Após muito tempo de espera, no começo de dezembro, a OpenAI lançou sua ferramenta de inteligência artificial (IA) que produz vídeos curtos supostamente realistas. Quando revelou a IA em fevereiro, a companhia chamou muita atenção pela qualidade dos vídeos. Mas, nos testes feitos pela reportagem, os resultados não foram tão bons. Veja o vídeo abaixo.
Resultados dos testes
No primeiro teste, o prompt foi: “Faça um vídeo de uma menina brasileira estudando para as provas de fim de ano”. O prompt foi bem simples, mas a IA enriqueceu o comando, adicionando elementos do cenário, como o calendário que aparece no vídeo.
O primeiro resultado foi um pouco estranho. O calendário produzido pela IA tem uma sequência de dias fora de ordem e, além disso, os números mudam no meio do vídeo. Para piorar, tem até o dia 291 de dezembro!
O prompt do segundo exemplo já foi mais detalhado. “A cidade de São Paulo, nos dias atuais, está coberta de neve pela primeira vez na história. As pessoas estão felizes, mas ao mesmo tempo, despreparadas para o clima, retrate isso. Faça takes aéreos e outros mais próximos dessas pessoas. Uma rena aparece andando na neve e uma pessoa monta nela”.
A Sora ofereceu quatro vídeos para esse teste, dois mais de perto e os outros dois com imagens mais aéreas. O resultado também foi decepcionante. Além de não ter nenhum elemento no vídeo que remetesse à cidade de São Paulo, o tamanho das coisas estão fora de proporção e as imagens têm bugs graves, como as pessoas “se atravessando”, como se fossem fantasmas.

Na terceira vez, optamos para um prompt mais simples novamente. “Faça um vídeo de um turista feliz andando na praia no Rio de Janeiro. Ele deve ter uma câmera pendurada e vestir roupas coloridas”.
O resultado foi um pouco melhor, mas não totalmente satisfatório. Nos vídeos, nenhum elemento remete ao Rio de Janeiro, como o Cristo Redentor, por exemplo. E, no segundo vídeo, o rosto do personagem não aparece, ou seja, não tem como saber se ele estava feliz, como solicitado no prompt.
Como último teste, enviamos um prompt mais elaborado outra vez, que serviu para testar as noções de física da Sora. “Faça um vídeo de um casal brigando. Na discussão, a mulher joga um copo de água no homem. Precisa aparecer a mulher derrubando a água e o homem ficando molhado”.
Foi o pior resultado de todos. No vídeo, só o homem aparece. E aparece jogando água em si mesmo. O sentido do movimento do líquido não faz sentido e a IA chegou até a produzir a sombra de uma mão que não existe.
Como funciona
A novidade está disponível Sora.com para os assinantes do ChatGPT Plus e ChatGPT Pro. A tecnologia funciona com base nos comandos dos usuários, podendo transformar textos e imagens estáticas em vídeos de até 20 segundos, em diferentes formatos e em resolução de até 1.080p.
Além de criar vídeo do zero, o usuário também pode trazer um vídeo “real” e alterar partes dele, por exemplo. A ferramenta chamada Storyboard permite que o usuário “brinque” com a sequência produzida pela IA, podendo mudá-la quando e como quiser. Além disso, é possível continuar o vídeo apenas escrevendo o que deseja ver e, assim, a IA criará uma imagem com base na descrição de texto fornecida pelo usuário.
A Sora oferece quatro versões do vídeo, em diferentes ângulos e estilos. Depois de pronto, o usuário pode pedir alterações, desde as mais nítidas até os menores detalhes.Também, o usuário tem a opção de trazer uma imagem e pedir para que a IA produza um vídeo com base nela.
Como acessar a ferramenta
Para acessar a Sora, é preciso ter uma conta paga do ChatGPT. O ChatGPT Plus garante ao assinante até 50 vídeos por mês, em 720p. Já o ChatGPT Pro, oferece até 500 vídeos por mês, em 1.080p.
Depois de logar em Sora.com, o usuário verá uma barra de pesquisa - parecida com a do chatbot - para digitar o prompt do vídeo que deseja fazer.
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A IA produz vídeos de 5 à 20 segundos, em diferentes formatos, que ficam salvos no perfil do usuário. Depois que o vídeo está pronto, é possível acessar a área de edição, o Storyboard, para fazer alterações nas imagens ou dar continuidade à produção.
Todos os vídeos ficam salvos no perfil do usuário, que, também, tem acesso a um feed para ver as principais produções da comunidade da Sora.
*Mariana Cury é estagiária sob supervisão do editor Bruno Romani
