Forum Dos Leitores

Fórum dos Leitores

Veja mais sobre quem faz

Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

exclusivo para assinantes
Por Fórum dos Leitores

Eleições 2026

A soberba e a ruína

Não é preciso ser especialista em política para perceber que um dos maiores erros de Flávio Bolsonaro foi a soberba. O discurso de “já ganhou” e o convite de posse ao presidente da Colômbia são ingredientes que podem, sim, ter contribuído para a derrota. É bíblico: “A soberba precede a ruína” (Provérbios 16:18). Também acredito que outro erro foi pensar que se vence uma eleição concentrando os esforços em cortes para as redes sociais. Não se pode esquecer de que além da internet existe um mundo real. Existem brasileiros que querem mudanças para além dos discursos. As urnas cobraram o preço.

Robson Moreira da Silva

Mogi das Cruzes

*

O quarto mandato de Lula

Não comentarei ter achado muito estranha a extensão do horário de votação por decisão do ex-advogado pessoal de Lula, ministro Cristiano Zanin. Vou focar no fato de que o quarto mandato de Lula, infelizmente, se materializou. Dito isso, não vejo motivos para acreditar que: teremos um governo fiscalmente responsável; que reduziremos muito o porcentual de domicílios no País sem esgoto e água tratados; que o analfabetismo irá a zero; que as estatais apresentarão lucro; que a máquina pública será eficiente e menor; que escândalos de corrupção em série inexistirão; que o PIB superará os 4%; que as facções do crime organizado serão combatidas; que a maioridade penal chegará a 16 anos; que o Brasil voltará a ter boas relações com EUA, Argentina e Israel, e se distanciará de países que financiam o terror; que os juros poderão ser reduzidos; que ministros do STF envolvidos com Daniel Vorcaro serão julgados; que o populismo barato nunca mais seja visto; e que eu volte a ter orgulho de ser brasileiro. Como estaremos daqui a quatro anos?

Rodrigo Cezar Pereira

São Paulo

*

No frigir dos ovos

Exceto para os adeptos de carteirinha, foi uma escolha de Sofia a eleição presidencial de 2026. Mas, no frigir dos ovos, foi um castigo para Lula, que logo ali vai enfrentar conjunturas fiscal e política extremamente adversas. O pacote de bondades se esgotou e o “diabo”, ao feitio de Dilma Rousseff, pode voltar com força.

Antonio Augusto d’Avila

Porto Alegre

*

A política do medo

Acima das teorias da conspiração motivadas pelo apagão na apuração do primeiro turno e a prorrogação de Zanin no domingo, fico com os fatos. A política do medo – na qual o PT é craque – venceu. O nós contra eles continua. E que seja o fim do bolsonarismo, alternativa medíocre ao horrendo petismo.

Sérgio Eckermann Passos

Porto Feliz

*

A ilusão da virtude

Há algo de degradante numa sociedade reduzida a escolher entre o lixo e o esgoto. Mas mais deprimente é o dia seguinte: o vencedor é aclamado como “salvador da Pátria” e seus eleitores festejam como se a vitória eleitoral lhe conferisse virtudes que jamais demonstrou. Quando a disputa se limita a decidir qual dos males parece menos repugnante, o problema ultrapassa os candidatos e alcança a sociedade que os produz, os consagra e, depois, os celebra. Para o eleitor fanatizado, pouco importa a conduta de seu candidato, desde que o adversário seja derrotado. A consciência torna-se refém da paixão partidária e a moral, uma conveniência descartável. A vitória nas urnas dá legitimidade ao mandato, não superioridade moral ao eleito. Democracia não é absolvição antecipada nem licença para transformar vícios em virtudes. E, quando a degradação moral se converte em motivo de orgulho, já não basta trocar os governantes. É preciso perguntar o que aconteceu com os governados.

Oswaldo Colombo Filho

São Paulo

*

O Brasil mais dividido

A responsabilidade que a eleição presidencial deste ano colocou sobre os ombros dos cidadãos brasileiros se estendeu para muito além dos quatro anos do novo mandato do chefe de governo. Ao cabo de 16 anos só de Lula mais dois anos de Dilma Rousseff no poder, o PT fez uma campanha eleitoral em que predominou o mais inescrupuloso marketing eleitoral, em prejuízo do embate de ideias e envolvendo compra de votos com um pacote de benefícios às vésperas da eleição. E fez com que o Brasil de hoje esteja muito mais dividido. Por enquanto, apenas em termos eleitorais. Mas o terreno está fortemente preparado para fazer germinar a cizânia social. Mais quatro anos de PT podem significar a agudização da hostilidade da polarização nós versus eles, num conflito social escancarado cuja primeira vítima já é a tão fraca democracia brasileira.

