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Tratativas com credores da Eletronuclear são principal trava para avanço de Angra 3

Negociação é desdobramento da mudança acionária na estatal; Áxia saiu e Âmbar entrou

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Angra 3 começou a ser construída em 1981; as obras estão paralisadas e ainda vão exigir R$ 23 bilhões em investimentos Foto: Divulgação/Eletronuclear - 13/05/2021

A principal trava para a decisão sobre Angra 3 dentro do governo está no desdobramento da mudança acionária da Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas. O trâmite com a saída da Axia Energia e a entrada da Âmbar Energia já foi formalizado. Porém, segue no limbo a discussão com credores da dívida da Eletronuclear, conforme apurou a Coluna.

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Ou seja, as empresas com as quais a Eletronuclear tem dívida precisam aceitar as contrapartidas que a nova acionista está dando para o equacionamento do débito. Isso não tem prazo para ser concluído. Em paralelo, se a União tomar uma decisão sobre a retomada de Angra 3, sem resolver o impasse, o novo parceiro acionista fica desobrigado em relação ao projeto.

A tendência segue sendo a continuidade das obras da terceira usina nuclear em Angra dos Reis (RJ), embora, até agora, o acordo fechado sobre a Axia lá em 2025 esteja “impedindo uma decisão”, declarou uma fonte de alto escalão no governo. “Estamos estudando tomar uma decisão independente desse processo”, disse a fonte.

O acordo firmado entre a Eletrobras (atual Axia Energia) e a União foi validado no fim de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os termos facilitaram a consolidação da venda da participação da Axia na Eletronuclear.

TCU mandou governo decidir em 240 dias

Na semana passada, após uma série de alertas, o Tribunal de Contas da União (TCU) obrigou o governo a decidir sobre o futuro da Usina Nuclear Angra 3 em um prazo de até 240 dias. A Corte de Contas já tinha apontado prejuízos com a demora, incluindo duras críticas ao governo federal pela indefinição.

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No entendimento de técnicos do governo, defensores do projeto, há comando legal para a continuidade. Em lei de 2021, está previsto que compete ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizar a outorga de autorização para a exploração da usina termelétrica nuclear Angra 3.

A lei cita expressamente a celebração do contrato de comercialização da energia elétrica produzida pela usina termelétrica nuclear Angra 3. Entre 2024 e meados de 2026, a indefinição sobre Angra 3 gerou gastos de R$ 2,5 bilhões para a Eletronuclear. Além disso, a estatal registrou, em 2025, prejuízo líquido de R$ 142 milhões e dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões.

Angra 3 começou a ser construída em 1981, ainda no regime militar. Cerca de 65% do projeto já foi executado e o seu término ainda irá exigir R$ 23 bilhões em investimentos, segundo estudo do BNDES, incluindo o financiamento da obra, compra de equipamentos e contratação de serviços especializados de engenharia.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 27/10/2026, às 10:00

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