As 100 melhores séries do século 21, segundo o ‘New York Times’; veja lista completa e onde assistir

Jornal americano compilou lista a partir dos votos de profissionais da indústria norte-americana

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Por The New York Times

Assista ao trailer de 'Breaking Bad'

Estrelada por Bryan Cranston e Aaron Paul, série lidera lista das melhores do século 21. Crédito: Adoro Cinema via Youtube

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

A televisão definiu a cultura popular do século 21. Com a ascensão da “Peak TV”, do streaming e da migração em massa de astros do cinema para a telinha, uma nova e ambiciosa onda de contadores de histórias revolucionou o meio nas últimas duas décadas.

Para identificar as melhores produções desse período, pedimos a centenas de astros, showrunners, profissionais técnicos, executivos e especialistas da indústria que votassem nas 10 melhores séries estreadas a partir de 1º de janeiro de 2000. (Portanto, não espere ver A Família Soprano, que estreou em 1999.)

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'Breaking Bad', 'Mad Men' e 'Game of Thrones' estão em lista das melhores séries do século 21 do 'NYT' Foto: AMC/Divulgação, AMC/Divulgação e HBO/Divulgação

Entre as mais de 500 pessoas que responderam, estavam astros como Elisabeth Moss, Adam Scott, Bryan Cranston, Rose Byrne, Colman Domingo e Jason Bateman, além de showrunners como Damon Lindelof, Lena Dunham, Lena Waithe e Noah Hawley. Veja como suas séries favoritas se saíram no ranking:

1. Breaking Bad, 2008-13

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(Disponível na Netflix)

No início deste épico criminal, o professor de química que se tornou chefão do tráfico Walter White (Bryan Cranston) explica ao seu ex-aluno e cúmplice Jesse Pinkman (Aaron Paul) seu plano para produzir metanfetamina de altíssima pureza sem usar pseudoefedrina de farmácia. “Isso, ciência!”, exulta Jesse. Breaking Bad estava cheia de resoluções de problemas técnicos — esse era o motor químico que alimentava um enredo em aceleração constante. Mas o que tornou a série incomparável foi sua investigação moral e humanística, focada em como Walter, um homem comum diagnosticado com câncer e atolado em contas médicas, desceu aos infernos do crime. (Ou, talvez, em como o fascínio e a glória do sucesso criminoso apenas desmascararam o vilão que sempre esteve dentro dele.) Com atuações primorosas e filmada meticulosamente, Breaking Bad cresceu de sua premissa “nerd-criminosa” para se tornar uma grandiosa história sobre ganância e soberba. Sim, havia uma ciência por trás das emoções e tragédias da série. Mas, acima de tudo, havia arte. — JAMES PONIEWOZIK

2. A Escuta (The Wire), 2002-08

(Disponível na HBO Max)

Eis o Olimpo dos anti-heróis da era dos anti-heróis: detetives, traficantes, trabalhadores portuários e políticos de Baltimore — todos conturbados, narcisistas, psicopatas, insuportáveis e incansáveis — mergulhados em um colapso urbano sem fim. Era Dickens, Dostoiévski e Raízes. Era Jay-Z. Era Frederick Wiseman e a encenação impossível de décadas de pensamento sociológico, jornalístico e epidemiológico. Como Orange Is the New Black, sua suposta irmã gêmea (que não está em lugar nenhum desta lista), A Escuta é um milagre que nunca deveria ter dado certo: pessoas brancas concebendo a vida negra; atores desconhecidos entregando atuações históricas. E, no entanto, seu ouvido atento e sua linguagem crua mantiveram a ilusão de que criar pessoas reais era a coisa mais natural do mundo. A série se eleva acima da precisão de suas partes para explorar os cantos mais sombrios do experimento americano. — WESLEY MORRIS

3. Mad Men: Inventando Verdades, 2007-15

(Disponível no Disney+)

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Era, como Don Draper (Jon Hamm) nos disse em seu famoso discurso para o carrossel de slides da Kodak, uma máquina do tempo. A série, ambientada no mercado publicitário dos anos 1960 e início dos 70, alimentava-se da nostalgia — que, como Don observou, é um conceito enraizado na dor. Mas ela desviou dos clichês de época ao criar personagens do passado com seus próprios passados, segredos e traumas. Era também uma história sobre a arte de contar histórias, focada nos homens — e, eventualmente, nas mulheres — que escreveram os desejos e medos da América. Com inteligência e elegância implacáveis, Mad Men nos vendeu uma narrativa de transformação pessoal em tempos de mudanças aceleradas. Fomos completamente conquistados. — JAMES PONIEWOZIK

4. Succession, 2018-23

(Disponível na HBO Max)

“Eu amo vocês, mas vocês não são pessoas sérias”, o combativo bilionário Logan Roy (Brian Cox) disse aos seus quatro filhos adultos no início da temporada final deste drama de herança, com o rosto marcado pela decepção paterna. E, ainda assim, nós estávamos seriamente investidos no desfecho das cruéis e absurdas disputas de poder da família Roy. Da ambição desmedida do herdeiro presuntivo Kendall (Jeremy Strong) às reviravoltas conjugais e políticas de sua única filha, Shiv (Sarah Snook), a série mostrou que, embora os muito ricos sejam diferentes de nós, a natureza humana encontrou neles o seu espelho mais fascinante. — LEAH GREENBLATT

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5. Fleabag, 2016-19

(Disponível no Prime Video)

A anti-heroína autodestrutiva e sexualmente compulsiva; a mistura afiada de farsa cômica e tragédia; as frequentes quebras da quarta parede. Como criadora e estrela desta obra-prima de duas temporadas, Phoebe Waller-Bridge redefiniu o formato de comédia de meia hora, adaptando seu monólogo teatral em uma evocação brilhante de luto, romance (viva o Padre Gato!) e amadurecimento aos 30 e poucos anos, tudo em menos de seis horas de tela. — LEAH GREENBLATT

6. Game of Thrones, 2011-19

(Disponível na HBO Max)

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Este épico sangrento sobre clãs lutando pelo poder enquanto o apocalipse se aproximava foi o maior espetáculo da Terra, menos no sentido televisivo e mais no estilo circo grandioso: em certas noites de domingo, era quase inacreditável ver exércitos, dragões e zumbis de gelo devastando Westeros. Mas o espetáculo e o final controverso não devem esconder o quão excelente a série era no plano dramático. O roteiro era afiado, o mundo era cativante e as atuações eram excepcionais, especialmente as de Peter Dinklage, Lena Headey e Nikolaj Coster-Waldau. O inverno eventualmente chegou, mas foi uma série para todas as estações. — JEREMY EGNER

7. Veep, 2012-19

(Disponível na HBO Max)

Julia Louis-Dreyfus ganhou seis Emmys consecutivos por seu papel como a insegura e completamente sem escrúpulos vice-presidente Selina Meyer. Poucas séries conseguiram entregar tantas piadas por minuto, e pouquíssimas foram tão descaradas e gloriosamente profanas. A sátira política acabou se mostrando ainda mais profética do que seu criador, Armando Iannucci, poderia prever: chega a dar nostalgia de um tempo em que apenas políticos de ficção eram abertamente niilistas e boca-suja na televisão. — AUSTIN CONSIDINE

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8. Um Maluco no Pedaço (30 Rock), 2006-13

(Disponível na Netflix)

A sitcom das sitcoms. A sátira efervescente e estruturada de Tina Fey sobre a indústria da TV destilou um estilo de absurdismo pop que remonta a Lucille Ball e Ernie Kovacs, dando-lhe uma roupagem de autoconsciência da Geração X. As caracterizações do mundo do entretenimento foram tão precisas que assumiram dimensões alegóricas: Fey como a produtora zelosa, Jack McBrayer como o estagiário ingênuo, Jane Krakowski e Tracy Morgan como os talentos narcisistas e, acima de tudo, Alec Baldwin como o chefe genial e tóxico. Apenas alguém com um amor incondicional pela televisão poderia tê-la desmontado de forma tão brilhante. — MIKE HALE

9. Segura a Onda (Curb Your Enthusiasm), 2000-24

(Disponível na HBO Max)

