Como fazer a classe média ter mais filhos?
Queda de nascimentos deve mobilizar ações dos governos ou essa é uma discussão cultural fora da esfera pública?.
O Brasil registrou o menor número de nascimentos desde 1976. Com a transição demográfica, muitos governos ao redor do mundo têm questionado: como fazer a classe média ter mais filhos?
No programa Chama o Nery desta quinta-feira, 19, o colunista Pedro Fernando Nery questiona: os governos devem se envolver na questão do número de filhos ou essa é um discussão cultural fora do escopo público?
A queda da natalidade e o envelhecimento da população têm impactos na economia dos países, levantando preocupações sobre o efeito do menor número de jovens no mercado de trabalho, para fazer o país crescer, e também no financiamento das contas do Estado, sobretudo em relação à contribuição da Previdência Social.

Além dessas razões, já discutidas há tempos, Nery pontua que outro receio que vem despontando mais recentemente entre os economistas é o impacto da transição demográfica na inovação.
“O argumento aqui é de que menos pessoas nascendo significam chances menores de a gente ter pessoas muito talentosas, grandes inventores, empreendedores e pesquisadores nascendo; e que uma população menor dessas pessoas de altas habilidades interagindo com outras pessoas de altas habilidades poderia vir com uma queda expressiva no PIB”, explica Nery.
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Muitos países vêm adotando medidas para reverter a queda de nascimentos, como o caso emblemático da Hungria, que adotou isenção de Imposto de Renda para mães até 30 anos. A China relaxou a sua política do filho único para dois filhos e, mais recentemente, implementou uma política de três filhos.
No caso do Brasil, um estudo do Banco Central mostra que o principal motivo para a ausência de filhos nas famílias é a falta de moradia.
“Será que o govero brasileiro tem que entrar nessa questão, tentar afetar o número de nascimentos preocupado com o crescimento econômico do futuro, o crescimento de ideias e também de força de trabalho para financiar as contas públicas e para alavancar a atividade econômica ou não, esse é um assunto que deve ficar fora da esfera dos governos?”, questiona Nery.


