Ex-sócio do Master diz que Vorcaro tinha 'pleno conhecimento' sobre estrutura de consignados
Augusto Lima disse à PF discordar de depoimento de Vorcaro no qual ele disse que o antigo sócio era o responsável pelo Credcesta. Crédito: Augusto Lima
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BRASÍLIA - Ex-sócio do Banco Master, o empresário Augusto Lima afirmou em depoimento à Polícia Federal que não era o único responsável pelas carteiras de consignados da instituição financeira e que Daniel Vorcaro “tinha pleno conhecimento” delas.
Lima fez a declaração aos policiais, em depoimento do dia 15 de outubro, para rebater o que classificou como informação não verdadeira prestada por Vorcaro em um depoimento anterior.

“Me causa muita dificuldade quando o Daniel vem dar um depoimento e diz o seguinte: ‘Eu não conheço nada de consignado, quem conhecia era Augusto’. Ou seja, o banco vive de 2019 até 2024, 2025, de consignado, geração de receita, recorrência. É estranho quando se fala que não se conhece consignado”, disse.
O principal consignado operado pelo Banco Master era o Credcesta, que acumula milhares de processos judiciais sobre casos de juros abusivos e de servidores alegando terem sido descontados sem terem contratado empréstimos.
“Pelo que está no próprio inquérito de forma objetiva, ele em alguns momentos fala, ‘diga que tirou do fundo’, ‘diga que comprou uma carteira’, ‘troque isso aqui’, ‘faça aquilo outro’. Isso no final do dia mostra que ele tinha pleno conhecimento do que era consignado, tá certo?”, afirmou Lima.
O Credcesta foi criado na Bahia em 2018 com apoio de Augusto Lima e funcionava como uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de funcionários públicos. Lima conseguiu que o governo da Bahia liberasse a modalidade. Mais tarde, alavancado pelo Master, chegou a 24 Estados.
Com o Credcesta, o Master ganhava não apenas com os juros cobrados. O banco vendia as carteiras de crédito consignado para outros bancos e fundos de investimento. Esse sistema ajudou o Master a alegar um crescimento acelerado.
Em depoimento prestado à PF em dezembro, Vorcaro afirmou ter conhecimento somente das operações gerais do consignado e que “não entrava nos detalhes”.
“Foi criada uma equipe, na época trazida pelo meu ex-sócio, que era o Augusto Lima, e ele formou uma equipe lá dentro do banco para poder fazer essas originações desses créditos”, disse.