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Larry David elevou as pequenas amarguras do cotidiano à categoria de arte ao perambular por Los Angeles batalhando contra todos que violavam seu código ético peculiar. Eles incluíam degustadores compulsivos de amostras grátis, fura-filas, atendentes mal-humorados e seus próprios amigos. O resultado foi um texto fundamental para a “comédia de constrangimento” (cringe comedy), a ponto da música de abertura da série ter se tornado a trilha sonora oficial da internet para momentos de vergonha alheia. — JEREMY EGNER

10. Atlanta, 2016-22

(Disponível no Disney+)

Onde fica Atlanta? Fica no estado americano da Geórgia. É o coração do hip-hop americano. É uma capital regional de cultura e dinamismo negro. E nesta série surrealista de Donald e Stephen Glover sobre a cena musical (e muito mais), Atlanta era um estado de espírito e um estado de constante transformação. A trama acompanhava um grupo de artistas transitando de bocas de fumo a turnês mundiais, mas frequentemente pegava atalhos e desvios imprevisíveis. Às vezes, Atlanta era a comédia mais engraçada da TV; outras vezes, o drama mais perturbador. Uma obra imperdível que nunca deixava o espectador acomodado. — JAMES PONIEWOZIK

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11. The Office (EUA), 2005-13

(Disponível na Netflix, Prime Video e HBO Max)

Quando Greg Daniels desenvolveu a adaptação americana da farsa britânica sobre o ambiente de trabalho, fãs do original duvidavam do seu sucesso. Mas a versão americana, trazendo Steve Carell como o desastrado gerente de uma empresa de papel, tornou-se um fenômeno cultural próprio. O público apegou-se a Michael Scott de uma forma que nunca fez com David Brent (Ricky Gervais) e se apaixonou por personagens como Jim (John Krasinski) e Pam (Jenna Fischer), mantendo a série no ar por nove temporadas inesquecíveis. — AUSTIN CONSIDINE

12. Caindo na Real (Arrested Development), 2003-19

(Disponível na Netflix)

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Toda família disfuncional é disfuncional à sua maneira, mas poucas foram tão delirantemente engraçadas quanto os Bluth. Jason Bateman reviveu sua carreira como Michael, o homem sensato tentando (e falhando) administrar seus parentes sem salvação. Criada por Mitchell Hurwitz, a série entregou tramas absurdas e narrações afiadas num ritmo alucinante. Embora tenha retornado anos depois na Netflix de forma um pouco desengonçada antes de terminar, a fase áurea dos Bluth permanece como um marco do humor televisivo. — JEREMY EGNER

13. Girls, 2012-17

(Disponível na HBO Max)

Quando Lena Dunham mal tinha saído da faculdade, ela escreveu o projeto de uma comédia de meia hora sobre um grupo de jovens hipereducadas e subempregadas em Nova York que, como ela escreveu em sua proposta para a HBO, “têm aquela mistura de presunção de sabedoria e autoironia mordaz que é a marca registrada de grandes comediantes judeus e de muitas mulheres de 24 anos com diploma em humanas”. O resultado foi exatamente isso: uma obra imperfeita, apaixonada e esperançosa, que se tornou a voz de uma geração e o retrato definitivo de uma jovem artista tateando seu caminho no mundo. — ALEXIS SOLOSKI

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14. Friday Night Lights, 2006-11

(Disponível no Prime Video)

A série de Peter Berg provou que uma pequena cidade no Texas e seu time de futebol americano escolar poderiam conter o mundo inteiro. Nenhuma produção foi tão dolorosamente realista sobre a juventude americana, e poucas apresentaram atuações tão impecáveis de seu elenco adulto e jovem. Kyle Chandler e Connie Britton brilharam como o técnico e a diretora casados, liderando um grande elenco de jovens talentos que cresceram diante dos nossos olhos. — MIKE HALE

15. A Sete Palmos (Six Feet Under), 2001-05

(Disponível na HBO Max e Netflix)

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Quase todos os episódios do drama familiar de Alan Ball começavam da mesma forma: uma morte, seguida pelo processo de luto vivenciado pelos donos de uma funerária em Los Angeles. A série foi inovadora ao explorar temas como infidelidade, aborto, relacionamentos homoafetivos e o luto, culminando em um dos melhores episódios finais da história da televisão. Ela reforçou o que tornava Six Feet Under extraordinária: seus retratos poéticos sobre os medos e desejos humanos nesta vida e na próxima. — SALAMISHAH TILLET

16. The Office (Reino Unido), 2001-03

(Disponível na HBO Max)

Poucos esperavam que uma sitcom modesta da BBC sobre uma triste empresa de papel se tornasse uma das séries mais influentes do século. Mas foi exatamente o que fez, popularizando o formato de mocumentário, redefinindo a comédia de constrangimento e projetando as carreiras de Ricky Gervais, Stephen Merchant e Martin Freeman, além de influenciar a grandiosa versão americana. David Brent merece uma promoção. — JEREMY EGNER

17. The Americans, 2013-18

(Disponível no Disney+)

Por seis temporadas, o melhor drama familiar da TV americana foi sobre um casal de espiões soviéticos infiltrados. Criada por um ex-agente da CIA, a série era inteligente, brutal, e profundamente triste, acompanhando o distanciamento gradual do casal enquanto tentava manter as aparências diante dos filhos americanos e ingênuos. Keri Russell e Matthew Rhys entregaram atuações contidas e memoráveis. — MIKE HALE

18. I May Destroy You, 2020

(Disponível na HBO Max)

Ao dramatizar sua própria experiência real de agressão sexual, a talentosíssima Michaela Coel virou do avesso o conceito de narrativa autobiográfica. A série abordou o trauma, mas também discutiu raça, relacionamentos, amizade e a fama na era digital de forma brilhante, visceral e surpreendentemente humana. Poucos criadores conseguiram capturar essa energia eletrizante. — LEAH GREENBLATT

19. Chernobyl, 2019

(Disponível na HBO Max)

O retrato urgente e metódico do desastre nuclear de 1986 feito por Craig Mazin combinou o suspense de uma corrida contra o tempo com a tensão de um drama de tribunal e histórias individuais devastadoras. Uma minissérie impecável que revelou a fragilidade humana e as consequências de mentiras governamentais, apresentando ao mundo a incrível Jessie Buckley. — LEAH GREENBLATT

20. The Crown, 2016-23

(Disponível na Netflix)

Monarquia e país envelheceram juntos ao longo de seis décadas na envolvente crônica de Peter Morgan sobre a vida de Elizabeth II. Três grandes atrizes — Claire Foy, Olivia Colman e Imelda Staunton — interpretaram a Rainha em diferentes fases de seu reinado, enquanto o mundo passava por transformações profundas. — MIKE HALE

21. The White Lotus, 2021-presente

(Disponível na HBO Max)

Concebida originalmente como uma minissérie, The White Lotus tornou-se um dos maiores fenômenos culturais dos anos 2020. Cada temporada acompanha mistérios e mortes em um resort de luxo diferente, enquanto o criador Mike White expõe com maestria as feridas da desigualdade de classe e os conflitos do privilégio humano. — LEAH GREENBLATT

22. Lost, 2004-10

(Disponível no Disney+)

Lançada com um mistério eletrizante sobre sobreviventes de um acidente aéreo em uma ilha enigmática, Lost redefiniu a forma como o público interagia com séries na TV. Para além das teorias e enigmas sobre a Iniciativa Dharma ou ursos polares, o que mantinha a série viva eram seus personagens cativantes e sua capacidade inesgotável de invenção e entretenimento. — JAMES PONIEWOZIK

23. The Comeback, 2005-26

(Disponível na HBO Max)

O que começou como um retrato hilário de uma atriz decadente buscando relevância transformou-se em um estudo longitudinal brilhante sobre as ansiedades de Hollywood. Lisa Kudrow brilha no papel de Valerie Cherish, entregando uma atuação repleta de humor, compaixão e resiliência ao longo de três décadas. — JEREMY EGNER

24. Deadwood, 2004-06

(Disponível na HBO Max)

David Milch reinventou o gênero do faroeste para a TV por assinatura em uma série violenta, poética e profana. Com atuações memoráveis de Timothy Olyphant e Ian McShane como o astuto Al Swearengen, Deadwood encarnou tanto a mitologia do Velho Oeste quanto a realidade grotesca por trás das lendas. — JEREMY EGNER

25. The Leftovers, 2014-17

(Disponível na HBO Max)

