Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles
Crédito: Larissa Burchard/Laís Nagayama
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RIO E SÃO PAULO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro, após ter subido 0,70% em setembro, informou nesta sexta-feira, 23, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,37%, com teto de avanço de 0,50% e mediana positiva de 0,44%.
Com o resultado, o IPCA-15 acumulou um aumento de 4,15% no ano. A taxa em 12 meses ficou em 4,62%, abaixo da mediana das projeções (+4,74%), com estimativas que iam de 4,47% a 4,81%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados no IPCA-15, oito tiveram alta em outubro. A principal pressão veio do grupo de alimentação e bebidas, que registrou a maior variação e o maior impacto no índice (0,88% e 0,19 ponto porcentual).
A alimentação no domicílio (1,01%) acelerou em relação ao mês anterior (0,38%), puxada pelo comportamento de preços do tomate (24,54%), da cebola (13,63%), da batata-inglesa (10,96%) e do arroz (5,80%). Por outro lado, destacaram-se os recuos da cenoura (-10,67%), das frutas (-1,37%) e do café moído (-1,16%).
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A alimentação fora do domicílio também acelerou na passagem de setembro (0,44%) para outubro (0,56%), em virtude das altas da refeição (de 0,38% para 0,61%) e do lanche (de 0,44% para 0,66%).
Em despesas pessoais (0,55%), os destaques foram os subitens cinema, teatro e concertos (4,30%), pacote turístico (2,18%) e empregado doméstico (0,62%).
No grupo de transportes (0,05%), o resultado foi influenciado principalmente pelos combustíveis, que saíram de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro. O óleo diesel (3,70%), o etanol (2,73%) e a gasolina (0,92%) apresentaram altas, enquanto o gás veicular teve queda de 0,18%. Com o recuo de 9,24%, o subitem passagens aéreas apresentou o principal impacto negativo no mês (-0,08 p.p.).
No grupo de habitação, que recuou de 2,07% para -0,10% na passagem de setembro para outubro, a principal contribuição negativa veio da energia elétrica residencial, que passou de 7,42% para -0,89%, com a mudança da bandeira tarifária de amarela (com a cobrança de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos) para verde, sem cobrança adicional para os consumidores. Também tiveram aumentos os subitens gás de botijão (1,28%) e aluguel residencial (0,28%).
Quanto aos índices regionais, 10 das 11 áreas de abrangência tiveram alta em outubro. A maior variação foi observada em Belém (0,76%), por conta das altas do tomate (17,55%) e da energia elétrica residencial (3,71%). Já o menor resultado ocorreu em Curitiba (-0,27%), que registrou queda nos preços das passagens aéreas (-11,58%) e da taxa de água e esgoto (-8,05%).
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de setembro a 14 de outubro de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 15 de agosto a 15 de setembro de 2026 (base).
Quadro qualitativo ainda preocupa
Apesar do resultado abaixo do esperado do IPCA-15 de outubro, o quadro qualitativo da inflação segue preocupante, na avaliação do economista do Banco BV Carlos Lopes. Na leitura do BV, a composição do índice veio, em linhas gerais, dentro do previsto, com destaque para a pressão em alimentação e bebidas (0,88%), disseminada entre itens e associada a questões de oferta e aos efeitos do El Niño.
Em habitação, destaca, houve queda de 0,10%, puxada pela bandeira tarifária verde na energia elétrica, enquanto a principal surpresa ficou em transportes, com reajustes de transporte público abaixo do esperado.
Ainda assim, Lopes avalia que, olhando um horizonte mais amplo, a dinâmica recente segue desfavorável: a inflação de preços livres acumula alta de 4,83% em 12 meses e, na métrica dos últimos três meses com ajuste sazonal e anualização, o ritmo se aproxima de 6%, com pressão disseminada em alimentação, serviços e bens industriais.
“Os principais grupos de preços livres, mais sensíveis às condições da atividade econômica, continuam apresentando inflação pressionada. Além disso, o comportamento dos preços nos últimos três meses é pior do que o observado no acumulado de 12 meses, o que reforça a necessidade de atenção ao cenário inflacionário”, alerta.
Para o economista sênior do Inter, André Valério, o IPCA-15 de outubro não muda o diagnóstico para a inflação no curto prazo. Segundo ele, o País está entrando em um período de sazonalidade mais desfavorável, com tendência de leituras mais pressionadas, especialmente por alimentos, o que deve manter os próximos resultados acima do padrão observado em meses anteriores.
Na leitura do economista, a dinâmica recente segue concentrada em itens mais voláteis e sazonalmente sensíveis, com destaque para a alimentação no domicílio, que costuma ganhar força nesta época do ano. Ele também observa que, apesar de algum alívio pontual em componentes de serviços, o quadro subjacente ainda pede atenção, com sinais de maior espalhamento da inflação, o que acende alerta caso a perda de tração não se reverta nas próximas divulgações.
Ainda assim, Valério afirma que não vê, por ora, uma aceleração significativa e persistente do processo inflacionário à frente. “Não esperamos que isso se traduza em uma aceleração significativa do processo inflacionário, tendo em vista o comportamento da atividade, que segue desacelerando, o que diminui a chance de contágio do restante do índice”, afirma.
Com isso, o Inter preserva o cenário-base de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, embora reconheça que a volatilidade de juros e câmbio no período eleitoral pode levar o Copom a uma postura mais cautelosa no curto prazo./Com Gabriela Jucá e Letícia Correia




