Investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN educação para negócios. Nova coluna toda quarta-feira

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O governo abriu R$ 18,5 bilhões para quem foi atingido pelo tarifaço. O seu negócio está na fila?

Brasil Soberano 3 existe, mas entender o que ele cobre, como acessar e o que fazer enquanto o crédito não chega é o que vai separar quem sobrevive de quem não sobrevive

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Foto do autor Camila Farani

EUA colocam novas tarifas sobre o Brasil

Tarifaço ganha tom político e tem minado comércio entre os dois países.

Quando a notícia da tarifa americana sobre produtos brasileiros chegou, muita empresa ficou paralisada, esperando o governo fazer alguma coisa. O governo fez. Lançou o Brasil Soberano 3, com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para setores afetados pelo tarifaço e por conflitos geopolíticos. O número é grande. O programa existe. O crédito tem fila. E fila, no Brasil, tem prazo e burocracia que nenhum anúncio oficial menciona no comunicado de lançamento.

O contexto que precede esse programa ajuda a entender a urgência. O tarifaço de 25% passou a atingir bens brasileiros a partir de 22 de julho, com alguns setores isentos, como aeronaves civis, energia, suco de laranja e celulose. O tarifaço alcança aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a quase US$ 7,5 bilhões em vendas anuais. Para colocar esse número em escala humana: US$ 7,5 bilhões é mais do que o PIB de vários Estados brasileiros. E é dinheiro que vai parar de entrar no caixa de empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente Lula, a ministra Miriam Belchior e o ministro Marcio Rosa, durante lançamento do Brasil Soberano 3 Foto: Wilton Junior/Estadão

O Brasil Soberano 3 foi montado para esse cenário. O orçamento total do programa é de R$ 18,5 bilhões, com R$ 13,5 bilhões vindos do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões aportados pelo BNDES. Apenas na segunda fase do programa, chegaram R$ 19,5 bilhões em pedidos de financiamento. Isso significa que a demanda poderá ser maior que a oferta. E, quando a demanda é maior que a oferta em programa de crédito, quem chegou primeiro leva. Quem chegou depois espera uma nova rodada.

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O gestor de uma rede de calçados com exportação para os EUA, representando 35% da receita, que acompanho de perto, tomou uma decisão que me parece a mais sensata diante desse cenário: não esperou o programa para agir. Usou o período entre o anúncio do tarifaço e a entrada em vigor para acelerar negociações com distribuidores no México e no Canadá. O Brasil Soberano 3 virou complemento, não solução. Crédito subsidiado ajuda a atravessar o período de ajuste. Não substitui o cliente americano que vai comparar preço.

O que o programa oferece na prática são três tipos de apoio. Crédito subsidiado para capital de giro de empresas exportadoras afetadas. Garantias para financiamentos em condições melhores do que as do mercado. E possibilidade de redução de juros e aumento de prazo de carência nas operações já em andamento. O governo estuda ainda a redução das taxas de juros e o aumento do prazo de carência para os financiamentos, o que pode tornar o programa mais acessível para empresas de menor porte que têm dificuldade de cumprir as exigências atuais.

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Opinião por Camila Farani

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