Quando 2% da população mundial desaparece repentinamente sem explicação, os sobreviventes precisam aprender a lidar com um luto coletivo e permanente. A série transformou uma premissa de ficção científica em uma parábola poderosa sobre a dor e as inesperadas belezas de viver com a incerteza. — AUSTIN CONSIDINE

26. Black Mirror, 2011-presente

(Disponível na Netflix)

A série de antologia de Charlie Brooker explora os lados mais sombrios da tecnologia e da natureza humana. Transitando entre o aterrorizante, o satírico e o comovente (como no aclamado episódio San Junipero), a produção estabeleceu-se como um dos retratos mais contundentes do nosso futuro próximo. — LEAH GREENBLATT

27. Better Call Saul, 2015-22

(Disponível na Netflix)

A derivada de Breaking Bad focado na trajetória do advogado Saul Goodman (Bob Odenkirk) provou não apenas estar à altura de sua predecessora, mas por vezes superá-la em profundidade dramática e construção de personagens. Ver a inevitável transformação moral do protagonista tornava cada decisão ainda mais trágica. — AUSTIN CONSIDINE

28. Band of Brothers, 2001

(Disponível na HBO Max)

Steven Spielberg e Tom Hanks reuniram um elenco extraordinário nesta minissérie emocionante sobre a trajetória de uma companhia de paraquedistas americanos durante a Segunda Guerra Mundial. A reconstituição histórica impecável e o respeito aos veteranos reais tornam a obra um clássico instantâneo. — MIKE HALE

29. Key & Peele, 2012-15

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

A dupla Keegan-Michael Key e Jordan Peele entregou uma das criações satíricas mais importantes da TV recente. Seus esquetes curtos abordavam questões de raça, cultura pop e sociedade com um alcance cômico genial e uma precisão cirúrgica. — WESLEY MORRIS

30. Ruptura (Severance), 2022-presente

(Disponível na Apple TV)

Em uma crítica contundente e claustrofóbica à cultura corporativa, a série acompanha funcionários de uma empresa que passam por um procedimento cirúrgico para separar suas memórias de trabalho das memórias pessoais. Uma mistura brilhante de suspense corporativo e drama existencial. — LEAH GREENBLATT

31. Survivor, 2000-presente

(Não disponível em streaming no Brasil)

O reality show que popularizou o gênero continua forte após décadas, colocando participantes em locais isolados para construir pequenas sociedades, competir em provas e votar uns contra os outros por um prêmio milionário. Um fascinante experimento social que resiste ao tempo. — JAMES PONIEWOZIK

32. Andor, 2022-25

(Disponível no Disney+)

Distanciando-se dos clichês tradicionais da franquia Star Wars, a série entrega um retrato denso, maduro e detalhado sobre as origens de uma rebelião política contra um império autoritário, dando um peso dramático sem precedentes ao universo da saga. — JEREMY EGNER

33. Enlightened, 2011-13

(Disponível na HBO Max)

Laura Dern estrela esta comédia dramática singular sobre uma mulher que busca o equilíbrio espiritual e a transformação pessoal após um colapso nervoso no trabalho, enfrentando a apatia e o cinismo do corporativismo moderno. — ALEXIS SOLOSKI

34. Schitt’s Creek, 2015-20

(Disponível no Prime Video com assinatura adicional do Sony One)

Uma família milionária perde toda a sua fortuna e é forçada a se mudar para a pequena cidade rural que compraram no passado como uma piada. A comédia canadense evoluiu do humor de constrangimento para uma narrativa calorosa e inclusiva sobre afeto e redescoberta. — ALEXIS SOLOSKI

35. True Detective (1ª Temporada), 2014

(Disponível na HBO Max)

Matthew McConaughey e Woody Harrelson entregaram atuações antológicas como dois detetives investigando um assassinato ritualístico ao longo de duas décadas no estado da Louisiana. A direção de Cary Joji Fukunaga e a atmosfera sombria transformaram a temporada em um marco policial. — SALAMISHAH TILLET

36. The Pitt, 2025-presente

(Disponível na HBO Max)

Reinventando o drama médico para meados dos anos 2020, a série une o ritmo clássico das emergências hospitalares a dilemas sociais contemporâneos, liderada por uma atuação marcante de Noah Wyle à frente de um elenco jovem e dinâmico. — LEAH GREENBLATT

37. Battlestar Galactica, 2005-09

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Esta releitura do clássico da ficção científica transformou a luta da humanidade contra uma raça de robôs em um denso exame político e moral sobre sobrevivência, liberdade individual e ética militar em tempos de crise. — JAMES PONIEWOZIK

38. Homeland: Segurança Nacional, 2011-20

(Disponível na Netflix e Disney+)

Claire Danes entregou uma atuação eletrizante como Carrie Mathison, uma agente da CIA com transtorno bipolar obcecada em prevenir ataques terroristas. O suspense tenso e as reviravoltas políticas mantiveram a série no topo do gênero por anos. — MIKE HALE

39. Watchmen, 2019

(Disponível na HBO Max)

Damon Lindelof expandiu o universo dos quadrinhos clássicos para criar uma obra audaciosa e filosófica sobre o trauma histórico, o racismo estrutural e o poder nos Estados Unidos, liderada por uma atuação magistral de Regina King. — AUSTIN CONSIDINE

40. Adolescência, 2025

(Disponível na Netflix)

Gravada em planos-sequência contínuos que amplificam a tensão, a minissérie britânica acompanha o desespero de pais confrontados com a prisão do filho adolescente, explorando com maestria os perigos da radicalização online e o impacto familiar. — LEAH GREENBLATT

41. Louie, 2010-15

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

A comédia autoral de Louis C.K. desconstruiu o formato tradicional das sitcoms sobre comediantes stand-up, enveredando por caminhos surreais, melancólicos e profundamente reflexivos sobre paternidade, relacionamentos e envelhecimento. — WESLEY MORRIS

42. Hacks, 2021-26

(Disponível na HBO Max)

Estrelada por Jean Smart e Hannah Einbinder, a série explora o choque e a química entre uma lendária comediante de Las Vegas e uma jovem roteirista encarregada de renovar seu repertório. Uma celebração afiada sobre a arte do humor e as relações intergeracionais. — ALEXIS SOLOSKI

43. Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas, 2013-22

(Disponível na Netflix)

Com estilo visual marcante e uma trilha sonora anacrônica impactante, o drama gangster britânico acompanha a ascensão da família Shelby no submundo do crime pós-Primeira Guerra, ancorado pela atuação magnética de Cillian Murphy. — LEAH GREENBLATT

44. BoJack Horseman, 2014-20

(Disponível na Netflix)

Esta animação adulta disfarçada de sátira de Hollywood utiliza um mundo povoado por humanos e animais antropomórficos para realizar uma das abordagens mais profundas, sinceras e devastadoras sobre depressão, vício e trauma na história da TV. — ALEXIS SOLOSKI

45. Happy Valley, 2014-23

(Disponível no Prime Video)

Tudo nesta série dolorosa e devastadora de Sally Wainwright estava escancarado, incluindo a ironia do seu título. Happy Valley era o apelido que os policiais davam a uma área infestada por drogas em West Yorkshire, e a heroína da série, a incansável policial Catherine Cawood (Sarah Lancashire), raramente poderia ser descrita como feliz. A trama se passava sob a sombra do suicídio da filha de Cawood e era dominada pela batalha incansável da policial para levar à justiça Tommy Lee Royce (James Norton), o criminoso sociopata que ela responsabilizava pela tragédia. O desespero e a violência por vezes brutal eram contrabalançados pela compaixão e pelo heroísmo cotidiano, e os personagens de Wainwright, maravilhosamente interpretados, ganhavam vida com tridimensionalidade e autenticidade. — MIKE HALE

46. Broad City, 2014-19

(Disponível no Paramount+)

É fácil esquecer o quão revigorante Broad City foi quando estreou — primeiro em 2009 como uma popular websérie e, mais tarde, como uma sitcom no Comedy Central. Por anos, Friends tinha sido o retrato dominante sobre jovens tentando se dar bem em Nova York. Mas aqui estava a verdadeira cara dos apartamentos, dos perrengues e da vida amorosa de jovens falidos na casa dos 20 anos! Não era nada bonito, mas nas mãos das criadoras e estrelas, Ilana Glazer e Abbi Jacobson, era pelo menos muito engraçado, mesmo que às vezes você risse para não chorar. Toques surrealistas faziam com que os absurdos e humilhações inerentes a ser jovem em Nova York ainda parecessem uma aventura, até mesmo algo a se almejar. — AUSTIN CONSIDINE

