado agora pode ser ouvida com timbres de voz e instrumentos atualizados e no formato Dolby Atmos, tecnologia que promove uma experiência imersiva de som. Para os fãs do roqueiro, a voz de Cazuza vai soar surpreendente, com todos seus defeitos e qualidades.

De acordo com Graça Mello, a finalização da faixa foi feita em Nova York, nos estúdios da Sony Music, gravadora à qual a Som Livre pertence. O produtor conta que recebeu uma carta do chefe da técnica do estúdio americano elogiando a masterização feita por ele e Trindade. “Fiquei muito orgulhoso, sobretudo pelo Trindade que, naquela época que Cazuza gravou Exagerado, trabalhava no estúdio montando cabos”, diz.

Graça Mello foi bastante próximo de Cazuza, desde os tempos de Barão Vermelho, banda com o qual o compositor se lançou, em 1982. Ele se lembra quando o produtor Ezequiel Neves, o Zeca, nome fundamental na carreira de Cazuza, chegou com a fita cassete da banda e mostrou o som do Barão.

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O Jovem Cazuza, nos anos 1980, em foto caseira Foto: Acervo pessoal/Lucinha Araújo

“Ele me disse: ‘Ouve e me diz se é muito maluco, uma merda ou genial’. Eu pirei no som deles! Zeca era a pessoa da modernidade. Se algum artista chegava com um música meio careta, ele passava para ele acertar a letra”, conta.

O difícil foi dobrar o pai de Cazuza, João Araújo, presidente da Som Livre na época. “João foi contra [o primeiro disco do Barão]. Hoje posso falar: Ele não queria o filho dele dentro da Globo, por causa de sexo e de drogas. Ele tinha receio”, diz.

No caso do álbum Cazuza, que também traz músicas como Codinome Beija-flor e Só as mães são felizes, Cazuza contou com a dose de loucura e genialidade de Zeca e o auxílio musical de Nico Rezende, responsável por montar uma banda nova para o compositor após a saída dele do Barão.

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“Deixei-os completamente livres no estúdio. Cazuza virou um grande amigo, ele frequentava a minha casa. Era um gênio, com uma facilidade para escrever. Uma pessoa linda, em todos os sentidos! Doidinho, mas carinhoso. Eu também era tão doido quanto ele naquela época. Mas eu era um doido executivo”, diverte-se Graça Mello, atualmente com 77 anos.

Além da faixa Exagerado remasterizada em Dolby Atmos por Graça Mello e Trindade, a Som Livre vai lançar o álbum Cazuza com nova masterização feita por Carlos Freitas e um videoclipe oficial da faixa Exagerado com as participações de Lucinha e Fabiana Araújo, mãe e prima de Cazuza, e dos atores Fernanda Fuchs e Dig Verardi, do perfil digital de humor Malhassau.

Confira outros lançamentos de música brasileira que valem o play nas plataformas digitais

  • Fernanda Abreu - Garota Sangue Bom - From House To Disco Remix - Para comemorar os 30 anos de seu álbum Da Lata, o mais emblemático de sua carreira, Fernanda lançou uma versão remixada de Garota Sangue Bom, parceria sua com Fausto Fawcett. A faixa é assinada pelas Djs Bruna Ferreira e Lívia Lanzoni, que formam a dupla From House to Disco.

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  • João Gomes - Devagar, sem Pressa - Representante do piseiro, o cantor caiu nas graças do público neste ano e virou hype. A faixa inédita é o primeiro single do projeto audiovisual Meu Piseiro Brasileiro, que Gomes gravou na Lapa, no Rio de Janeiro, em show que ocorreu ao ar livre, reuniu 50 mil pessoas e movimentou o bairro boêmio carioca, acostumado com o samba, no dia 26 de outubro.
  • Baco Exu do Blues - Que eu Sofra - O rapper baiano coloca no mercado Hasos, primeiro lançamento depois de Fetiche, de 2024. A faixa Que eu Sofra, lançada como single, tem participação do músico Zeca Veloso nos teclados e no vocal, e traz Baco mais melodioso, em balada menos proibidona e mais confessional.
  • Gabriele Leite - Gunûncho - Estrela do violão clássico, a paulista lança seu segundo álbum de carreira, batizado de Gunûncho, nome inspirado em uma manta que Gabriela, quando menina, carregava para todo lado. O repertório traz peças compostas ou dedicadas a intérpretes do instrumento. Entre as escolhidas estão Paisanos Semos!, da cubana Tania León, e Não se Impressione, da brasileira Chiquinha Gonzaga.

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  • Teago Oliveira - Canções do Velho Mundo - O cantor e compositor, conhecido por seu trabalho na banda Maglore, lança seu segundo álbum solo, com seu habitual pop rock, puxado para o indie, mas como incursões no folk e na MPB. Destaque para Minha Juventude Acabou, com ares oitentista, e a balada Shashin-ka.
  • Os Garotin - Indigo Blue - Faixa do álbum Raça Humana Reloaded, que trouxe nomes da nova geração reinterpretando o álbum Raça Humana, lançado por Gilberto Gil em 1984. Trio de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Os Garotin fazem uma irresistível versão soul da canção, ressaltando ainda mais a sensualidade da letra escrita por Gil.
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