Resultado das eleições em Israel: boca de urna projeta cenário indefinido entre Netanyahu e Eisenkot

Bloco de oposição lidera por margem estreita, apesar de partido de Netanyahu ter feito mais cadeiras, segundo pesquisa

PUBLICIDADE

Foto do autor Redação
Por Redação
Atualização:

Delegações deixam plenário da ONU em protesto contra Netanyahu

Primeiro-ministro israelense chamou de “covardes morais” os representantes que se retiraram antes de seu discurso na Assembleia Geral.

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Pesquisas de boca de urna em Israel indicam que a coalizão de oposição liderada por Gadi Eisenkot supera o grupo de Netanyahu, mas nenhum bloco alcança maioria para formar governo. O Likud, de Netanyahu, tem mais assentos, mas enfrenta dificuldades para formar coalizão. Eisenkot precisaria do apoio árabe, improvável. A participação eleitoral foi recorde, mas menor em redutos de Netanyahu. O conflito com o Hamas e a resposta militar de Israel influenciam o cenário político. Resultados finais são esperados na quinta-feira.

TEL-AVIV - Pesquisas de boca de urna divulgadas nesta terça-feira, 27, em Israel indicam que a coalização de oposição liderada pelo ex-chefe das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, deve somar mais deputados que o grupo liderado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Apesar disso, nenhum dos blocos deve obter a maioria para a formação de governo.

PUBLICIDADE

O Likud, partido de Netanyahu, tem mais assentos, segundo a projeção, mas deve ter mais dificuldade para formar governo. Eisenkot, por sua vez, precisaria contar com o apoio de partidos árabes para chegar ao poder, o que é improvável.

A projeção dos principais canais de TV israelenses indicam que o grupo de Eisenkot terá 53 deputados, contra 50 de Netanyahu e 17 parlamentares de partidos árabes.

Publicidade

Um judeu ultraortodoxo vota em Jerusalém, Israel Foto: Ohad Zwigenberg/AP

As pesquisas de boca de urna em Israel podem ser úteis para se ter uma ideia da força relativa de cada partido, mas não são consideradas um indicador confiável dos resultados precisos.

Em Israel, que adota o sistema parlamentarista, são necessários pelo menos 61 deputados para formar um governo. Por isso, mesmo o partido que conquistar o maior número de cadeiras poderá depender de alianças com outras legendas para alcançar a maioria parlamentar.

O partido com mais votos e mais cadeiras no Parlamento pode não ser aquele que formará o governo. Isso aconteceu após a eleição de 2021, quando o partido de Netanyahu conquistou o maior número de cadeiras, mas não conseguiu formar uma coalizão majoritária.

Publicidade

Em uma declaração logo após a divulgação, Eisenkot disse que os resultados das pesquisas “expressam uma perda total de confiança em Netanyahu” e em seu governo.

“Se esses forem os resultados finais, eles marcariam uma vitória”, disse ele, acrescentando que “agiria prontamente para cumprir a determinação do povo de substituir o governo de Netanyahu”.

Yair Lapid, líder da oposição de Israel, apresentou as pesquisas como uma derrota para Netanyahu. “Para que não fiquem confusos: o bloco de Netanyahu sofreu uma dura derrota”, escreveu ele nas redes sociais. “Trata-se de um colapso total, e o público mandou que eles fossem para casa.”

Publicidade

O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, rejeitou as primeiras reações às pesquisas, rebatendo a mídia e os partidos da oposição, ao mesmo tempo em que demonstrou confiança na posição de seu bloco político. “As comemorações da esquerda são prematuras”, afirmou. “As afirmações dos comentaristas tendenciosos são ridículas. Uma coisa parece bastante clara: o Likud é o maior partido de Israel.”