47. Twin Peaks: O Retorno (Twin Peaks: The Return), 2017

(Disponível no Paramount+)

Quando Twin Peaks estreou em 1990, não havia nada parecido na televisão. Quando David Lynch e Mark Frost estrearam seu revival de 18 episódios no Showtime 27 anos depois, também não havia nada igual na TV, incluindo o próprio original. Uma obra profundamente experimental e esotérica, O Retorno trouxe de volta personagens familiares e esclareceu alguns mistérios de longa data, embora possa ter introduzido mais enigmas do que resolveu. Obedecia a uma lógica de sonho talvez conhecida plenamente apenas por Lynch e Frost — personagens, tramas e realidades inteiras podiam mudar num piscar de olhos. O resultado foi assustadoramente original, algo presente na TV, mas que mal pertencia a ela: uma jornada alucinante pela ruptura cósmica da Era Atômica. — AUSTIN CONSIDINE

48. House of Cards, 2013-18

(Disponível na Netflix)

O Big Bang da era do streaming — diretor de peso, atores de cinema aclamados, uma temporada inteira lançada de uma só vez — também foi um evento televisivo imperdível. Tínhamos que ver até onde Frank e Claire Underwood iriam para humilhar inimigos, consolidar o poder e explorar segredos. O grande barato da série era enquadrar a corrupção como um fetiche. A sustentação psicológica vinha emprestada de Shakespeare, e a vibe era de puro melodrama viciante. Beau Willimon criou a série, David Fincher estabeleceu a atmosfera de pavor, e o elenco — Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Mahershala Ali e Kate Mara, para citar apenas cinco — aguentou cada reviravolta dos roteiristas. Quando os problemas pessoais de Spacey levaram ao seu banimento na temporada final, a série seguiu em frente mesmo assim. Era eletrizante e inovadoramente viciante: uma temporada terminava e você não sabia se devia procurar resumos ou se dar entrada em uma clínica de reabilitação. — WESLEY MORRIS

49. Pessoas Normais (Normal People), 2020

(Disponível no Prime Video)

Esta adaptação artística do best-seller literário de 2018 de Sally Rooney tornou-se um dos primeiros grandes sucessos de streaming durante a pandemia de COVID: um retrato delicadamente melancólico de dois jovens desajustados (Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones) cujo duradouro pas de deux romântico, do ensino médio à faculdade, expõe suas feridas e desejos mais profundos. Atuado com imensa sensibilidade e emoldurado por uma fotografia cinematográfica que aproveita ao máximo os céus cinzentos europeus, os 12 episódios curtos da série parecem tão íntimos e fascinantes quanto uma batida de coração. — LEAH GREENBLATT

50. Parks and Recreation, 2009-15

(Disponível no Prime Video)

Este mocumentário superou uma primeira temporada morna para se tornar uma das maiores comédias corporativas da TV. Ambientada nos escritórios municipais de Pawnee, Indiana, a série começou como uma sátira sobre o serviço público e evoluiu para algo mais esperançoso. Hoje, de forma agridoce, funciona também como uma cápsula do tempo — uma visita a um passado ligeiramente menos polarizado, onde pessoas com valores e crenças completamente diferentes ainda podiam se dar bem e até melhorar umas às outras. — ALEXIS SOLOSKI

51. The Good Place, 2016-20

(Indisponível no Brasil no momento)

Uma exploração maluca de ética, metafísica e fenomenologia, esta comédia de Michael Schur saltava entre a Terra, o inferno e o céu, com a aparição ocasional de girafas. Uma série que começava com todos os seus personagens mortos poderia ter sido deprimente. Mas The Good Place era leve como um pula-pula, ancorada por atuações soberbas de Kristen Bell e William Jackson Harper como dois recém-falecidos, Ted Danson como um anjo encarregado de cuidar deles e D’Arcy Carden como um supercomputador ontológico. — ALEXIS SOLOSKI

52. Downton Abbey, 2010-15

(Disponível na Netflix e Prime Video)

Uma clássica história sobre aristocratas e criados, esta suntuosa trama do início do século 20 — ambientada quase inteiramente na gigantesca propriedade do título — trouxe ao mundo muito mais do que as tiradas inesquecíveis da adoravelmente ácida Condessa Viúva da dama Maggie Smith. O drama de época de Julian Fellowes foi um retrato afiado da nobreza britânica e de seus funcionários, além de um grande melodrama onde mortes, traições e o horror de usar o garfo de salada errado se desenrolaram ao longo de seis temporadas deliciosamente recheadas (e três filmes derivados). — LEAH GREENBLATT

53. Stranger Things, 2016-25

(Disponível na Netflix)

Mais do que qualquer outro sucesso da Netflix, esta fantasia nostálgica de ficção científica dos até então desconhecidos irmãos Duffer tornou-se um fenômeno global, gerando derivados, uma peça de teatro, experiências imersivas, livros, videogames e produtos infinitos. Mas, após quase 10 anos e cinco temporadas que ficaram sobrecarregadas de mitologia e efeitos visuais, tornou-se fácil perder de vista o que tornava a série especial: seu elenco, liderado por um grupo central de atores mirins anteriormente desconhecidos. Seu leal bando de jovens desajustados dos anos 80 lembrou os adultos de como se sentiram ao assistir E.T. e deu às crianças do século 21 seu próprio grupo de aventureiros para crescer junto. — AUSTIN CONSIDINE

54. Le Bureau (The Bureau), 2015-20

(Não disponível no Brasil no momento)

Este suspense espetacular sobre a vida de agentes secretos merecia estar em uma posição mais alta nesta lista, mas é francês, então c’est la vie. Criado por Éric Rochant, apresenta uma combinação rara e perfeita de rigor processual e densidade psicológica — as missões dos agentes são imersões em terras e culturas estrangeiras, e nós as acompanhamos desde a preparação meticulosa até resgates perigosos e por vezes devastadores. Tenso e emocionante, mas sem sentimentalismo, a série nos prestou a grande homenagem de confiar na nossa inteligência. — MIKE HALE

55. Insecure, 2016-21

(Disponível na HBO Max)

Cocriada e estrelada por Issa Rae, Insecure foi uma carta de amor a uma Los Angeles autêntica, a jovens de 30 e poucos anos correndo atrás do sucesso e ao poder duradouro da amizade entre mulheres negras. Rae estourou na internet com sua websérie The Misadventures of Awkward Black Girl, e na época de sua estreia em 2016, Insecure era apenas a segunda comédia americana criada e estrelada por uma mulher negra. Mais importante, retratou os millennials negros como imperfeitos, engraçados e incertos, assim como seus colegas brancos, dando-lhes permissão para cometer erros e aprender com eles como um rito de passagem essencial. — SALAMISHAH TILLET

56. Nathan for You, 2013-17

(Disponível na HBO Max)

Raramente a sinopse de uma série pareceu tão insuficiente. Armado com seu diploma de negócios no Canadá, “Nathan Fielder”, que pode ou não ser como o Nathan Fielder da vida real, se oferece para ajudar empresas reais a aumentar seus lucros. Suas sugestões são únicas, para dizer o mínimo, e tomam rumos completamente imprevisíveis. Com o tempo, uma metanarrativa se desenvolve ao redor da persona e das motivações de Fielder, enquanto ele empurra a si mesmo e aos seus parceiros a formas cada vez mais criativas de autopromoção e humilhação em busca do sucesso. Para onde vai o sonho americano? Nathan for You tinha algumas ideias perturbadoras. — AUSTIN CONSIDINE

57. I Think You Should Leave with Tim Robinson, 2019-presente

(Disponível na Netflix)

As premissas excêntricas desta série de esquetes em ritmo acelerado, criada por Tim Robinson e Zach Kanin, percorrem caminhos estranhos, com algumas das melhores parecendo divagações daquele seu colega de quarto brisado. “O que acontece quando o carro em forma de cachorro-quente sofre um acidente?” “Como posso esconder um cachorro-quente em uma reunião?” O que as une, além da abundância de cachorros-quentes, são os personagens de Robinson — homens geralmente desajeitados, reprimidos e hipersensíveis. Você os conhece. Eles moram no seu bairro ou trabalham no seu escritório, com suas fachadas normais prestes a se despedaçar após um único comentário fora de hora ou gafe social. — AUSTIN CONSIDINE

