Maior ônibus elétrico do mundo roda no Brasil com a energia de 6 mil chuveiros

Com 28 metros e capacidade para 250 passageiros, o Volvo BZRT exige subestação exclusiva e “powerbank” gigante

Recarga de ônibus elétrico. Foto: Bruno de OliveiraMaior ônibus elétrico do mundo começou a rodar em Goiânia (GO). Foto: Bruno de Oliveira/Estadão.

PUBLICIDADE

Por Bruno de Oliveira
Atualização:

Se um bom forró é tocado com uma sanfona, o maior ônibus biarticulado elétrico do mundo tem logo duas. A Volvo e a Marcopolo entregaram na sexta-feira, 30, cinco unidades daquele que é considerado o modelo de veículo de passageiros mais longo de todos para a operadora de transportes Metro, de Goiânia (GO).

O BZRT tem 28 metros de comprimento e pode transportar até 250 pessoas. Ele é equipado com dois motores elétricos de 200 kW cada (total de 400 kW, equivalente a 540 cv) e tem oito baterias instaladas sob o piso.

Para carregar esse conjunto, a Metro teve de instalar uma estação de abastecimento que fornece 6 megawatts de potência - um volume de energia que pode abastecer até 6 mil chuveiros simultaneamente.

PUBLICIDADE

Solução para o problema dos ônibus elétricos

PUBLICIDADE

O case da empresa em Goiânia é interessante por viabilizar algo que tem sido visto em grandes metrópoles como principal desafio na adoção de ônibus elétricos. A Metro achou meios de estabelecer a estrutura necessária para abastecer a sua frota elétrica, que chega a 21 veículos.

Para isso, investiu na instalação de uma subestação na sua garagem. Essa unidade é considerada essencial para a estrutura de recarga de veículos pesados porque ela transforma a energia elétrica em algo, digamos, compatível com os ônibus. Na prática, ela muda a energia de média tensão que chega pelas redes de distribuição para a baixa tensão.

Investimento compartilhado

Parece algo simples, mas é justamente este tipo de sistema que está no centro das discussões que participam as operadoras de transporte de São Paulo (SP), por exemplo. O equipamento é considerado caro, demanda alto investimento e, na capital paulista, a maior metrópole do país, ainda se discute quem vai pagar essa conta. Estado e empresas estariam em lados opostos a respeito disso.

PUBLICIDADE

Em Goiânia, uma espécie de consórcio com representantes privados e da esfera pública se juntou para arcar com o aporte necessário. Foram instalados na garagem da Metro 23 carregadores de 240 kW capazes de abastecer até dois veículos simultaneamente - ou seja, 46 ônibus ao mesmo tempo no total. O processo pode levar até quatro horas, segundo Ciro Lima, diretor de marketing da Nansen, a fabricante dos carregadores.

Projeto em Goiânia que colocou o maior ônibus elétrico do mundo em circulação é fruto de parceria entre Metra, Marcopolo e Volvo. Foto: Bruno de Oliveira/Estadão. Foto: bruno de oliveira

Powerbank gigante é o ‘pulo do gato’

O período de recarga pode ser longo demais para um veículo que precisa estar disponível o máximo de tempo possível. Por isso, o projeto da estação de carregamento entregue para a Metro contempla a instalação de um equipamento auxiliar chamado BESS.

Ele funciona como um powerbank - enquanto os ônibus estão na rua, o BESS recebe energia do sistema e a armazena. Quando um ônibus elétrico que precisa de recarga retorna à garagem, ele pode recorrer ao carregamento mais rápido, garantido por esse equipamento.

PUBLICIDADE

Além da velocidade, ele representa uma opção mais barata à instalação de novos carregadores, de acordo com a Nansen.

O negócio fechado pela Volvo com o sistema de transporte de Goiânia trouxe holofotes para o seu maior ônibus biarticulado elétrico do mundo. Tanto que empresas de outras cidades do Brasil, e também de países vizinhos como Colômbia e Equador, já demonstraram interesse na compra de alguns modelos.

Carregando ofertas...