Eugenio de Araujo Silva

Natal

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

DEPOIS DAS ELEIÇÕES

Lula venceu o segundo turno presidencial, e Flávio Bolsonaro anunciou que pedirá a anulação do pleito, questionando a prorrogação do horário de votação. A controvérsia deve ser esclarecida pelas instituições competentes, com transparência, fundamentos e provas. O direito de questionar deve conviver com o respeito à vontade popular e às decisões institucionais. O Brasil precisa de segurança jurídica para seguir adiante. Não cabe condenar o eleitor por sua escolha. O voto é livre, e quem vence assume a obrigação de governar para todos. Encerrada uma campanha marcada por ataques e antigas divergências, é hora de enfrentar os problemas da população. Equilíbrio fiscal, controle da inflação, saúde, educação, segurança e empregos exigem providências. O cidadão espera que as promessas se transformem em serviços eficientes e melhores condições de vida. O País também precisa de uma oposição forte e determinada, capaz de fiscalizar, cobrar e apresentar alternativas. Sua responsabilidade inclui apoiar medidas que atendam ao interesse público. Parlamentares e governadores devem honrar seus compromissos. Os Três Poderes precisam respeitar suas competências e atuar conforme a Constituição. As eleições terminaram; os deveres democráticos continuam. Governo e oposição devem contribuir para o desenvolvimento social, humano e econômico. O Brasil precisa avançar. A hora é agora.

Dirceu Cardoso Gonçalves

São Paulo

*

TORCER E ESCOLHER

A Copa do Mundo tem o poder de transformar o Brasil. Vestimos verde e amarelo, reunimos amigos e familiares, vibramos a cada gol e sofremos a cada derrota. Torcer é prazeroso. Mesmo quando perdemos, a emoção faz parte do espetáculo, e a vida segue. Nas eleições, também somos convocados a escolher. Mas, diferentemente do futebol, não basta vestir uma camisa, vibrar com um discurso ou comemorar uma vitória. O voto exige reflexão, comparação e responsabilidade. Afinal, não estamos escolhendo quem levantará uma taça, mas quem tomará decisões capazes de afetar nossas vidas por anos. E como é desgastante escolher! A campanha se prolonga em acusações, confrontos e promessas, enquanto o eleitor tenta separar fatos de discursos e propostas viáveis de intenções anunciadas. Não basta perguntar o que um candidato promete. É preciso saber como pretende cumprir, quanto custará e quem pagará a conta. Na Copa, o apito final encerra a disputa. Nas eleições, o resultado marca o início de uma nova etapa, cujas consequências serão sentidas por toda a população. Torcer nos proporciona a alegria de participar de uma paixão coletiva. Escolher nos impõe o dever de pensar além das emoções e assumir a responsabilidade pelo futuro. No futebol, podemos torcer sem medo de errar. Nas urnas, precisamos escolher sabendo que as consequências vão muito além do dia da votação.

Izabel Avallone

São Paulo

*

O TEMPO DIRÁ

Entre as declarações de Lula após o anúncio oficial de sua vitória sobre Flávio Bolsonaro, habilitando-o a exercer um quarto mandato presidencial, destaca-se aquela na qual afirma que seu próximo governo será dirigido a todos os brasileiros, mesmo aos que nele não votaram. Afinal, isso é o que se espera de quem galgou o mais alto posto do País com mais de 51,79% dos votos válidos. O povo, no entanto, já ouviu declaração semelhante em 2022, quando, em seu primeiro pronunciamento após ser eleito para exercer o presente mandato, enfatizou o mesmo compromisso. Mesmo levando em consideração que é natural que o jogo político de poder tenda a favorecer as hostes aliadas e, no embalo, obstaculizar o caminho dos adversários, é inevitável o questionamento: cumpriu ele, ao longo dos últimos quatro anos, em proporções razoáveis, a promessa feita em 2022? Se não, fica a dúvida em relação às suas intenções no mesmo sentido a partir de 5 de janeiro de 2027. Caso se avalie que sim, a atual reiteração seria desnecessária. O tempo responderá.