58. Chappelle’s Show, 2003-06

(Disponível no Paramount+)

Por mais de duas temporadas, nossas conversas nacionais sobre raça, sexualidade e entretenimento ganharam uma trilha sonora satírica na série de esquetes de Dave Chappelle (criada em parceria com Neal Brennan). Incorporando estereótipos para destruí-los, Chappelle expôs com precisão cirúrgica os clichês, preconceitos e apetites que definiam nossa cultura saturada pela mídia. E ele era fria e brutalmente engraçado. Basta perguntar a Rick James. — MIKE HALE

59. PEN15, 2019-21

(Disponível no Paramount+)

A história da comédia televisiva do século 21 é, em muitos aspectos, a história do constrangimento. Mas antes da comédia de constrangimento na TV, existia o ensino fundamental. Nesta comédia notável, desconfortável e socialmente afiada, Maya Erskine e Anna Konkle interpretaram versões de si mesmas como melhores amigas na fase desajeitada do início da adolescência, adotando personas infantis numa transformação mais eficaz do que qualquer efeito especial. Mas ainda mais eficaz do que a auto-escalação é o olhar atento da série para os detalhes desse momento confuso entre a infância e a adolescência completa, bem como para a intensidade fanática das amizades jovens. Como um Freaks and Geeks mais ousado, ela oferece o prazer de folhear o antigo anuário escolar de alguém, uma página hilária e lamentável de cada vez. — JAMES PONIEWOZIK

60. Peep Show, 2003-15

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Antes de Jesse Armstrong criar uma série marcante sobre disfunção familiar com Succession, ele (junto com Andrew O’Connor e Sam Bain) criou esta comédia britânica fundamental sobre dois colegas de quarto disfuncionais, interpretados por David Mitchell e Robert Webb. O truque estilístico que dá nome à série era divertido e original — as cenas eram filmadas da perspectiva dos personagens principais e narradas por seus pensamentos internos. Mais importante era seu olhar honesto e muitas vezes melancólico sobre a amizade masculina e ambições frustradas, através de uma lente tão humana quanto bem-humorada. — AUSTIN CONSIDINE

61. RuPaul’s Drag Race, 2009-presente

(Disponível no Paramount+)

Quando esta competição de reality show estreou em 2009, tinha um orçamento tão baixo que as lentes das câmeras eram cobertas com celofane para criar um efeito de foco suave (os fãs chamam de “filtro de vaselina”). Ao longo de 18 temporadas (além de 11 temporadas de All-Stars e vários derivados internacionais), o que antes era um nicho tornou-se um fenômeno da cultura pop que celebra a liberdade, a identidade e a exuberância, expandindo nosso vocabulário diário com gírias como “tea”, “shade” e “clock”. RuPaul Charles, criador e apresentador, ganhou 14 Emmys ao longo do caminho. — MAYA SALAM

62. Slow Horses, 2022-presente

(Disponível na Apple TV)

Baseada nos romances Slough House de Mick Herron, esta série reimagina o suspense institucional de espionagem como uma vertente distintamente britânica de comédia corporativa sombria — John le Carré encontra Evelyn Waugh que encontra Ricky Gervais. (O criador real foi o comediante e escritor Will Smith.) Uma equipe frustrada de “fracassados, desajustados e bêbados”, nas palavras da música tema de Mick Jagger, é exilada para um escritório decadente do serviço de inteligência MI5. No entanto, eles consistentemente se reúnem para salvar a pele da Grã-Bretanha — movidos por vingança, orgulho profissional ou simplesmente pelos abusos cortantes lançados sobre eles por seu chefe, Jackson Lamb, interpretado com uma grosseria brilhante por Gary Oldman. — MIKE HALE

63. The Thick of It, 2005-12

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Antes de ridicularizar Washington em Veep, Armando Iannucci mirou na política britânica nesta sátira terrivelmente engraçada sobre ministros desastrados, seus subordinados e sua luta constante para evitar a imprensa ruim e a fúria de um consultor de imagem mordaz, interpretado por Peter Capaldi. Os sotaques são diferentes, mas a premissa é a mesma: grandes nações são governadas em grande parte por pessoas pequenas, movidas menos pelo bem comum do que por suas próprias aspirações mesquinhas e pânico de status. Rir para não chorar? — JEREMY EGNER

64. Anthony Bourdain: Lugares Desconhecidos (Parts Unknown), 2013-18

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Dar sequência a Sem Reservas não foi tarefa fácil, mas Anthony Bourdain conseguiu isso com direito a prêmios Emmy e Peabody, enquanto mandava os críticos do tipo “fale apenas de comida!” passearem. Aproveitando sua crescente influência cultural, ele usou a gastronomia como porta de entrada para explorar questões politicamente carregadas em locais como Congo, Hong Kong e, inesquecivelmente, o Irã. Lugares Desconhecidos, que durou 12 temporadas, também abandonou a vibe mais crua e frenética de diário de viagem em favor de um ritmo reflexivo e uma fotografia impecável. O que não mudou foi o cinismo característico de Bourdain e sua capacidade de comer, beber e encarar a condição humana de frente. — MAYA SALAM

65. Mare of Easttown, 2021

(Disponível na HBO Max)

Assassinato. Caos. Uma Kate Winslet exausta em camisas de flanela, usando vape sem parar e com sotaque carregado. Este drama policial da HBO criado por Brad Ingelsby, ambientado em uma comunidade trabalhadora na Filadélfia, tinha de tudo. Como a Mare do título, uma detetive divorciada com uma vida pessoal conturbada, Winslet precisa resolver o assassinato de uma jovem e o desaparecimento de outra enquanto tenta manter o distanciamento profissional — um trabalho árduo em um lugar onde todos conhecem seu nome (e suas fraquezas). — LEAH GREENBLATT

66. O Ensaio (The Rehearsal), 2022-presente

(Disponível na HBO Max)

Se Nathan for You era o laboratório de testes para os experimentos sociais do cientista louco Nathan Fielder, O Ensaio, que o financiou com os recursos da HBO, foi o equivalente a lhe dar as chaves de um acelerador de partículas. Fielder ampliou sua comédia de pegadinhas com uma pergunta simples e profundamente filosófica: E se você pudesse resolver todos os problemas da vida simulando e praticando situações difíceis? Os resultados foram espetaculares, levando-o a orquestrar casamentos, infâncias e voos de avião, aliados a uma visão sobre sua própria natureza controladora e, por extensão, sobre o público. O que ele estava realmente testando era o desejo comovente de eliminar a ansiedade, a estranheza social e o arrependimento. A prática pode não levar à perfeição, mas O Ensaio chegou impressionantemente perto. — JAMES PONIEWOZIK

67. O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), 2017-25

(Disponível no Paramount+, Prime Video, Netflix e Globoplay)

Chegando no início do primeiro mandato de Trump, O Conto da Aia, baseado no romance de 1985 de Margaret Atwood, refletiu debates intensos sobre os direitos das mulheres e a liberdade reprodutiva como nada mais na TV. O criador Bruce Miller imaginou Gilead, um lugar atormentado por baixas taxas de natalidade, desastres ambientais e hierarquias extremas de gênero, tanto como uma distopia completa quanto como um futuro não tão distante. Elisabeth Moss e Yvonne Strahovski foram brilhantes como uma Aia e a Esposa de um comandante, evoluindo de antagonistas a refugiadas e, finalmente, rebeldes. Os temas da série foram contados com tanta vivacidade que ativistas começaram a usar capas vermelhas e toucas brancas, o uniforme das Aias, em protestos políticos no mundo real. — SALAMISHAH TILLET

68. Ozark, 2017-22

(Disponível na Netflix)

Um homem de família pacato e de meia-idade é arrastado para o submundo sombrio de traficantes, chefões do crime e psicopatas sem remorso? Já ouvimos essa premissa antes. Mas embora Ozark compartilhe o esqueleto inicial com Breaking Bad, a série rapidamente encontra seu próprio ritmo e um tom cômico sombrio — em grande parte graças às atuações multifacetadas de Jason Bateman, Laura Linney e Julia Garner, que ao longo de quatro temporadas repletas de reviravoltas deram um show de ambiguidade moral. — LEAH GREENBLATT

