CNRD cobra mudança de postura do Corinthians para tirar transfer ban e clube tenta antecipar parcela

Clube paulista planeja quitar parcelas atrasadas e antecipar pagamentos para liberar registro de atletas antes do fechamento da janela de transferências

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Foto do autor Rodrigo Sampaio
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O Corinthians busca reverter punições que impedem o registro de novos jogadores devido a atrasos em pagamentos. O clube enfrenta transfer bans da Fifa e da CNRD, que exige uma mudança de postura. Para resolver, o Corinthians planeja quitar parcelas atrasadas e antecipar pagamentos. A situação afeta a renovação de Memphis Depay, que deve ser concluída antes de 31 de julho. O Cuiabá, credor do Corinthians, critica os atrasos, destacando o impacto negativo no cumprimento de suas obrigações financeiras.

Em meio a busca por reforços e pela renovação do contrato de Memphis Depay, o Corinthians se movimenta para derrubar as punições que impedem o registo de novos atletas. O clube acumula dois transfer bans da Fifa e um outro bloqueio da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e, por causa de atrasos anteriores, o tribunal faz jogo duro para liberar a inscrição de jogadores. Assim, a diretoria se movimenta para antecipar uma das parcelas para derrubar a penalização em âmbito nacional.

O impasse é referente ao descumprimento de um plano de pagamento coletivo de aproximadamente R$ 76,9 milhões, dividido em 24 parcelas trimestrais ao longo de seis anos. Como o clube voltou a atrasar a parcela de julho de 2026, a CNRD aplicou o transfer ban de imediato, ignorando pedidos de adiamento feitos pela diretoria corintiana.

A CNRD demonstrou rigidez em um despacho de 22 de dezembro de 2025, quando o painel julgador decidiu manter temporariamente a proibição de registros por seis meses mesmo após o clube quitar débitos atrasados. Naquela ocasião, o tribunal destacou que o Corinthians havia pago todas as parcelas vencidas somente após após a pressão dos credores.

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Corinthians corre para regularizar situação junto à CNRD para voltar a ficar livre para registrar atletas.  Foto: Taba Benedicto/ Estadão

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Por conta do histórico negativo, a suspensão da sanção foi estritamente condicionada a uma “mudança real de postura” do clube, que deveria demonstrar “respeito aos prazos, aos credores e ao CNRD”.

“Isso não significa que o painel julgador manterá a sanção até o fim de seu prazo. Caso o Corinthians demonstre uma mudança de postura e um efetivo cumprimento do plano de pagamento determinado, o painel julgador pode suspender a sanção de proibição de registro aplicada em momento posterior”, diz trecho do despacho, assinado pelo relator Marcelo Lessa.

O Estadão apurou que os departamentos financeiro e jurídico do Corinthians se movimentam nos bastidores para demonstrar boa-fé à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). A estratégia é quitar uma das parcelas em atraso, com vencimento em 17 de julho, e antecipar o pagamento da próxima, prevista para 17 de outubro, até 31 de agosto. Com isso, o clube espera reverter a suspensão e voltar a registrar jogadores antes do fechamento da janela de transferências, em 11 de setembro.

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De cada parcela, 80% do valor é destinado ao credor, enquanto os outros 20% são para cobrir honorários. A estimativa feita pela CNRD é de que pelo menos metade dos processos sejam quitados em até dois anos e meio. As quantias vão levar em conta o Índice de preços ao consumidor (IPCA) para correção.

Paralelamente, o clube também tenta resolver as pendências com a Fifa. O Corinthians possui um débito ligado à contratação de José Martínez junto ao Philadelphia Union. A outra dívida é com o Midtjylland, pela aquisição do volante Charles.

Outra preocupação causada pelo bloqueio do CNRD é a renovação de contrato com Memphis Depay, cuja negociação se arrastou nos últimos meses e finalmente caminho no fim de semana. Agora a diretoria corre contra o tempo para assinar a extensão do vínculo com o atacante holandês antes antes do dia 31 de julho, quando encerra o atual contrato do jogador. Isso porque caso o acordo ocorra somente após a data, configuraria um novo vínculo e as regras do transfer ban entrariam em vigor.

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O Cuiabá é um dos principais credores do Corinthians e um dos clubes que já demonstrou publicamente aborrecimento pelos atrasos no pagamento. O clube mato-grossense tem a receber cerca de R$ 16 milhões do clube paulista pela contratação do volante Raniele, realizada no início de 2024. Em contato com o Estadão, o presidente Cristiano Dresch afirmou que o clube está com dificuldade para honrar compromissos com o elenco por causa dos atrasos.

“Do jeito que o sistema funciona hoje, o clube que cumpre suas obrigações acaba financiando, involuntariamente, o elenco do seu adversário, que contrata jogadores sem pagar e compete em pé de igualdade ou superioridade”, disse Dresch. “Clubes com menor poder de investimento, mas que são organizados, acabam sendo prejudicados esportivamente por gigantes que usam o mercado de forma irresponsável para se salvar em campo.”

Embora o novo Fair Play Financeiro da CBF já esteja com regras em vigor, sua aplicação plena, com punições esportivas mais severas como a perda de pontos, deve ocorrer de forma gradual, com a promessa de atingir a plenitude apenas em ciclos futuros. Até lá, o cumprimento rigoroso das decisões da CNRD é visto como o principal teste para a governança do esporte no País.

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