Eisenkot acusa Netanyahu de querer ‘deslegitimar’ as eleições em Israel

Líder do Yashar afirmou que premiê e Likud fazem ‘campanha coordenada’ para ‘deslegitimar’ as eleições porque ‘perderam’

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Por Redação
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O principal candidato da oposição israelense, Gadi Eisenkot, advertiu nesta quinta-feira, 29, que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tenta “deslegitimar” os resultados eleitorais com suas acusações de irregularidades contra os partidos árabes.

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“O que já está claro é que o Likud e Netanyahu embarcaram em uma campanha coordenada e organizada para deslegitimar os resultados das eleições”, disse Eisenkot. “Fazem isso porque perderam. Não têm maioria”, acrescentou. Netanyahu é líder do Likud, enquanto Eisenkot lidera o Yashar.

A declaração ocorre após Netanyahu e seus aliados terem reforçado seus ataques contra os partidos árabes israelenses, que poderiam ajudar a oposição a obter maioria após as eleições legislativas, acusando-os de terem recebido fundos do Catar.

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O principal candidato da oposição israelense, Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar. Foto: Baz Ratner/AP

O presidente de Israel, Isaac Herzog, pediu que fossem investigados os “elementos suspeitos”, mas advertiu que não se deveria estigmatizar toda a comunidade árabe israelense, que votou em massa para tirar do poder o governo mais conservador da história do país.

Na noite de quarta-feira, 28, o presidente da Comissão Eleitoral, Noam Sohlberg, havia pedido ao serviço de inteligência interna, o Shin Bet, que investigasse as acusações do Likud sobre financiamento estrangeiro da campanha.

“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu”, afirmou o Likud em uma publicação no X, compartilhada também pelo premiê.

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Com mais de 90% dos votos apurados, o bloco de Netanyahu está à frente do liderado por Eisenkot, mas não tem maioria. Os dois partidos árabes, Raam e Lista Conjunta, obtiveram o melhor resultado de sua história e podem ser decisivos para a formação do novo governo.

O líder da Raam, Mansour Abbas, negou as acusações do Likud. “Não vão encontrar nada porque não há nada.” Já a Lista Conjunta considerou que as acusações de Netanyahu e de sua coalizão “revelam o medo” do primeiro-ministro diante do avanço das forças árabes.

O Catar rejeitou qualquer ingerência nas eleições. “Acusam o Catar de comprar Binyamin Netanyahu, a esquerda política israelense e agora, nesta última campanha, o voto árabe”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari. “Essas acusações são tão ridículas quanto perigosas.”

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No dia das eleições, Netanyahu já havia acusado a Raam de tentar “roubar as eleições” após a detenção de três homens com envelopes cheios de dinheiro perto de uma seção eleitoral. No entanto, as autoridades eleitorais descartaram a ocorrência de fraude em larga escala.

Nesta quinta-feira, o Likud afirmou que está “claro que nenhum partido sionista pode ser autorizado a cooperar com o Raam ou com a Lista Conjunta”, pois isso colocaria “Israel em perigo”.

As acusações contra os partidos árabes aumentam a incerteza sobre o resultado das eleições e ameaçam mergulhar Israel em uma crise política em um momento em que a região é abalada por conflitos e Netanyahu considera uma campanha militar contra o Irã./Com informações da AFP

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