69. Anthony Bourdain: Sem Reservas (No Reservations), 2005-12

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Anthony Bourdain tinha uma das melhores vozes da TV. Como chef renomado, tinha o dom do paladar. Como apresentador, era um contador de histórias nato e um provocador que conseguia desmembrar a culinária e a cultura com facilidade e sem enrolação. Em seu programa documental, ele foi além do turismo superficial para mostrar como comer é uma forma de explorar um lugar — não apenas seus prazeres e delícias, mas também sua história, seus modos de vida e, às vezes, sua dor. Em lugares como Líbano, Haiti e Vietnã, ele transformou suas viagens em uma combinação de reportagem e ensaio pessoal. Bourdain nos mostrou que a melhor maneira de entender o mundo é uma garfada de cada vez. — JAMES PONIEWOZIK

70. The Shield: Acima da Lei, 2002-08

(Disponível no Prime Video)

Livremente inspirado no escândalo de corrupção do departamento de polícia de Los Angeles, este drama policial eletrizante atingiu a TV americana como um tapa na cara dado por um policial corrupto. Shawn Ryan, em sua primeira série de TV, caprichou na atmosfera sombria e crua, começando com um assassinato chocante logo no piloto. Mas o que mantinha o espectador preso eram as atuações marcantes, lideradas por Michael Chiklis como o implacável Vic Mackey e Walton Goggins como o tragicamente leal braço-direito de Vic, Shane Vendrell. — MIKE HALE

71. Treta (Beef), 1ª Temporada, 2023

(Disponível na Netflix)

Por que esta série? Bom, porque ela simplesmente não parava. Era engraçada. Era maldosa. Era estranha. Nunca se acomodou em ser apenas bonitinha. A briga de trânsito que dá início a tudo — entre dois empreendedores asiático-americanos (Steven Yeun e Ali Wong) — culmina nove episódios depois no que só pode ser descrito como desprezo transcendental. A série rompe com clichês de enredo rumo a zonas sinistras e desesperadas que lembram a genialidade de mestres como Bong Joon Ho. Mas esta farsa de Lee Sung Jin é impregnada do descontentamento com o sonho americano. É uma tragédia em formato de programa de auditório para filhos de imigrantes — uma disputa de luta de classes e autoaversionismo com Yeun e Wong dispostos a vencer a qualquer custo, nesta vida e no que vier depois. — WESLEY MORRIS

72. Round 6 (Squid Game), 2021-25

(Disponível na Netflix)

Um homem desesperado (Lee Jung-jae) entra em uma estação de metrô e logo se vê em uma ilha jogando brincadeiras infantis mortais para o entretenimento de oligarcas. A mensagem deste suspense coreano hiperviolento é óbvia — o capitalismo é um esporte sangrento e desumanizador! — e seus métodos são diretos. Mas conforme concebido por Hwang Dong-hyuk, seu estilo é inegável (os agasalhos verdes, os interiores de parque de diversões) e a briga interna entre os competidores é desanimadoramente marcante. Round 6 também é, à sua maneira sangrenta e espalhafatosa, altamente divertido, tornando-se a série mais popular da história da Netflix. Talvez haja um pouco de oligarca em todos nós. — JEREMY EGNER

73. Barry, 2018-23

(Disponível na HBO Max)

Claro, ele é um assassino de aluguel. Mas qual é a sua motivação? Esta comédia super sombria de Bill Hader e Alec Berg trouxe Hader como um assassino insatisfeito que acaba caindo em uma aula de atuação liderada por Gene Cousineau (Henry Winkler). Ele mata um colega de classe? Pode apostar. Mas ele também encontra um novo propósito. Uma celebração e subversão tanto das sátiras de Hollywood quanto das séries policiais, foi também uma vitrine para Anthony Carrigan como NoHo Hank, um gângster alegre, e Sarah Goldberg como Sally Reed, uma atriz inconsequentemente ambiciosa. — ALEXIS SOLOSKI

74. O Urso (The Bear), 2022-26

(Disponível no Disney+)

O Urso era, por qualquer definição (exceto a dos votantes do Emmy), mais um drama sobre o ambiente de trabalho do que uma comédia. Essa crítica ficou cansativa, assim como a reação a ela, mas para milhões de espectadores isso não importava: como retratação do potencial enobrecedor do trabalho duro e do compromisso compartilhado, esta série sobre um chef ansioso (Jeremy Allen White) que volta para casa em Chicago para gerenciar o restaurante da família após o suicídio do irmão tinha um coração gigante e irresistível, com personagens dos quais você não conseguia se desligar. A série também trouxe todo um universo de termos e ideias gastronômicas para o público geral. Pergunte a qualquer trabalhador de restaurante se “Sim, Chef!” já perdeu a graça. — AUSTIN CONSIDINE

75. Ted Lasso, 2020-presente

(Disponível na Apple TV)

Esta comédia sobre um técnico americano (Jason Sudeikis) que se muda para a Inglaterra e transforma um clube de futebol e a comunidade com bondade e sabedoria popular tem uma reputação solar. Mas a excelente primeira temporada é repleta de amargura e desespero, enquanto os personagens lidam com casamentos desmoronando, pais difíceis e outros traumas. Confrontar e eventualmente superar a escuridão deu a uma comédia esportiva muito engraçada uma profundidade e gravidade surpreendentes, além de um poder de acalentar a alma nos dias sombrios da pandemia. — JEREMY EGNER

76. Alguém em Algum Lugar (Somebody Somewhere), 2022-24

(Disponível na HBO Max)

Modesta por opção, esta comédia da HBO defendeu que uma pessoa pode amadurecer em qualquer idade. Criada pela estrela de cabaré Bridget Everett (com Hannah Bos e Paul Thureen) e ambientada na cidade natal de Everett, Manhattan, Kansas, a série é estrelada por Everett como Sam, uma mulher que volta para casa após não conseguir se estabelecer na grande cidade. Enfrentando uma perda gigantesca, ela encontra sua voz e uma família escolhida e excêntrica, incluindo Jeff Hiller como Joel, um otimista incorrigível e porto seguro de Sam. — ALEXIS SOLOSKI

77. Modern Family, 2009-20

(Disponível no Disney+)

Família Moderna era uma comédia no formato tradicional de canal aberto — pais malucos, crianças fofas, temporadas de 24 episódios — repaginada para um novo século, com famílias LGBT, famílias refeitas e um formato de mocumentário em câmera única. Alguns aspectos não envelheceram tão bem, mas a série ganhou uma tonelada de Emmys e durou 11 temporadas de grande audiência porque acertou no básico: piadas afiadas, dinâmicas reais e atuações espetaculares, particularmente de Ty Burrell como o pai mais maluco de todos. — JEREMY EGNER

78. It’s Always Sunny in Philadelphia, 2005-presente

(Disponível no Disney+)

Sunny não se tornou a comédia de atores reais mais duradoura da TV aquecendo o coração dos espectadores. Ela começou de forma vil e niilista com personagens desprezíveis em um pub decadente e continuou assim. O grupo nunca cresce, não aprende lições nem desenvolve uma consciência — eles podem até ter piorado. Sunny sempre priorizou as gargalhadas sobre o sentimentalismo, e esse pode ser o segredo da sua longevidade: sem romances enrolados para perder o fôlego; sem chefes insuportáveis com um coração de ouro secreto; sem redenção para os vaidosos. Sunny durou mais que The Office. Durou mais que Cheers. Pode durar enquanto precisarmos rir de pessoas horríveis, o que não dá sinais de parar. — AUSTIN CONSIDINE

79. The Good Wife, 2009-16

(Disponível no Paramount+ e Prime Video)

Este drama vibrante de Robert e Michelle King era envolvente, deliciosamente atual e muito mais autoral do que uma série jurídica comum. A produção foi estrelada por Julianna Margulies como Alicia Florrick, uma ex-advogada que retorna ao trabalho após seu marido político (Chris Noth) ser preso por acusações de corrupção. Recrutando do meio teatral de Nova York, foi talvez a série procedural com o melhor elenco da televisão. — ALEXIS SOLOSKI

80. How To with John Wilson, 2020-23

(Disponível na HBO Max)

É preciso um talento especial para mostrar aos nova-iorquinos problemas na cidade que eles nunca tinham notado. John Wilson tem esse talento, mas sua sublime série documental da HBO é mais uma carta de amor obsessiva do que uma reclamação, sendo cada episódio uma montagem selvagem de trechos da complexa realidade de Nova York. As jornadas de livre associação de Wilson são alternadamente cômicas e melancólicas — um episódio pode começar com o esforço para cobrir seus móveis e terminar no porão de um defensor da restauração do prepúcio. De alguma forma, tudo faz um sentido lindo. — AUSTIN CONSIDINE

