Calor causou 3 milhões de mortes no mundo entre 2016 e 2023, aponta estudo

Somente em 2023, índice superou os óbitos provocados por malária ou HIV, afirmam os autores da 10ª edição da revista médica Lancet Countdown

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Por Redação

Um Super El Niño pode estar chegando. Estamos preparados?

A história serve de advertência: é preciso estar preparado para os desafios que o fenômeno traz. E será que estamos? Entenda no #EstadãoExplica desta semana. Crédito: Estadão

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O calor causou três milhões de mortes entre 2016 e 2023, afirmou um estudo de referência que defende a declaração das mudanças climáticas como uma “emergência sanitária mundial” e sua elevação à prioridade dos governos.

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Somente em 2023, um recorde de 710 mil óbitos pode ser associado ao calor — número que supera o de mortes por malária ou HIV, afirmam os autores da 10ª edição do Lancet Countdown.

O estudo, publicado pela prestigiosa revista médica, reúne 146 pesquisadores de 30 países para avaliar as consequências das mudanças climáticas na saúde da população mundial.

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ONU fez alerta para outro recorde

As concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera atingiram níveis máximos históricos em 2025, consolidando impactos climáticos que persistirão durante séculos, alertou nesta terça-feira (27) a ONU.

Os níveis dos três principais gases do efeito estufa — dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso — que contribuem para o aquecimento do planeta atingiram números sem precedentes em 2025, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU.

Somente em 2023, número superou o de mortes provocadas por malária ou HIV, afirmam os autores da 10ª edição da revista médica Lancet Countdown. 

A OMM afirmou que o aumento provocará um incremento adicional das temperaturas globais a longo prazo. O 22º Boletim Anual sobre Gases do Efeito Estufa da OMM foi publicado antes da COP-31 da ONU sobre o clima, que acontecerá de 9 a 20 de novembro em Antália, Turquia.

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“Mais um ano, mais um novo recorde”, declarou a secretária-geral adjunta da OMM, Ko Barrett.

Segundo Barrett, os gases do efeito estufa estão retendo uma “quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, o que alimenta a intensificação dos fenômenos meteorológicos mais extremos e dos riscos associados para nossas economias e sociedades”.

“Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados e a tendência vai continuar. O dióxido de carbono (CO2) tem uma vida muito longa e, por isso, afetará o clima global não apenas durante anos, mas durante décadas e até séculos”, alertou.

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Efeito do El Niño

O boletim analisa as concentrações de gases do efeito estufa, ou seja, a quantidade destes gases presente na atmosfera, e não as novas emissões anuais resultantes do uso de mais carvão, petróleo e gás.

Em 2025, a concentração de dióxido de carbono atingiu 426,8 partes por milhão (ppm); a de metano, 1.948 partes por bilhão; e a de óxido nitroso, 339,1 partes por bilhão.

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Os números equivalem, respectivamente, a 153%, 267% e 126% dos níveis pré-industriais registrados antes de 1750.

Dos três principais gases de efeito estufa, o CO2 responde por quase 66% do efeito de aquecimento sobre o clima.

Aproximadamente metade do CO2 emitido a cada ano permanece na atmosfera; o restante é absorvido pelos ecossistemas terrestres e pelos oceanos.

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Entre 2024 e 2025, a concentração média global de CO2 aumentou em 2,8 ppm, menos que o acréscimo recorde de 3,6 ppm registrado entre 2023 e 2024.

A principal diretora científica da OMM, Oksana Tarasova, afirmou que isso refletiu a “recuperação dos sumidouros de carbono terrestres e a redução das emissões de carbono procedentes de incêndios em 2025, após o forte fenômeno El Niño de 2023-2024”, o fenômeno climático natural que eleva as temperaturas.

Também supera a taxa média de crescimento de 2,6 ppm observada durante a última década, contra 0,8 ppm registrado na década de 1960.

“Podemos esperar um novo aumento das concentrações em 2026 devido à queima de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de um potente fenômeno El Niño que afetará os sumidouros de carbono terrestres, como aconteceu em 2023-2024”, advertiu Tarasova./AFP

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