Modo IA do Google, que amplia IA generativa nas buscas, chega ao Brasil nesta segunda

Ferramenta estreia para aos usuários brasileiros a partir desta semana e preocupa pelo impacto no ecossistema econômico da web

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Foto do autor Bruna Arimathea
Foto do autor Mariana Cury

O Modo IA, ferramenta de inteligência artificial (IA) que deve mudar profundamente as buscas do Google e os negócios na web, já está disponível no Brasil. A empresa anunciou nesta segunda-feira, 8, a estreia do recurso no País, que deve aparecer de forma gradual para os usuários ao longo da semana.

O recurso funciona como um chatbot de IA, fornecendo respostas em texto para perguntas e incluindo links quando necessário — é uma maneira diferente de organizar informações, que historicamente apareciam como um índice dos sites mais relevantes da web. Segundo o Google, o novo sistema traz uma capacidade aprimorada de entender perguntas mais complexas e interagir melhor com outros elementos de pesquisa, como áudio e imagens.

Modo IA promete mudar a forma como usuários encontram informações e acessam sites na internet Foto: Jeff Chiu/AP

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O objetivo da companhia é fazer com que os usuários recebam instantaneamente uma resposta gerada por IA. Ou seja, sai a busca ativa pela web e entram conteúdos costurados a partir de vários sites na rede, fazendo com que seja possível obter respostas sem clicar em nenhum link externo além da pesquisa feita no site. Isso tudo ficará reservado em uma aba específica para o Modo IA.

“A partir de agora você pode, por exemplo, fazer perguntas como: ‘Quero entender diferentes métodos de preparo de café. Crie uma tabela comparando as diferenças de sabor, facilidade de uso e equipamento necessário’. Ou: ‘Encontre feiras livres em São Paulo que funcionem às terças-feiras antes das 8h para comprar frutas e verduras frescas’”, afirmou o Google em um comunicado.

Para usar o Modo IA, vai ser preciso acessar uma aba separada na página de buscas, que fica no topo ao lado das opções padrões de pesquisa. O cérebro da ferramenta será o Gemini 2.5, principal modelo de IA da gigante. A companhia informou que a IA usa um método chamado “técnica de desdobramento de pergunta”, que consegue dividir o comando do usuário em subtópicos e fazer a pesquisa a partir desses dados menores.

É uma espécie de evolução do AI Overviews que oferece respostas simplificadas antes da área de links do buscador. Implementado no ano passado, o AI Overviews gera respostas no topo do indexador clássico da companhia. De acordo com o Google, as buscas da companhia com o AI Overviews já registram mais de 1,5 bilhão de usuários e gerou um aumento de cerca de 10% no uso do buscador em mercados como Índia e EUA.

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Agora, a companhia afirma que o novo recurso é uma é uma “expansão” dessa tecnologia, que já alcança mais de dois bilhões de pessoas no mundo todo. A ferramenta funciona nos EUA desde maio deste ano, quando foi apresentada ao público oficialmente, e deve alterar a forma como os usuários pesquisam e consomem informações no buscador, além de impactar o modelo de negócios de sites e publicações.

A chegada por aqui deve ganhar rápida adesão dos brasileiros. A OpenAI revelou recentemente que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo — são 50 milhões de acessos mensais. Assim, a expectativa é de que a implementação de um chatbot no buscador mais acessado do mundo fará com que as pessoas gradativamente consumam apenas o resumo dos conteúdos.

“O Modo IA se baseia nos nossos principais sistemas de qualidade e classificação, e estamos usando abordagens inovadoras para aprimorar a veracidade. Nosso objetivo é mostrar uma resposta gerada com IA sempre que possível, mas, nos casos em que não temos alta confiabilidade, você verá um conjunto de resultados da pesquisa na web. Como qualquer produto de IA em estágio inicial, nem sempre vamos acertar, mas tenha certeza de que estamos trabalhando para melhorar dia após dia”, explica o Google.

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Impacto para a saúde da web preocupa

Embora a empresa afirme que o uso de IA nas buscas tem aumentado a curiosidade dos usuários, que continuam acessando sites específicos - como portais e sites de notícias - o impacto não está claro. Os recursos de IA preocupam donos de sites e pequenos veículos por estarem menos visíveis aos olhos de quem pesquisa.

O resultado gerado por IA muitas vezes é grande e gera conteúdos que ocupam uma página inteira, deixando links relacionados à busca “escondidos”. Ainda, com o sistema de relevância de ranqueamento de páginas, a chance desses resultados aparecerem fica ainda menor.

Até aqui, os cliques direcionados pelo Google foram um dos principais pilares econômicos da internet, no qual sites e publicações comercializam anúncios a partir das visitas que recebem. Com a possibilidade de perder usuários, os veículos ficam podem sofrer queda importante de receita.

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Uma pesquisa global da Similarweb, publicada pela The Economist, aponta que o tráfego de buscas no mundo caiu em 15% entre junho de 2025 e o mesmo mês do ano passado. Além disso, o resultado de buscas de pesquisas, que não clicaram em links originais, subiu de 56% para 69%.

Segundo o Wall Street Journal, grandes veículos americanos como Business Insider, Washington Post, HuffPost e o próprio WSJ, tiveram uma queda de 55% em tráfego orgânico via busca - de abril de 2022 a abril de 2025 -, reforçando o impacto negativo da IA generativa para os modelos jornalísticos.

É um caminho que parece acelerar o fenômeno “Google zero”, quando sites deixam de receber tráfego da ferramenta de buscas do Google. Até aqui, esses cliques foram um dos principais pilares econômicos da internet — há alguns anos, publishers já vem apontando para a diminuição desse volume, mas o Modo IA acendeu uma luz vermelha em todo o mundo.

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Outra fonte de preocupação é a de uso não autorizado pelas IAs das informações publicadas pelos veículos de comunicação, embora o Google tenha acordos com veículos nacionais. Diversos jornais ao redor do mundo vem processando empresas de IA.

No Brasil, a Folha de S. Paulo processou a OpenAI por violação de direitos autorais. Anteriormente, o The New York Times já havia processado a dona do ChatGPT. No Japão, dois dos principais jornais do país, Nikkei e Asahi Shimbun, estão processando a Perplexity AI.