81. O Gambito da Rainha, 2020

(Disponível na Netflix)

Possivelmente o maior acontecimento para o xadrez na cultura popular desde Bobby Fischer, O Gambito da Rainha inventou uma prodígio problemática tão verossímil que muitos espectadores pensaram ser uma cinebiografia. Como Beth, a órfã tímida e ranzinza que descobre ter mais do que um talento comum para o jogo — e que esse é seu passaporte para sair do Kentucky dos anos 1960 —, a atriz Anya Taylor-Joy usa seu olhar atento e inteligência feroz para nos guiar pela jornada complicada de um gênio natural que é também uma competidora fanática, uma dependente química e, em última análise, uma alma perdida encontrando seu propósito entre cavalos e bispos. — LEAH GREENBLATT

82. Better Things, 2016-22

(Disponível no Disney+)

Uma comédia autoficcional da veterana do entretenimento Pamela Adlon (que a criou junto com Louis C.K., que deixou a produção após a segunda temporada), esta série solar acompanha Sam Fox (Adlon), uma atriz de meia-idade que mora nas colinas de Hollywood com sua mãe de espírito livre e três filhas marcantes. (A futura vencedora do Oscar Mikey Madison interpretou a mais velha.) Implacável em sua anatomia das relações entre mulheres e dos desafios e recompensas da maternidade solo, a série nunca perdeu sua voz marcante nem seu coração aberto. — ALEXIS SOLOSKI

83. Justified, 2010-15

(Disponível no Disney+ e no Mercado Play)

A TV fez justiça à obra de Elmore Leonard, o que foi um pequeno milagre de Hollywood. Provavelmente ajudou o fato de Leonard, antes de sua morte em 2013, ter sido produtor executivo desta série baseada em suas histórias sobre Raylan Givens. Timothy Olyphant interpretou Raylan, o policial lacônico, e Walton Goggins viveu Boyd, o amigo de infância que cresceu para se tornar o rival criminoso e amoroso de Raylan. Eles trouxeram alma e estilo a uma história de crime violento que também era um drama familiar fragmentado, uma comédia corporativa leve e, mais marcante ainda, uma análise seca da moral e dos costumes do interior do Kentucky. — MIKE HALE

84. Planeta Terra (Planet Earth), 2006

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

A primeira grande série documental de natureza filmada inteiramente em alta definição, esta produção de 11 episódios da BBC de 2006 literalmente estabeleceu um novo padrão: cada episódio, narrado pela voz marcante do naturalista David Attenborough, foi um prodígio de inovação técnica e narrativa. Como na maioria das grandes obras do cinema, a virtuosidade costuma ser mais impressionante quando é menos vistosa. Mas os minidocumentários de 10 minutos sobre os bastidores lembram os espectadores dos feitos surpreendentes de coragem, paciência e engenhosidade que cada segundo de seus 550 minutos de duração exigiu. — AUSTIN CONSIDINE

85. Bake Off Reino Unido (The Great British Baking Show), 2010-presente

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Esta série, com seu cenário sereno, participantes comuns e clima de cooperação humana, parecia ir contra tudo o que sabíamos sobre reality shows de competição. Mas acabou se mostrando que há poucas coisas mais prazerosas do que ver um estudante de Glasgow construir uma bicicleta feita de massa choux, ou ver uma vovó de Liverpool flertar sobre um creme de limão com o jurado Paul Hollywood. — LEAH GREENBLATT

86. Xógum: A Gloriosa Saga do Japão (Shogun), 2024-presente

(Disponível no Disney+)

Xógum foi concebida como uma minissérie, mas bateu o recorde de maior número de prêmios Emmy em um único ano para um drama (18) depois que o FX a renovou para temporadas adicionais. Começa durante um vácuo de poder no Japão do século XVII e retrata as manobras políticas que se seguem. O principal estrategista é Yoshii Toranaga, interpretado brilhantemente por Hiroyuki Sanada, que estabelece alianças com um navegador inglês (Cosmo Jarvis) e outros para superar seus rivais. Xógun foi trágica, imersiva e completamente hipnotizante. Não surpreende que o FX não tenha conseguido desapegar. — SALAMISHAH TILLET

87. Reservation Dogs, 2021-23

(Disponível no Disney+)

Ambientada entre os moradores da Nação Muscogee no interior de Oklahoma, esta comédia dramática de Sterlin Harjo e Taika Waititi foi um divisor de águas na representação indígena na TV. Após um piloto frenético, a série desacelerou para um ritmo mais livre, ao mesmo tempo hipernaturalista e surreal. Ancorada pelas atuações de D’Pharaoh Woon-A-Tai, Devery Jacobs, Paulina Alexis e Lane Factor como os adolescentes no coração da história, abordou de forma leve e profunda temas como perda, amadurecimento e pertencimento. — ALEXIS SOLOSKI

88. Dexter, 2006-13

(Disponível no Paramount+)

Agrupar Dexter Morgan (Michael C. Hall) com os grandes anti-heróis da TV de sua época nunca pareceu totalmente correto. Ele era, afinal, um assassino em série de fato; mesmo em seus piores momentos, Tony Soprano e Walter White nunca montaram salas cobertas de plástico para execução nem catalogaram amostras de sangue de suas vítimas. Mas Dexter tinha um código: ele era um perito forense da polícia que matava apenas criminosos violentos que haviam escapado da justiça. E adivinhe só? Na maioria das vezes, você se pegava torcendo por ele, apesar de ter que conciliar isso com algumas das cenas mais pavorosas e cruentas da história da TV. — AUSTIN CONSIDINE

89. Bebê Rena, 2024

(Disponível na Netflix)

Hilária e devastadora, esta minissérie da Netflix traz Richard Gadd como um comediante decadente em Londres e Jessica Gunning como a perseguidora desequilibrada que transforma sua vida em um inferno — quando não está preenchendo um vazio inominável em sua alma. Criada por Gadd, Bebê Rena seguiu o caminho de Fleabag, começando como um espetáculo solo no festival de Edimburgo. Como sua antecessora, é uma obra singular e impressionante, uma mistura corajosa e volátil de comédia gargalhada e desespero no estômago. — JEREMY EGNER

90. Eastbound & Down, 2009-13

(Disponível na HBO Max)

Kenny Powers: um grande americano ou o maior dos americanos? Em sua comédia para a HBO, criada com Ben Best e Jody Hill, Danny McBride desenhou um dos babacas mais memoráveis da TV na figura deste ex-arremessador decadente da Major League, um colosso de arrogância e sotaque carregado que queimou a largada no auge do sucesso. Depois de afastar fãs e companheiros de equipe de Nova York a Seattle, Powers se arrasta de volta para sua cidade natal para dar aulas de educação física no ensino fundamental e tentar orquestrar seu retorno. Um retrato hilário de petulância sem arrependimentos, a atuação de McBride é um verdadeiro home run. — JAMES PONIEWOZIK

91. Catastrophe, 2015-19

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Um rapaz americano (Rob Delaney) conhece uma garota irlandesa (Sharon Horgan) em um bar lotado em Londres. Um romance de seis noites — e uma gravidez não planejada — se seguem. Embora não fossem um casal na vida real, Delaney e Horgan também eram os roteiristas e criadores da série, e sua química cômica contagiante alimentou o roteiro enquanto enfrentavam o casamento, filhos e a meia-idade. Mesmo quando as temporadas posteriores se aprofundaram em aspectos mais sóbrios da vida adulta (infidelidade, dificuldades financeiras, um pai com demência), Catastrophe manteve sua faísca despojada e boca-suja inconfundível. — LEAH GREENBLATT

92. The Night Of, 2016

(Disponível na HBO Max)

Ok, o final pareceu meio apressado. Mas a maior parte deste mistério de assassinato, drama de tribunal, estudo de personagem e série prisional entregou uma atmosfera, intriga, condenação moral e um nível de detalhamento sobre Nova York que desaguou em uma tragédia americana. Personagens afiados, escritos por Richard Price e Steven Zaillian, ganharam atuações profundamente marcantes de John Turturro, Michael K. Williams e Jeannie Berlin, para começar. Riz Ahmed, que interpretou Naz, um jovem paquistanês-americano acusado de matar uma mulher branca, ganhou um Emmy e aplicou uma lógica intrincada a um retrato de inocência: tornou-a dura, salgada e cheia de nós. — WESLEY MORRIS

