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RIO - O Rio de Janeiro vai ganhar um segundo polo petroquímico com a volta indireta da Petrobras ao setor, por meio da Braskem, que investirá US$ 800 milhões para aproveitar o excedente de etano produzido na Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Complexo de Energias Boaventura (ex-Comperj).
O objetivo é produzir entre 300 mil e 400 mil toneladas por ano de polietileno, matéria-prima para a indústria plástica, apurou o Estadão/Broadcast. Além disso, a Petrobras investe na ampliação da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e no próprio Boaventura.
O anúncio dos investimentos, considerados estruturantes e que somam R$ 33 bilhões, ocorrerá logo após as comemorações do primeiro ano da gestão Magda Chambriard e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima sexta-feira, 4.
Será a terceira visita à cidade em menos de um ano do chefe do governo para prestigiar a estatal. Um dia antes, Magda reunirá a imprensa para explicar o projeto, que vai aproveitar o rico gás natural do pré-sal que chega à UPGN (21 milhões de metros cúbicos diários), de onde será retirado o etano, importante matéria-prima para a indústria petroquímica a partir do gás natural, e que será adquirido pela Braskem.

Os projetos preveem aportes para aumento da produção, com foco em produtos renováveis, e ganho de eficiência energética nas plantas da Petrobras na Reduc e no Boaventura, além da unidade da Braskem, também em Duque de Caxias.
A expectativa é de que as iniciativas tenham potencial para gerar mais de 38 mil empregos diretos e indiretos, informou a estatal.
Segundo pessoas a par do assunto, o novo polo petroquímico liderado pela Braskem deverá ter metade do tamanho do primeiro, localizado em Campos Elíseos,
Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, mas vai gerar milhares de empregos e produzir polietileno, o que poderá também alavancar a indústria plástica do País. Substituindo a nafta pelo gás natural, a planta ganha mais eficiência energética e fica menos poluente.
Em setembro passado, também em visita de Lula, Magda já havia anunciado R$ 20 bilhões para a ampliação do Complexo Boaventura e da Reduc. O antigo Comperj foi criado no primeiro mandato de Lula e tinha por objetivo atrair empresas petroquímicas para Itaboraí, município fluminense.
Foi também um dos símbolos da Operação Lava Jato e ficou paralisado por anos. Na gestão do ex-presidente da estatal Roberto Castelo Branco, no governo Bolsonaro, o nome foi mudado para Gaslub, numa tentativa de resgatar a vocação para lubrificantes da planta, mas o projeto não saiu do papel.
Agora, rebatizado de Complexo de Energias Boaventura, a Petrobras pretende produzir combustíveis com baixo teor de enxofre e lubrificantes do grupo II (mais refinados).
Entre os investimentos planejados no Boaventura, duas termoelétricas — uma de 600 megawatts (MW) e outra de 1,2 gigawatts (GW) — dependem da realização do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), ainda sem data prevista.
Já na Reduc, o plano é ampliar a produção, principalmente de diesel S-10, mas também de lubrificantes. De acordo com o Plano de Negócios da estatal para o período 2025 a 2029, a capacidade de refino da empresa vai subir de 1,813 milhão de barris por dia (bpd) para 2,105 milhões de bpd.
O plano está em plena revisão para 2026-2030 e poderá trazer mais investimentos para o setor, segundo pessoas a par do assunto consultadas pelo Estadão/Broadcast.
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Pelo plano atual, a ideia é produzir 12 mil barris por dia de óleos lubrificantes do grupo II; 75 mil barris por dia de diesel S-10; e 20 mil barris por dia de querosene de aviação de baixo teor de enxofre.
Para isso, serão construídas unidades de Hidrocraqueamento Catalítico (HCC), de Hidrotratamento (HDT), de Desparafinação por Isomerização por Hidrogênio (HIDW), além de unidades auxiliares, utilidades e off-sites (extramuros).

