Deprimente e desolador, ‘Fallout’ é épico pessimista

Jogo envolve mesmo com temática apocalíptica impressiona tanto pelo complexidade do roteiro quanto por tom drástico

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Por Jocelyn Auricchio e O Estado de S.Paulo
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Desolação, morte e desalento. A sensação de desamparo que Fallout 3 passa é uma das mais profundas e densas que já experimentada em um game. Em um futuro próximo, você é um sobrevivente do holocausto nuclear e vive em uma abrigo antirradioativo. Sua vida vai bem até que uma série de eventos catastróficos –inclusive o desaparecimento do próprio pai – obrigam você a abandonar o complexo e encarar os horrores do mundo pós-apocalíptico. Fora do conforto de casa, a devastação impera. Animais radioativos hipertrofiados, mutantes canibais enlouquecidos, gangues sanguinárias de sobreviventes e toda a sorte de perigos se esgueiram pela paisagem coberta de cinzas nucleares. Por entre as ruínas, pessoas lutam para sobreviver enquanto a radiação lentamente consome seus corpos e apodrece suas mentes. Os túneis dos metrôs são verdadeiras armadilhas letais, recheadas de toda a sorte de horrores, como humanos terrivelmente desfigurados pelo fogo nuclear e enlouquecidos pelo envenenamento radioativo. Autômatos desgovernados matam quem passa pela frente, sem distinguir entre sobreviventes e Em meio à insanidade do pós-guerra, alguns tentam manter a ordem. Sociedades secretas tentam manter a ordem à força, exterminando quem ameaça a população. O antigo governo, que perdeu a função dado o caos, tenta desesperadamente recuperar seu poder. Cidadãos engajados constroem cidades precárias, montam rádios comunitárias e organizam-se para manter a sanidade coletiva e tocar a vida da melhor forma possível. Nesse mundo distópico, o jogador é convidado a desvendar o mistério do desaparecimento de seu pai. O que aconteceu para que ele deixasse a segurança de sua casa e encarasse esse mundo devastado? Fallout 3 é tão vasto, tão amplo, que chega a desanimar no começo. Além de ter que andar enormes distâncias a pé, você ainda precisa se esquivar dos perigos do mundo aberto. Uma simples barata mutante pode despedaçá-lo com poucos golpes. Mas depois de 3 horas de jogo, o jogo fica cada vez mais intrigante, mais envolvente. O sistema de combate é genial. Além de usar as armas como em um jogo de tiro, existe um modo de ataque que consome pontos de habilidade. Quanto mais complexa e destrutiva a arma, mais pontos são consumidos. O jogo para quando esse modo avançado de combate entra em ação. Uma mira especial, que divide o corpo do oponente em áreas de impacto, mostra a chance de acertar o tiro. Depois de decidido, o ataque é mostrado em câmera lenta. Se for fatal, uma animação extremamente sangrenta mostra o resultado no inimigo. As escolhas do jogador o colocam em situações diversas. Se for um benfeitor, todos os mercenários da cidade virão atrás de você, decididos a transformá-lo em peneira. Se for um escroque, paladinos de todas as partes estarão mais que dispostos a colocar um ponto final em seus atos de brutalidade. Um ponto muito interessante em Fallout 3 é a possibilidade de se criar novos armamentos. Se investir na habilidade de reparos e comprar diagramas das armas, o jogador pode, recolhendo a infinidade de lixo espalhada em Washington, criar armamentos muito mais poderosos que os convencionais. Como em Fable 2, também é possível ter um cão como aliado. Mas esse cão, castigado pela fome e pelo medo, é muito mais feroz e não resiste tanto a agressões como o de Fable. Denso, violento, realista, adulto e profundo, Fallout 3 é um game feito para quem espera mais de um jogo e quer muito mais que simples combates acéfalos. Ficha Técnica FALLOUT 3 (BETHESDA) PLATAFORMAS | Xbox 360, PlayStation 3, PC PREÇO | R$ 270 (edição normal) e R$ 350 (edição especial)