93. Station Eleven, 2021-22

(Disponível na HBO Max)

Eu poderia dizer que é inesperado que uma das séries mais inspiradoras do último quarto de século se passe em um cenário pós-apocalíptico, mas quem eu estaria enganando? É precisamente em tempos de cataclismo e colapso que as histórias de outras pessoas passando por isso falam mais alto. Esta adaptação em minissérie do romance de 2014 de Emily St. John Mandel, ambientada em sua maior parte nos anos após uma pandemia ter dizimado grande parte da população mundial, acompanha um grupo de sobreviventes em uma trupe teatral de Shakespeare viajando e se apresentando na região do Lago Michigan. Nostálgica, poética e teimosamente esperançosa, ela encarna a ideia de que fazer arte é a melhor coisa que os humanos fazem — e talvez a nossa melhor chance de vencer a morte. — JAMES PONIEWOZIK

94. A Diplomata (The Diplomat), 2023-presente

(Disponível na Netflix)

Uma diplomata de linha de frente subitamente convocada para ser a embaixadora dos Estados Unidos no Reino Unido — e possivelmente a próxima vice-presidente americana —, Kate Wyler (uma Keri Russell intencionalmente sem glamour) parece tão familiarizada com as etiquetas políticas quanto é com shampoo, ou seja, quase nada. Mas acontece que Kate é excelente em diplomacia, e o elenco de primeira linha (incluindo Rufus Sewell como o marido estrategista de Kate, e Allison Janney e Bradley Whitford como um combativo Casal Presidencial) complementa um drama eletrizante cuja mistura magistral de crises internacionais e pessoais parece um petisco de altíssima qualidade para mentes exigentes, no melhor sentido possível. — LEAH GREENBLATT

95. House (House, M.D.), 2004-12

(Disponível na Netflix, Prime Video e HBO Max)

A TV aberta não carecia de dramas médicos quando o ranzinza e viciado em remédios Dr. Gregory House chegou mancando às telas — um personagem que Hugh Laurie tomou para si como se ele próprio estivesse engolindo o Vicodin. Mas House tinha pouco em comum com os nobres médicos habituais da TV, que, mesmo imperfeitos, ainda se importavam com os pacientes. Inspirado em Sherlock Holmes, House era intelectual, frio e interessado apenas se achasse o caso intrigante. House tornou difícil amar o protagonista, recusando-se obstinadamente ao sentimentalismo fácil. Isso fez com que o afeto, quando finalmente vinha, parecesse especialmente merecido. — AUSTIN CONSIDINE

96. Halt and Catch Fire, 2014-17

(Indisponível nos serviços de streaming no Brasil no momento)

Este drama começou nos primeiros dias da revolução dos computadores pessoais — antes das redes sociais, do FOMO e da ansiedade com a inteligência artificial — para contar a história de um quarteto de pioneiros da tecnologia que olhavam para aquelas caixas bege cafonas de computador e viam um futuro caleidoscópico. Os computadores eram “a ponte que nos leva ao destino”, sendo esse destino a conexão, o empoderamento e até um novo tipo de arte. O que começou como uma história familiar de intriga corporativa — um Mad Men com processadores — tornou-se uma exploração rica, sincera e humana dos custos e recompensas do trabalho e da necessidade do fracasso. Seu retrato do tecno-otimismo dos anos 80 e 90 pode parecer ingênuo agora, mas sua representação do amor pela criação continua na vanguarda. — JAMES PONIEWOZIK

97. Community, 2009-15

(Disponível na Netflix e Prime Video)

Community uma vez dedicou um episódio inteiro a uma sátira do filme Meu Jantar com André. Em uma noite de quinta-feira na NBC. Essa e outras improváveis premissas metalinguísticas no horário nobre — o documentário no estilo Ken Burns sobre um forte de cobertores, o especial de Natal em stop-motion — tornaram a sitcom absurda de Dan Harmon sobre um grupo de estudos de uma faculdade comunitária uma atração imperdível para nerds de comédia de todos os níveis. Mas foram as atuações entregues e emocionalmente ricas de Joel McHale, Donald Glover, Gillian Jacobs e do resto do elenco — sim, até mesmo Chevy Chase — que impediram a série de se perder em suas próprias loucuras. — JEREMY EGNER

98. The OA, 2016-19

(Disponível na Netflix)

Este mistério sobre memórias, focado em uma jovem sequestrada (Brit Marling) que retorna para casa, forma um grupo de apoio quase cultista, autodenomina-se “The OA” e acredita piamente que foi destinada à divindade (e à vingança), junta-se a Happy Endings e Enlightened no vale das séries canceladas antes da hora. Marling e Zal Batmanglij conceberam esta produção, que chegou em pleno auge da crise de “mulheres brancas prisioneiras” na TV (Orange Is the New Black, O Quarto de Jack, Unbreakable Kimmy Schmidt, Search Party). O enredo mirabolante era ridículo, mas The OA o preencheu com personagens maravilhosamente imperfeitos, comprometeu-se com a exploração do trauma e acabou raspando no sublime. (Apenas aquela sequência de dança no refeitório...) Quando a Netflix cancelou a série após duas temporadas, ela claramente ainda tinha muito mais para enlouquecer e surpreender. — WESLEY MORRIS

99. Gilmore Girls: Tal Mãe, Tal Filha (Gilmore Girls), 2000-07

(Disponível no Disney+, HBO Max e Prime Video)

Séries aclamadas muitas vezes tiram os espectadores de suas zonas de conforto. Gilmore Girls, criada por Amy Sherman-Palladino, triunfou ao fazer o oposto: encantar o público com conflitos leves, diálogos ágeis e uma sensação incomparável de aconchego. As “garotas”, Lorelai Gilmore (Lauren Graham) e sua filha Rory (Alexis Bledel), vivem em Stars Hollow, Connecticut, um vilarejo de livro de histórias repleto de vizinhos intrometidos e moradores excêntricos. Anos após o fim de suas sete temporadas, Gilmore Girls encontrou vida nova no streaming, tornando-se sinônimo de nostalgia de outono e fazendo fãs viajarem para Washington, Connecticut — a inspiração real para Stars Hollow — em busca de um gosto da fantasia do interior. — MAYA SALAM

100. Scandal, 2012-18

(Disponível no Prime Video e Disney+)

“Está resolvido.” Quando dita por Olivia Pope, a gerenciadora de crises definitiva de Washington, o “isso” podia se referir a uma conspiração multinacional ou a algum dilema menor da presidência. Mas o assunto estava, sem dúvida, resolvido. Como a glamourosa e implacável Pope, Kerry Washington foi a primeira mulher negra a protagonizar um drama em canal aberto americano em quase 40 anos, e a série a transformou em um nome consagrado. Ágil, suntuosamente estilosa e cheia de dilemas amorosos e relacionamentos inter-raciais — Pope era a amante de longa data do presidente casado dos Estados Unidos, vivido por Tony Goldwyn —, Scandal consolidou a criadora Shonda Rhimes, até então conhecida por Grey’s Anatomy, como uma autêntica fábrica de sucessos televisivos com uma estética marcante e ponto de vista feminista. — SALAMISHAH TILLET

Metodologia: Em colaboração com o The Upshot — um departamento do The New York Times focado em jornalismo analítico e dados —, enviamos cédulas de votação a centenas de astros, showrunners, profissionais técnicos e outros integrantes da indústria da televisão, pedindo que enviassem até 10 escolhas das melhores séries do século XXI. As produções podiam ser em qualquer idioma, e todos os tipos de séries — ficção, reality shows, documentários, talk shows, programas de auditório, produções para o YouTube, etc. — eram elegíveis. O único requisito era que tivessem estreado em 1º de janeiro de 2000 ou posterior e contivessem múltiplos episódios. Após enviarem suas cédulas, os votantes tiveram a opção de escolher qual de duas séries selecionadas aleatoriamente era a melhor em uma sequência de confrontos diretos. Combinamos os dados desses confrontos com as contagens de votos para criar esta lista das 100 melhores séries, escolhidas por nossos 516 votantes.

Este artigo foi originalmente publicado no The New York Times.

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