Startup do fundador da OLX aposta em IA para facilitar locação de imóveis e desafiar QuintoAndar

Chamada Cazia, a companhia usará inteligência artificial para agilizar o processo de locação de imóveis e trazer mais receita para imobiliárias; entenda

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Foto do autor Lucas Agrela
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

Andries Oudshoorn, fundador da OLX, deixou a empresa em 2023 e, após um tempo velejando por mais 25 países, acaba de apresentar sua nova aposta no setor imobiliário: a startup chamada Cazia. O nome é uma combinação de “casa” e “inteligência artificial” (IA) e surgiu a partir da proposta de melhorar a experiência de locação de imóveis para as imobiliárias no País.

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Oudshoorn conta que a área não é a prioridade de muitas imobiliárias no País por gerar um valor menor em relação ao de comissão de vendas de imóveis. A praxe do mercado é ficar com o primeiro aluguel e com 12% dos demais. A proposta da startup é utilizar IA para acelerar o processo de atendimento, trazendo mais receita para as imobiliárias, e dependendo menos dos corretores de imóveis nessa modalidade.

Os portais do Grupo OLX (Zap, Viva Real, OLX) são o principal canal de captação de clientes para a Cazia. Nesse caso, o serviço da startup será um elo complementar aos anúncios para conduzir toda a jornada até a assinatura do contrato. Para Oudshoorn, trata-se de um mercado gigantesco e ainda pouco digitalizado, em que proprietários enfrentam “dor de cabeça” por falta de priorização das imobiliárias.

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“Como são mais de 70 mil imobiliárias no Brasil, temos um potencial de crescimento incrível. Isso não é bom só para a imobiliária, mas também para os corretores de imóveis há um impacto social muito grande, porque eles só precisam fazer a parte mais simples do processo”, afirma Oudshoorn.

Andries Oudshoorn, CEO da startup Cazia , que atua na área de aluguéis Foto: Pedro Kirilos/Estadão

A Cazia iniciou suas operações no Rio de Janeiro, em parceria com a imobiliária Privilégio, e pretende escalar rapidamente para outras capitais brasileiras por meio de acordos locais. Atualmente, a maior parte dos imóveis sob gestão tem aluguéis entre R$ 3 mil e R$ 5 mil (sem considerar a taxa de condomínio), mas a plataforma aceita unidades de diferentes faixas de valor, incluindo alto padrão.

O movimento ocorre em um setor em que nomes como o do QuintoAndar e startups iniciantes vêm apostando em inteligência artificial para reduzir a burocracia e acelerar a assinatura de contratos. Recentemente, a plataforma imobiliária Loft também passou a exibir anúncios de imóveis para aluguel.

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A inteligência artificial é utilizada para avaliar imóveis, atender clientes interessados, agendar visitas, negociar contratos e até calcular a probabilidade de inadimplência de inquilinos. Em partes desses processos, a empresa usa agentes de IA, uma tendência no setor de tecnologia neste ano.

Esses agentes fazem tarefas que têm diferentes etapas, simulando, por exemplo, uma pesquisa aprofundada na internet ou uma revisão de vários documentos.

A parte operacional, como emissão de boletos, cobranças e resolução de problemas de manutenção, também é automatizada, com intervenção humana apenas em casos mais complexos.

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“Agora, o corretor só precisa captar imóveis e fazer visitas. Cuidamos de toda complexidade e a imobiliária vai ganhar uma receita recorrente mensal que é 100% de lucro, sem custo, sem risco”, afirma Oudshoorn.

A startup foi financiada apenas pelo empreendedor para validar a proposta de valor ao mercado. Agora, o plano é abrir uma rodada de investimento para ampliar a equipe de tecnologia e acelerar a expansão nacional e internacional.

Uma das apostas da Cazia para se diferenciar no mercado é a atuação na área de garantia de aluguel, divisão que o rival QuintoAndar descontinuou recentemente.

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A startup vai oferecer essa garantia junto a parceiros, como seguradoras. Nesse tipo de negócio, há uma taxa adicional para garantir a cobertura de períodos longos de inadimplência. A própria OLX também atua nessa frente, em parceria com a Creditas.

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Mais pessoas morando de aluguel

O mercado de aluguéis tem se tornado uma oportunidade para startups e empresas de tecnologia nos últimos anos. Com a elevação da taxa de juros, que impacta na taxa do financiamento imobiliário e adia o sonho da casa própria, e o efeito da inflação, mais pessoas têm recorrido ao aluguel como opção de moradia.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, o número de brasileiros vivendo de aluguel aumentou 45,4% nos últimos 8 anos. O número de pessoas morando de aluguel passou de 18,4% para 23% no mesmo período. O total de domicílios alugados em 2016 era de 12,3 milhões e subiu para 17,8 milhões no ano passado. Em 2016, 73% da população viviam em domicílios próprios (quitados ou financiados) contra 67,6% em 2024.

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