Israel's Prime Minister Benjamin Netanyahu reacts after filling out his ballot before voting at a polling station in Jerusalem, Tuesday, Oct. 27, 2026. (Yonatan Sindel /Pool Photo via AP) Foto: Yonatan Sindel

No início do dia, o partido Likud, de Netanyahu, afirmou ter solicitado uma prorrogação à Comissão Eleitoral Central, ao mesmo tempo em que o atual primeiro-ministro exortava seus apoiadores a irem às urnas.

Seu principal adversário, Eisenkot, se opôs à prorrogação do horário. A menos de duas horas para o encerramento da votação, a comissão informou que não prorrogaria o horário de votação para além do horário previsto para o encerramento.

Publicidade

Participação eleitoral bate recorde durante a manhã

PUBLICIDADE

Faltando apenas uma hora para o encerramento da votação em Israel, a participação já havia ultrapassado o total registrado nas últimas eleições. A comissão eleitoral central de Israel informou que 74,3% dos eleitores qualificados haviam votado até as 20h, a taxa mais alta para esse horário desde 1988.

Segundo Dean Livne, chefe da comissão, mais de 3,29 milhões de israelenses haviam comparecido às urnas durante a manhã, o equivalente a 44,9% dos eleitores aptos.

Apesar da participação recorde em nível nacional, dados divulgados a pouco mais de três horas do encerramento da votação mostravam um cenário diferente em redutos eleitorais de Netanyahu.

Publicidade

Nas cinco cidades onde o Likud obteve seu maior apoio nas eleições de 2022, a participação estava até dez pontos porcentuais abaixo da média nacional.

Tanto o bloco de Netanyahu quanto uma coalizão informal de partidos da oposição fizeram um esforço final para incentivar os israelenses a votarem. Foram relatadas longas filas em seções eleitorais lotadas em todo o país, mas a comissão eleitoral informou que qualquer pessoa que estivesse na fila às 22h poderia votar.

Nas urnas, outras questões internas da sociedade israelense também estavam em pauta. A principal delas envolve o serviço militar de comunidades de judeus ortodoxos. O tema polariza a sociedade israelense há anos, mas ganhou mais peso em virtude dos conflitos recentes nos quais o país se envolveu, que exigiu grande mobilização militar.

Desde que o Hamas invadiu Israel, Netanyahu reagiu com uma ampla operação militar na Faixa de Gaza, que deixou 74 mil mortos e deslocou cerca de 90% da população, segundo a ONU.

O conflito se espalhou para o Líbano, o Iêmen e posteriormente, o Irã. A resposta israelense recebeu críticas de parte da comunidade internacional, sobretudo na Europa Ocidental, em meio a denúncias de genocídio e limpeza étnica da população de Gaza — que Israel nega e diz serem politicamente motivadas.

Publicidade

O cenário levou à ascensão do ex-general Gadi Eisenkot. Respeitado no establishment do país, ele comandou o Exército entre 2015 e 2019, sob o próprio Netanyahu.

Judeu sefaradita com raízes no Marrocos, como a maioria da população israelense, Eisenkot ganhou força política após o ataque do Hamas, quando fundou, em 2025, o partido Yashar.

Após o fechamento das urnas, começa o processo de apuração, que tem pouca tecnologia. Em cada uma das mais de 12 mil seções eleitorais, representantes dos partidos começarão a contar as cédulas manualmente, sob a supervisão de observadores equipados com câmeras corporais.

Publicidade

As cédulas contadas serão então transportadas para centros regionais, onde os resultados serão registrados eletronicamente. Somente então, horas após o encerramento da votação, as autoridades começarão a divulgar os resultados. Não se espera que o processo seja concluído antes da tarde de quinta-feira. / Com informações do NYT

Vale ler também
Andrés Oppenheimer
Entenda o plano de ação dos democratas caso derrotem Trump nas eleições legislativas
Lourival Sant'Anna
Vitória democrata nas eleições legislativas colocará Trump na defensiva. Como isso afeta o Brasil?
Rodrigo da Silva
Dá para confiar nas urnas eletrônicas? Entenda no programa Fronteiras