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Dependentes da IA

Tecnologia vira motor do crescimento de China e Estados Unidos e reforça conexão entre os dois países

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Por Notas & Informações

O crescimento da economia chinesa no terceiro trimestre (4,5%) superou levemente a expectativa de analistas consultados pela agência Reuters, que estimavam expansão de 4,4%, e também foi maior que o registrado no trimestre anterior: 4,3%. Ainda assim, o próprio governo chinês reconhece que o “problema da demanda doméstica insuficiente permanece relativamente proeminente”.

Embora Pequim venha buscando estimular com mais intensidade o consumo interno ao menos desde 2024, as medidas lançadas até agora, tais como cortes de juros direcionados, têm se mostrado insuficientes para alterar significativamente os hábitos de uma sociedade refratária ao consumo.

Sem contar com uma ampla rede de proteção social, e ainda traumatizada pela pandemia de covid-19 e por uma crise imobiliária que se arrasta há anos, a população chinesa resiste a gastar. Muitos chineses perderam as economias de toda uma vida em projetos imobiliários que se desvalorizaram fortemente ou, pior, nem sequer foram concluídos.

Nesse cenário, as exportações seguem sendo o grande motor da economia chinesa. Em setembro, as vendas chinesas para o exterior subiram 36,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, o maior salto desde 2021.

No mesmo período, as exportações chinesas para os EUA dispararam quase 40%. Não deixa de ser curioso, já que o presidente Donald Trump deflagrou sua cruzada tarifária contra o mundo tendo a China como alvo principal.

A realidade, contudo, falou mais alto, ao menos em relação à China. Enquanto mantém tarifas arbitrárias contra países como o Brasil e o Canadá, Washington estendeu para janeiro de 2027 a trégua tarifária com a China, o único país que conseguiu enfrentar Trump em seu próprio jogo.

Como a economia americana vem crescendo, em grande parte, na esteira do avanço da inteligência artificial (IA), os EUA precisam de uma série de produtos tecnológicos produzidos em larga escala pela China.

O fato de o motor de crescimento das duas principais economias do mundo ser atualmente a IA realça a relação de dependência entre ambas. Os EUA precisam dos componentes tecnológicos chineses, enquanto a China compensa a falta de dinamismo de seu mercado interno exportando tecnologia para os americanos e produtos de toda sorte para o resto do mundo.

Se vem garantindo crescimento econômico aos EUA e salvando as metas de crescimento estabelecidas pelo Partido Comunista Chinês, a IA não resolve os problemas estruturais das duas economias.

Apesar das substanciais diferenças entre EUA e China, ambas sofrem com o envelhecimento da população e com as pressões que esse processo, além de tudo inevitável, exerce sobre o consumo e a produtividade. Há ainda o risco de que a IA resulte na perda de milhões de empregos em todo o mundo.

Além de superar o impasse tarifário, China e EUA também precisam de um melhor entendimento mútuo em relação à IA. Dessa delicada relação depende não só a prosperidade das duas maiores economias globais, mas a de todo o mundo.