Balanço considerado fraco pelo mercado e ação pressionada: o que houve com o Santander no 2T26?

Banco registrou lucro líquido de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre, uma queda anual de 17,6%

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Santander: Citi vê pressão nas ações após balanço; Integral Group destaca higienização da carteira; Itaú BBA e BB-BI classificam resultado como "fraco".  Foto: REUTERS/Kacper Pempel

O Santander Brasil (SANB11) teve um segundo trimestre “fraco”, na visão do mercado, caracterizado pelo aumento nas despesas com provisões contra devedores duvidosos (PDD). Para a equipe de analistas do Citi liderada por Gustavo Schroden, a ação do banco deve ficar sob pressão no curto prazo, após a divulgação do balanço. Veja aqui as expectativas para os resultados de outros bancos no trimestre.

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O Citi lembra que a unidade brasileira do Santander continua a promover a rotação da carteira de crédito, com preferência por financiamento ao consumo, cartões e pequenas e médias empresas (PMEs), enquanto reduz a exposição a produtos massificados.

Ao mesmo tempo, o banco implementou um arcabouço de baixa contábil mais conservador, que antecipa o reconhecimento de perdas para várias carteiras sem garantia, em vez de necessariamente reconhecer perdas maiores.

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A mudança gera pressão de curto prazo no provisionamento, na rentabilidade e em métricas de qualidade de ativos, no momento em que o cenário macroeconômico mais adverso exige um reforço na constituição do colchão contra perdas, de acordo com a análise.

“Esperamos que o custo de risco recue para patamares inferiores aos observados no segundo trimestre de 2026 nos próximos trimestres, embora deva permanecer acima dos níveis de 2025, pressionando a rentabilidade, enquanto o banco segue promovendo uma mudança no mix de sua carteira”, projeta o Citi.

A head de crédito da Integral Group, Maria Estela Ferraz de Campos, avalia que o banco priorizou a segurança do balanço e a “higienização” da carteira de crédito no segundo trimestre, em detrimento de margens de curto prazo.

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O banco registrou lucro líquido de R$ 3,014 bilhões no trimestre, uma queda de 17,6% em relação a igual período do ano passado. Já o retorno sobre o patrimônio (RoE) recuou 3,8 pontos porcentuais em igual base comparativa, para 12,5%. Com a repercussão do balanço, as ações tombaram 7,37% a R$ 25,63.

Na avaliação de Campos, o Santander “aceitou” uma retração temporária na rentabilidade e no lucro final para promover o “de-risking” (redução de riscos) da carteira de crédito, ou seja, aumento na exposição a linhas garantidas e na base de alta renda.

Ainda assim, a especialista considera que o banco mostrou uma “gestão eficiente” das despesas operacionais, ganhos contínuos de produtividade e sólida posição de capital.

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O balanço é o primeiro desde que Gilson Finkelsztain substituiu Mario Leão na presidência do Santander Brasil, embora ainda não reflita os resultados do novo CEO, que assumiu no começo de julho.

“A transição planejada no comando executivo posiciona a nova liderança para colher frutos de requalificação do portfólio, à medida que o ambiente de crédito e as margens com o mercado apresentarem gradual recuperação”, afirma Campos.

Itaú BBA e BB-BI classificam resultado como fraco

Para o Itaú BBA, o balanço do segundo trimestre do Santander foi “negativo”, diante da combinação de receitas mais fracas com aumento acentuado nas despesas com provisões contra calotes.

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Mesmo assim, o BBA manteve a recomendação de market perform (equivalente à neutra) para o banco, com preço-alvo de R$ 32 - um potencial de valorização de 15,6% em relação ao fechamento de terça-feira (28).

Já o BB-BI avaliou que o Santander teve um resultado fraco de abril a junho, reforçando a leitura de que seguem ausentes os gatilhos para uma retomada mais consistente da rentabilidade - e que essa inflexão pode estar mais distante do que se imaginava.

O banco reduziu o preço-alvo de SANB11 para R$ 31,60, mantendo recomendação neutra. Assim, o papel tem potencial de valorização de 21,26% ante o último fechamento.

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Para o analista Rafael Reis, o resultado foi pressionado pela combinação de uma margem financeira menos pujante e de um custo de crédito significativamente mais pressionado, o que afetou o resultado operacional. Na visão do BB-BI, parte relevante do cenário decorre do ambiente macroeconômico

Reis afirma que, no início do ano, uma das teses que poderia sustentar a recuperação gradual do banco era uma trajetória de queda de juros, com potencial de aliviar ao mesmo tempo o custo do crédito, reduzir a pressão sobre a margem com mercado e permitir, ao longo do tempo, maior disposição para crescer em segmentos de crédito mais rentáveis. O que tem sido observado, porém, é o oposto, com juros elevados por mais tempo retardando esse processo e mantendo o banco em um equilíbrio pouco favorável entre rentabilidade e risco.

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