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Pátria investe US$ 1 bi em nova empresa de data centers para atender big techs na era da IA

A empresa havia deixado o segmento em 2022 e agora volta ao negócio para aproveitar aumento da demanda por processamento computacional; País tem potencial para ser um hub global de data centers, segundo especialistas

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Foto do autor Lucas Agrela
Atualização:

O Pátria Investimentos vai voltar ao segmento de data centers com uma nova empresa chamada Omnia e investimento previsto de US$ 1 bilhão. Os espaços serão criados no Brasil, no Chile e no México para atender à demanda por capacidade computacional gerada por tendências como a inteligência artificial (IA) e a computação em nuvem.

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O fundo já atuou nessa área de 2015 a 2022, mas vendeu o negócio da companhia chamada Odata para a americana Aligned Data Centers há dois anos e meio, por uma cifra bilionária, embora o valor não tenha sido revelado. O negócio foi fechado pouco antes do ChatGPT, da Open AI, ganhar os holofotes no mercado mundial de tecnologia.

A Omnia será liderada por Rodrigo Abreu, ex-CEO das operadoras de telefonia Oi e TIM. O executivo conta que o País tem potencial para ser um mercado relevante no cenário global de data centers, uma vez que a localização deles não é tão importante para a IA quanto para jogos ou outras aplicações.

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Além disso, o mercado brasileiro tem uma vantagem competitiva devido à sua matriz energética. Os novos data centers serão abastecidos com energia renovável, o que reduz as preocupações ambientais normalmente associadas ao setor e atrai as grandes contratantes de tecnologia. A energia usada será, na maior parte, eólica, mas complementada por solar.

“Do ponto de vista de energia, um empreendimento de 100 MW consome o equivalente a uma cidade entre 100 mil a 150 mil habitantes”, diz Abreu. No consumo de água, o executivo estima que o uso seria o suficiente para abastecer uma cidade de 50 mil habitantes. Por isso, os data centers terão um sistema fechado de resfriamento, que faz a água circular pelo espaço, ser resfriada novamente e reaproveitada.

O Pátria tem mais de US$ 30 bilhões em ativos sob gestão e tem captado investimentos para seu fundo de infraestrutura junto a investidores locais e estrangeiros, na Alemanha e nos Estados Unidos.

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De acordo com Abreu, a Omnia terá uma ordem de magnitude muito maior do que a experiência anterior do Patria com a Odata, que tinha cerca de 45 megawatts (MW) operacionais quando foi vendida.

Os projetos de grande porte da nova empresa exigirão investimentos significativos. Pela métrica global padrão de cerca de US$ 10 milhões em investimento de capital (capex) para cada megawatt de data center, conta Abreu, os projetos de 100 MW ou mais exigirão investimentos a partir da ordem de US$ 1 bilhão, cifra que será investida pela empresa em aproximadamente 18 meses.

Rodrigo Abreu, sócio do Pátria Investimentos, foi presidente da operadora Oi Foto: Divulgação/Pátria Investimentos

A maior parte do capital será investida na criação dos espaços que abrigarão os racks das empresas de tecnologia que irão alugar a capacidade dos data centers. Apesar de não informar com quais clientes o Pátria tem negócios, Abreu confirma que os grandes contratantes do mercado são as big techs. Isso limita o rol de clientes a nomes como Alphabet (Google), Apple, Amazon, Microsoft, Meta e Open AI.

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Os imóveis que abrigam data centers contam com uma estrutura energética complexa para abastecer todos os servidores, mas também utilizam, tipicamente, grande volume de água para resfriar os equipamentos que funcionam sem parar. A depender da densidade energética dos imóveis, eles podem precisar ter entre 50 mil metros quadrados e 110 mil metros quadrados para gerar a capacidade de 100 MW, diz Abreu.

A localização dos novos espaços no País não foi definida. Em São Paulo, a maior concentração de data centers é no trajeto entre a capital e Campinas.

Apesar de o governo federal preparar um plano para atrair investimentos no segmento de data centers no País, Abreu afirma que o projeto da Omnia nasceu antes disso, mas diz que o projeto melhora as condições para a nova empreitada.

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“Começamos a desenvolver a iniciativa de data center e a trabalhar na criação da Omnia antes mesmo desse anúncio ou dessa possibilidade acontecer. Então, ela é obviamente bem-vinda, mas é um investimento no qual nós já acreditávamos que tinha todos os fundamentos para acontecer por aqui, em função das características de energia, de acesso global, de capacidade e de energia renovável”, afirma.

Abreu aponta ainda que o Brasil está bem posicionado no contexto geopolítico mundial, especialmente considerando o aumento nas tensões entre países, como Estados Unidos e China.

O gerente de data center solutions da consultoria imobiliária CBRE para América Latina, Alison Takano, confirma que o mercado brasileiro tem potencial enorme para se consolidar como um dos principais hubs de data centers no mundo.

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“Somos o maior mercado da América Latina em termos de população, digitalização e base de consumidores online − o que naturalmente atrai investimentos em infraestrutura digital. O que falta é acelerar a modernização regulatória, ampliar os incentivos fiscais, como o que foi divulgado pelo ministro Fernando Haddad durante evento nos Estados Unidos, e garantir maior previsibilidade e investimento em infraestrutura de transmissão energética”, afirma Takano.

O especialista conta que, além da IA, o aumento da adoção da internet 5G e de computação em nuvem por empresas, bem como a crescente demanda por streaming de vídeo e áudio, impulsionam mundialmente a necessidade de data centers.

“Ou seja, estamos diante de uma combinação de fatores tecnológicos que ampliam a necessidade por data centers, com a IA como principal acelerador, mas dentro de um ecossistema mais amplo de transformação digital”, diz.

Segundo dados da CBRE, o mercado de data centers na América Latina começou em 2024 com um estoque de 800 MW, concentrado principalmente no Brasil, Chile, México e Colômbia.

Durante o ano, houve um acréscimo de 70 MW, um crescimento de 7,7%, com a maior parte dessa expansão ocorrendo no Brasil, que alcançou 595 MW de capacidade, 85% dos quais em São Paulo. No começo deste ano, o estoque total na região chegou a 877 MW, com previsões de adicionar mais 340 MW ao longo do ano, conforme estimativas da CBRE.

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Uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey mostra que os investimentos em data centers precisarão de US$ 6,7 trilhões até 2030 para atender à demanda global por poder de processamento computacional. Desse montante, US$ 5,2 trilhões serão destinados para data centers dedicados a lidar com cargas de inteligência artificial. Os restantes US$ 1,5 trilhão devem ser utilizados para atender o uso de aplicações de TI tradicionais.

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