Home office ou 50% de aumento no salário para voltar ao escritório: o que os paulistas preferem?

Pesquisa da Data Tax entrevistou 1.565 candidatos ativos em todo o País, sendo 259 do Estado de São Paulo; veja qual a preferência dos candidatos

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Foto do autor Jayanne Rodrigues

O que é verdade e o que é mentira sobre a geração Z no trabalho

Letícia Pavim, cofundadora da Rede Pavim, ajuda chefes a lidar com a geração Z e no 'Estadão' desvenda os mitos sobre os jovens profissionais. Crédito: Bruno Nogueira/Larissa Burchard/Estadão

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Uma pesquisa da Data Tax revela que 84,7% dos profissionais paulistas preferem o modelo híbrido de trabalho, mesmo com uma oferta de salário 50% maior para o regime presencial. Em São Paulo, fatores como trânsito e qualidade de vida pesam mais que o ganho financeiro. Nacionalmente, 58% aceitam o presencial por mais salário. Luis Wulff, CEO do Tax Group, destaca a preferência por flexibilidade, especialmente entre jovens qualificados. O estudo reforça o híbrido como diferencial competitivo na atração de talentos.

Uma oferta de salário 50% maior não é suficiente para convencer a maioria dos profissionais paulistas a voltar ao escritório em tempo integral, afirma levantamento obtido com exclusividade pelo Estadão. A pesquisa da Data Tax, núcleo de inteligência de dados do Tax Group, identificou que 84,7% dos candidatos em São Paulo preferem permanecer em um modelo híbrido de trabalho. Apenas a minoria, um total de 15,3%, aceitaria migrar para o regime 100% presencial em troca do aumento salarial.

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O levantamento analisou uma base de 1.565 candidatos ativos em todo o País, sendo 259 do Estado de São Paulo. Os respondentes foram submetidos a um cenário hipotético no qual precisavam escolher entre uma vaga híbrida ou 100% presencial com remuneração 50% superior.

De acordo com Luis Wulff, CEO do Tax Group, São Paulo vive uma realidade distinta de outras regiões do Brasil em termos de modelo de trabalho. No cenário nacional, a maioria dos profissionais ouvidos pelo levantamento ainda opta pelo ganho financeiro: 58% dos profissionais aceitam o presencial em troca de 50% a mais de salário, enquanto 42% preferem manter o híbrido.

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“Em São Paulo, esse ponteiro se inverte. Essa diferença se explica pelas exigências diárias, que incluem trânsito intenso, rodízio veicular, grandes distâncias e horas perdidas no transporte”, afirma.

O levantamento dividiu os profissionais em dois perfis:

  • Perfil Presencial (orientado a ganhos): focado em ascensão rápida e resultados, este candidato está disposto a abrir mão da flexibilidade e aceitar um maior nível de exigência em troca do ganho financeiro;
  • Perfil Híbrido (orientado à autonomia): o candidato valoriza a qualidade de vida e a autonomia, recusando prêmios financeiros para evitar os custos invisíveis da presencialidade (como tempo, trânsito e energia mental).

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Qualidade de vida supera incentivo financeiro

De acordo com o levantamento, a qualidade de vida e a autonomia têm mais peso na balança do que a remuneração. “Eles colocam em primeiro lugar aspectos como o tempo de deslocamento e a convivência familiar”, ressalta Wulff.

Assim como outras pesquisas apontam, o grupo mais sujeito a abrir mão de um aumento salarial por flexibilidade está na casa dos 20 anos. A média de idade dos candidatos mapeados no levantamento é de 26,7 anos, com quase 6 anos de experiência de mercado e alta qualificação.

“Trata-se de um grupo com uma força de trabalho com maior casca operacional, que demonstra preferência pela flexibilidade e que entende que o custo invisível do deslocamento diário nem sempre compensa o ganho financeiro”, sugere o CEO. Ele acrescenta que os profissionais mais experientes tendem a avaliar uma vaga de forma mais ampla, levando em consideração outros aspectos que vão além do salário ofertado.

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Flexibilidade ainda é diferencial competitivo

Embora grandes empresas tenham intensificado políticas de retorno ao escritório nos últimos anos, algumas companhias, como Amazon, Google e Meta, anunciaram a ampliação da exigência de trabalho presencial para melhoria de colaboração e inovação entre as equipes no espaço físico. No entanto, conforme o levantamento, a preferência dos paulistas segue na direção oposta.

No ano passado, dados do CRBE mostravam que a ocupação presencial na capital paulista, por exemplo, chegou a 71% em 89% das empresas, um avanço em relação aos 83% de 2024 e aos 77% de 2023. O estudo sugeria uma consolidação do modelo de trabalho híbrido, com a maioria dos funcionários indo ao escritório de três a quatro vezes por semana.

Mas não há espaço para todo mundo. Dados da Robert Half revelam que as vagas 100% home office estão cada vez mais escassas no mercado brasileiro, já o híbrido ainda é mantido em muitas vagas no escritório.

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Avenida Faria Lima, centro de negócios da capital paulista que concentra oportunidades no mercado corporativo Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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O levantamento da Data Tax também endossa o formato híbrido como o modelo mais escolhido entre os profissionais paulistas e fator decisivo na atração de talentos, apesar de não contar com uma série histórica que permita verificar se essa preferência existia em anos anteriores.

“Este é o primeiro levantamento que realizamos com esse recorte específico entre ganho financeiro e modelo de trabalho, portanto não temos dados de anos anteriores. Sentimos a necessidade de aprofundar esse tema porque a disputa entre o retorno ao presencial e a busca por flexibilidade se tornou um fator importante na decisão dos profissionais”, avalia Wulff.

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