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Repórter especial de economia em Brasília

Repórter especial de economia em Brasília

Lula precisará dar forte guinada na economia para evitar que disparada do dólar vire uma recessão

Risco é de que piora financeira force o Banco Central a subir a taxa básica de juros

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Foto do autor Alvaro Gribel

O primeiro desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito após uma virada surpreendente neste domingo, 25, será evitar que a piora dos indicadores financeiros chegue à economia real. O dólar já está em forte alta no mercado futuro, assim como as taxas de juros, e os índices que simulam a Bolsa brasileira estão despencando.

Por ora, trata-se de uma forte correção no preço dos ativos por parte do mercado financeiro, que fez apostas altas na vitória do candidato do PL Flávio Bolsonaro. O problema é que isso pode impedir que o Banco Central continue o ciclo de queda dos juros, com risco até de alta da taxa Selic em um cenário de degradação ainda maior das expectativas. Isso colocaria o Brasil muito próximo de uma recessão, já que os sinais de desaceleração do PIB estão cada vez mais claros.

Lula precisará dar forte guinada na economia para evitar que disparada do dólar vire uma recessão Foto: Miguel Schincariol/AFP

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Lula precisa dar sinais fortes sobre o ajuste fiscal, e isso vai muito além da indicação dos nomes para a equipe econômica. Essa garantia de que o governo vai conseguir conter a disparada da dívida pública terá de vir do próprio presidente. Ainda assim, os nomes-chave para a Fazenda e o Planejamento serão acompanhados por por lupa pelo mercado financeiro.

Um nome que cresce na bolsa de apostas é o do vice-presidente Geraldo Alckmin, que tem boa interlocução com os investidores. Foi por duas vezes governador de São Paulo e é considerado um tucano histórico. Outro nome que seria bem visto é o de Gabriel Galípolo, que ganhou credibilidade à frente do Banco Central. A saída de Galípolo, contudo, abriria o problema de o presidente ter de indicar um outro nome para comandar a política monetária, e o BC já tem duas diretorias vagas.

A manutenção de Dario Durigan, na Fazenda, e Bruno Moretti, no Planejamento, seria vista como continuidade da política econômica atual, o que tende a dificultar essa reversão das expectativas. Ambos sabem o que precisa ser feito para ajustar as contas públicas, mas esbarram na vontade de Lula e não demonstram capacidade para convencer o presidente a mudar de rota.

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Lula fez muitas promessas populistas na economia durante a campanha e terá de saber conduzir a frustração dos seus eleitores. Se escolher seguir por esse caminho e dobrar a posta na agenda de gastos, colocará o País à beira de um precipício econômico.

O seu terceiro mandato começou errado, com aumento de gastos pela PEC da Transição. Resta saber se ele vai repetir agora que ganhou uma outra chance.

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Opinião por Alvaro Gribel

Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.