Por conta do centenário, as inscrições da São Silvestre de 2025 foram disputadas a tapa. Houve instabilidade na plataforma de compra de inscrições logo na abertura; na entrega do kit, faltaram 864 camisetas no último dia da retirada; e, na chegada da prova, os últimos 849 corredores ficaram sem a medalha. No total, 55 mil pessoas se inscreveram para a popular corrida de rua, que celebra o fim do ano na Avenida Paulista, a maioria teve um boa experiência. Marcos Yano, CEO da Vega Sports, que organizou a mais popular corrida de rua do Brasil pela primeira vez, concedeu entrevista ao Blog Corrida para Todos para esclarecer esses pontos. E aproveitou para se desculpar com os corredores de rua pelas falhas.

Procurada, a Fundação Cásper Líbero, realizadora da prova e dona da marca, não retornou. Só no Reclame Aqui, são 246 reclamações sobre esse assunto, questionando essa fundação. E mais 300 questionando a Vega Sports. Ambas estão com a reputação "não recomendada" nesse site.
O fato é que, pela primeira vez na história do Brasil, uma corrida de rua teve 55 mil inscritos. E a grande maioria deles saiu satisfeita; o problema das medalhas se deu com o último pelotão a largar - o vermelho, que deveria ter largado às 9h15, mas que só finalizou a passagem pelo pórtico 45 minutos depois. Esse pelotão ficou sem água gelada, depois sem água, e os últimos, sem medalha. E as camisetas faltaram a partir das 16h05, na véspera da prova, faltando duas horas para o encerramento da retirada. Número de peito e sacolas não faltaram.

Até 2024, a São Silvestre era organizada pela Yescom, que anunciou sua saída no início do ano passado, sendo substituída pela Vega. A Yescom não era favorável a ampliar a capacidade da prova, que até então era de 37.400 inscritos: uma prova que tem restrição de horário, tanto para começar - por conta da transmissão da TV aberta - quanto para terminar - para liberar a via para a festa do Ano-Novo. É um desafio e tanto, além de ser uma prova competitiva importante, é também celebrativa, reúne todos os níveis e tipos de corredores, inclusive os "pipocas" - aqueles que não se inscrevem e vão correr sem número de peito.
Caso você seja uma desses 1.713 corredores de rua inscritos e que ficou sem a camiseta e ou sem a medalha, e ainda não foi contatado pela empresa, entre em contato com a Vega Sports pelo telefone (11) 91345-9749 ou pelo e-mail: contato@vegasports.com.br. Se não conseguir, mande um e-mail para nosso blog.
A inscrição abriu para 50 mil pessoas, depois houve um sorteio para mais 5 mil pessoas, totalizando 55 mil corredores de rua. Essas 5 mil medalhas e camisetas a mais foram feitas depois? Marcos Yano - Não, fizemos com antecedência 55.200 camisetas e 55 mil medalhas. Fizemos com antecedência. Do total, foram menos de 2% que ficaram sem medalhas e camisetas. E logo após a prova, entramos em contato com os fornecedores e solicitamos mais mil de cada. Faltaram no total 864 camisetas na retirada do kit de participação, e 849 medalhas. E não seria por essas cinco mil vagas a mais que a prova seria impactada. Sabemos que a quebra (número de pessoas que não retiram o kit) na São Silvestre é quase zero. E as entregas para as pessoas que ficaram sem a camiseta ou a medalha já começaram no dia 9 de janeiro.
Quem ficou sem a camiseta e sem a medalha, como deve fazer? Marcos Yano - Temos o dever de zelar por essas pessoas, olhar esses clientes que foram afetados por isso, independentemente da causa. Elas vão receber a camiseta em casa, vão receber as medalhas em casa, com uma carta de desculpas. E esperamos que essa pessoa tenha uma próxima oportunidade, em um próximo evento, para ter uma nova experiência para tirar isso da cabeça.
Essas camisetas e medalhas foram roubadas? Foi feito Boletim de Ocorrência? Marcos Yano - É uma suspeita nossa, de que esse material possa ter sido furtado. Não fizemos BO, não vimos ninguém roubando nada. Vimos postagens nas redes sociais de pessoas vendendo camisetas e medalhas, recebemos prints no WhatsApp de gente vendendo camiseta no último dia da retirada do kit na porta do Ibirapuera, na saída da Expo, gente abordando falando que tinha camiseta para vender por R$ 200 a camiseta, enfim. E o mesmo aconteceu com as medalhas. Vimos pessoas vendendo medalhas na porta do Metrô. Vimos nas Redes Sociais pessoas vendendo medalhas. Vimos na OLX medalhas a R$ 500, até a R$ 1 mil; não dá para saber se quem está vendendo correu, se é uma réplica, se furtou. São suspeitas e hipóteses, e estamos fazendo um grande relatório, juntando todas essas evidências que a gente tem. Essa decisão (fazer o BO) cabe à Fundação Cásper Líbero, que é a dona da prova.

