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Bastidores do mundo dos negócios

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St. Marche foca em recuperação operacional para buscar sócio ou fusão

Rede de supermercados entrou com pedido de recuperação extrajudicial na semana passada

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Dívidas da empresa chegam a R$ 528 milhões Foto: Valéria Gonçalvez/Estadão - 25/09/2020

A rede de supermercados St. Marche, que entrou na semana passada com pedido de recuperação extrajudicial, com dívidas de R$ 528 milhões, já contempla em seus planos a venda de parte ou do total da empresa e até mesmo uma fusão com outra varejista, disse à Coluna o fundador e CEO do grupo, Bernardo Ouro Preto.

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O executivo acrescentou que neste momento o foco da companhia é obter a homologação do plano, reestruturar as dívidas e estabilizar a operação. O pedido de recuperação extrajudicial (RE) foi entregue à Justiça com a adesão de 53,8% dos credores, o que equivale ao crédito de R$ 284,3 milhões de um fundo do BTG Pactual. Esse porcentual é mais que suficiente para a homologação do plano, que, segundo a legislação, exige adesão de 50% mais um.

Os demais credores serão arrastados a aderirem ao plano. Depois do BTG Pactual, os maiores credores são detentores de R$ 185,1 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e o Banco do Brasil, com R$ 23,5 milhões. St. Marche ainda negociou R$ 50 milhões em dívidas financeiras que estão fora da RE, entre elas com o Santander.

Da dívida total de R$ 528 milhões, 25% serão pagos em 7 anos, com carência de 5 anos e remuneração de CDI mais 2%. Já 75% serão pagos em 30 anos, corrigidos pela TR ou no máximo 1% ao ano, uma espécie de “haircut”, ou desconto no valor da dívida.

Novo empréstimo

O plano prevê um empréstimo DIP (Debtor in Possession, voltado para empresas com problemas financeiros), que pode chegar a R$ 127 milhões e garante aos que se dispuserem a aportar novos valores o recebimento dos recursos em nove meses e antes dos outros credores. Esse prazo pode ser prorrogado por mais três meses se um evento de liquidez, como a venda do grupo, estiver sendo negociado.

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A primeira parte dos desembolsos do DIP deve acontecer já nos próximos dias e será de R$ 44,7 milhões, vindos do fundo L Catterton, que tem 70% do capital do grupo, no qual investiu em 2016. “Essa primeira tranche vai ajudar a normalizar as operações da empresa”, disse Ouro Preto. A rede de supermercados precisa reequilibrar estoques e pagar fornecedores em atraso.

“Sofremos muito nos últimos seis meses. Estávamos crescendo, em janeiro e fevereiro deste ano zerou o crescimento e em março e abril ficamos no negativo. O foco agora é voltar à vida normal e entregar resultados de novo”, disse o fundador da rede de supermercados. Só a partir da recuperação do resultado operacional é que fará sentido pensar na venda, acrescenta.

A segunda parte do empréstimo, de mesmo valor, virá do BTG e será liberada após a homologação do plano. Por participar do DIP, o banco receberá títulos que darão direito a converter esse valor em ações do St. Marche em um evento de venda ou fusão do grupo.

Já a terceira parte, também de R$ 44,7 milhões, dependerá do apetite dos demais credores, que terão o incentivo de também receberem títulos conversíveis em ações do grupo no caso de venda ou fusão, além do recebimento antecipado de seus créditos.

Expansão em cheque

Com seus negócios entre os que mais cresceram durante a pandemia de covid -19, o St. Marche resolveu expandir sua rede de 21 para 32 lojas e buscou a Bolsa para financiar esse crescimento, conta Ouro Preto. Em 2021, a rede de supermercados contratou os bancos de investimento Itaú BBA, BTG Pactual e Santander para fazer sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) na B3. Chegou a realizar uma série de apresentações a investidores, mas em setembro daquele ano o mercado se fechou e a solução foi recorrer a bancos para financiar o movimento, uma vez que os contratos de locação das novas lojas já estavam fechados. Nesse momento entra o BTG Pactual, que ofereceu capital à rede.

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Além da frustração na Bolsa, outro imprevisto foi a mudança de direção dos juros no ano passado, encarecendo o custo das dívidas. “Nosso Ebtida (resultado operacional) cresceu 46% no primeiro semestre do ano passado frente ao mesmo período do ano anterior, mas o juro consumiu todo o nosso fluxo de caixa livre”, afirma Ouro Preto. Ele lembrou ainda que lojas recém abertas levam em média dois anos para dar retorno, ainda que, ao contrário de outros varejistas de seu segmento, a rede St. Marche tenha margens acima de 10%.

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Para contornar este desequilíbrio, a rede tentou levantar de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões em capital em meados do ano passado, sob assessoria da Vinci Partners. Ouro Preto conta que recebeu três propostas não vinculantes de fundos de private equity (especializados em comprar participação em empresas).

Mas com a crise do final do ano, com forte estresse no mercado financeiro por conta de preocupação com situação fiscal do Brasil, que levou o dólar a superar R$ 6,00, os fundos preferiram esperar um melhor momento. Nesse ambiente e com os juros em alta, a situação financeira da empresa piorou no começo de 2025. “Nosso plano não era reestruturar a dívida, mas o mercado se fechou e, já que não tínhamos a possibilidade de reforçar o capital, partimos para aliviar a pressão financeira”, explica.

Histórico

Com o plano de reestruturação em andamento, a expectativa de Ouro Preto é que este ano o faturamento deve ficar no mesmo nível do ano passado, de R$ 1,3 bilhão. Criado em 2002 por Ouro Preto, o St. Marche faturou R$ 6 milhões naquele ano. Em 2010, o faturamento chegou a R$ 100 milhões. Em 2016, o fundo L Catterton entrou e o grupo faturou R$ 500 milhões, número que em 2024 subiu para R$ 1,3 bilhão.

Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 17/04/2025, às 15:23.

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