Fux pede manifestações em ação do DF que quer obrigar União a dar garantia a empréstimo para BRB

Ministro deu prazo sucessivo de 15 dias para que AGU, Banco Central e FGC se manifestem

PUBLICIDADE

Foto do autor Lavínia  Kaucz

Fux pediu que crise do BRB fosse solucionada 'o quanto antes' por impacto no Judiciário

Dario Durigan diz que há 'interesse público vinculado à eventual quebra do banco' após prejuízos deixados pelo Master. Crédito: Imagens: Isabella Almada e Rafael Andrade/ Edição: Andressa Brito

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

O ministro Luiz Fux, do STF, intimou a AGU, o Banco Central e o FGC a se manifestarem sobre a ação do governo do DF que busca garantir um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB. A União já declarou que não será garantidora. O DF alega risco de perda de R$ 395 milhões mensais em depósitos judiciais. O BRB enfrenta dificuldades financeiras após comprar créditos podres. O Tesouro manteve a nota 'C' de Capacidade de Pagamento do DF, impedindo aval federal em financiamentos.

BRASÍLIA - O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou a Advocacia-Geral da União (AGU), o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para que se manifestem sobre a ação do governo do Distrito Federal (DF) que quer obrigar a União a conceder garantia para o empréstimo ao Banco de Brasília (BRB).

Ele fixou prazo sucessivo de 15 dias para cada ente. Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá emitir seu parecer. No despacho, publicado nesta quarta-feira, 9, Fux citou a “complexidade e as peculiaridades envolvidas” no pedido do DF.

Em seu despacho, Fux citou a 'complexidade e as peculiaridades envolvidas' no pedido do DF Foto: Gustavo Moreno/STF

PUBLICIDADE

A ação foi movida após a falta de avanço no acordo que previa um empréstimo ao DF de R$ 6,6 bilhões com o FGC para capitalizar o banco. A costura previa a garantia dos grandes bancos, que resistem ao desenho homologado pelo Supremo. A União, por sua vez, já declarou que não será garantidora da operação.

Na petição, o DF disse que o avanço no acordo depende da União, do Banco Central e do FGC. O argumento para pedir uma liminar ao Supremo é que, diante do impasse, há risco de perda de cerca de R$ 395 milhões mensais em depósitos judiciais, com “impacto grave, imediato e substancial” à liquidez do BRB.

No mês passado, Fux determinou que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) renove, por 90 dias, o contrato para a transferência de R$ 395 milhões em depósitos judiciais mensais para o BRB. Ele condicionou a eficácia da liminar ao avanço das tratativas para o empréstimo.

“A inércia deles compromete não apenas a operação, mas o próprio pressuposto de subsistência da medida que hoje impede a migração dos depósitos judiciais. O prazo de noventa dias é o horizonte real desta demanda, e dentro dele nenhuma providência extrajudicial produz a estrutura de garantia”, afirmou o DF na ação.

Publicidade

O BRB não divulga balanço há mais de um ano, depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Banco Master. Extraoficialmente, o banco já estaria com patrimônio negativo, o que poderia levar à sua liquidação pelo Banco Central. Tanto Daniel Vorcaro, dono do Master, quanto Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, estão presos por determinação do STF e aguardam julgamento.

Como o Estadão revelou, o Tesouro manteve a nota “C” de Capacidade de Pagamento (Capag) para o Distrito Federal, impedindo aval do governo federal em financiamentos. A poupança corrente é um dos indicadores que puxou a avaliação do DF para baixo pelo segundo ano consecutivo.

Além disso, o governo do DF mudou a classificação de algumas despesas do orçamento para aumentar sua capacidade de pagamento. A manobra é questionada pela Consultoria Legislativa da Câmara do Distrito Federal. A Secretaria de Economia do DF defendeu a mudança e afirmou que a reclassificação foi feita para atender a natureza dos gastos.

Vale ler também
Roberto Waack
Ouvir pecuaristas é fundamental para a segurança alimentar, climática e da natureza
Duquesa de Tax
Com CBS de 11,3%, Brasil caminha para ter o maior IVA do mundo
Coluna da Broadcast
Vivo negocia compra da Vero, provedora de banda larga

Publicidade