Onde as camisetas e medalhas foram guardadas? Marcos Yano - A chegada é no nosso galpão, onde tudo é contado. As medalhas são contadas por peso, e as camisetas, uma a uma. Estamos entendendo todo esse processo, todas as possibilidades, para identificar o que ocorreu: se foi no galpão, ou no transporte, no local da Expo. Nesse local, você precisa contratar os serviços oferecidos por ele, de limpeza e afins.
Então, o extravio das camisetas foi confirmado na retirada do kit, quando as pessoas tinham os comprovantes, tinham os números de peito, a sacola, mas a camiseta havia acabado? Marcos Yano - Exato. E o mesmo caso na dispersão, com as medalhas.
Quanto aos cochos de água, quanto gelo foi disponibilizado para essa prova? Marcos Yano - Foram 2.338 sacos com 22kg cada, mais 836.304 copos de água para os cinco postos de hidratação (4 no percurso e um na chegada). Não faltou água, mas o gelo foi insuficiente. Eram postos de hidratação bem maiores do que nas corridas normais. E nossa conta foi para uma hidratação para 75 mil pessoas. Pelo consumo de água, estimamos que os "pipocas" foram 19 mil pessoas. Esse número é um número de aproximação pelo consumo que a gente tem de água, que deveria sobrar em excesso. Sobraram três ou quatro pallets.

No local que você ficou posicionado na São Silvestre, observou muitos "pipocas"? Marcos Yano - Eu estava ali na altura do posto médico, do lado esquerdo da Paulista; passa o pórtico, depois ela abre em duas pistas ali para dispersão. E sim, vi muitos "pipocas", como não tinha visto antes em nenhuma outra prova. Em outras provas, você conta os "pipocas" nos dedos, e quando o segurança fala com eles, ficam até meio constrangidos e saem. Na São Silvestre, em determinadas ondas, os "pipocas" eram maioria. Abordei um casal que correu sem número de peito, que argumentaram que moravam naquele prédio, e, pior, se dirigiram para a baia das medalhas.
Depois da primeira experiência na São Silvestre, a Vega Sports continua como organizadora da prova? Marcos Yano - Sim, a gente continua. E já estamos conversando para a edição de 2026. E começamos a conversar com a Fundação no dia da São Silvestre mesmo, inclusive sobre os aprendizados e pontos a aprimorar. Como qualquer empresa, somos passíveis de erros, de olhares mais críticos, e de colocar a cara a tapa. Olha, erramos com essas pessoas, com esse percentual pequeno, mas são pessoas. E vamos atrás da solução desses erros. Então, primeiro, de imediato, é entregar o que é de direito dessas pessoas, as camisetas, as medalhas. E tentar fazer isso da forma mais rápida possível e da forma mais verdadeira possível, humana possível, né? Era para ter recesso de 5 a 9 de janeiro, e suspendemos, e estamos com 80 pessoas trabalhando no escritório para finalizar essa questão, que arranhou nossa reputação. Somos uma empresa séria, uma empresa que zela pelo bem-estar de todo mundo, pela experiência plena de todo mundo e vamos corrigir todos esses percalços que aconteceram numa próxima edição e nos próximos eventos.