Paulo Roberto Gotaç

Rio de Janeiro

*

DISCURSO DE LULA

O que mais me chamou a atenção no pronunciamento de Lula após a vitória foi seu discurso de estadista, afirmando que governa para todos. Ele mostrou que a eleição foi apenas o primeiro passo para fortalecer a democracia em nosso país, pois a mentira da extrema direita continua em vigor, como vimos pelo que declarou o oponente derrotado.

Adilson Roberto Gonçalves

Campinas

*

VENCENDO OBSTÁCULOS

Apesar dos desafios, se o presidente Lula colocar o País em primeiro plano, acima dos interesses eleitorais, e só nomear profissionais de primeira linha para funções executivas e indicar ao Senado juízes de notório saber para os tribunais superiores, estará resgatando o respeito e a autoridade das instituições – tribunais, agências reguladoras e estatais – e, em decorrência, a confiança dos empreendedores nacionais e estrangeiros para investir no País, condição necessária e indispensável para o Brasil encontrar o tão sonhado caminho da prosperidade.

Nilson Otávio de Oliveira

São Paulo

*

REELEIÇÃO

Lula conseguiu se reeleger. Será importante que seja informado de que já estamos no século 21 e entenda que precisa se cercar de jovens inteligentes e bem formados para que nosso país reencontre o caminho do progresso e consigamos proporcionar aos brasileiros uma boa qualidade de vida. Quem sabe, depois da derrota no primeiro turno, Lula tenha entendido que seu terceiro mandato foi muito ruim e que precisa mudar para deixar um legado à altura de sua carreira.

Aldo Bertolucci

São Paulo

*

ALÍVIO E MÁGOA

Agora, terminada a eleição presidencial, sinto-me aliviado porque não vamos passar novamente por um governo bolsonarista, que tantas sequelas deixou no País. Mas fiquei com uma mágoa da trupe que queria voltar ao poder por ter me obrigado a votar na esquerda da ideologia do atraso.

Abel Pires Rodrigues

Rio de Janeiro

*

REVER A HISTÓRIA

Itamar herdou uma bomba e uniu todos os espectros políticos em prol da reconstrução do Brasil. FHC fez as reformas políticas e sociais necessárias. Tudo sem briga, sem gritaria, sem lacração ou extremismo. Nós, da direita civilizada, precisamos resgatar isso. O bolsonarismo é tão odioso quanto o lulismo. Não serve!

Sérgio Eckermann Passos

Porto Feliz

*

VITÓRIA DA DEMOCRACIA

A nova vitória do presidente Lula para o quarto mandato presidencial representa que as expressões democráticas foram vitoriosas nessas eleições. Esperemos que ele tenha condições de cumprir esse novo mandato para que possamos ter uma melhora na qualidade de vida da nossa imensa população.

José de Anchieta Nobre de Almeida

Rio de Janeiro

*

PAÍS ESQUISITO

A maioria dos governos estaduais é conservadora. O Senado e a Câmara foram renovados à direita. São dois fatos irrefutáveis divulgados pela mídia. No entanto, quem os colocou lá votou em um presidente progressista. O maestro soberano Tom Jobim continua atual: “O Brasil não é para principiantes.”

Antonio Manoel Vasques Gomes

Rio de Janeiro

*

ETARISMO

A vitória de Lula foi também contra o etarismo, que, aliás, está presente em boa parte dos problemas enfrentados por pais e professores em relação aos jovens que não querem saber de estudar e não aceitam a autoridade dos mais velhos. Grande parte da responsabilidade cabe à moderna tecnologia, principalmente à internet, que empanturra nossas mentes com enxurradas de informações. As mentes jovens mais sensíveis ficam achando que já sabem de tudo e passam a não aceitar a contribuição dos mais velhos. Essa virada no segundo turno mostra-nos que nem tudo está perdido e que existe uma boa parcela de jovens ainda livres dessa praga.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

São Paulo

*

FRAGILIDADE POLÍTICA

O encerramento do pleito de 2026 confirmou a vitória de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, que finalizou sua campanha mantendo o mesmo tom do início: a distorção da realidade e a recusa em aceitar os fatos. Apesar das promessas prévias de respeitar o resultado, o candidato viu as urnas confirmarem a rejeição à sua candidatura, evidenciando uma fragilidade política que acompanhou toda a sua trajetória. Ao invés de demonstrar compromisso com o processo democrático, Flávio escolheu alimentar suspeitas infundadas. Em declarações públicas, omitiu que sua própria campanha havia pedido a prorrogação do horário de votação, sugerindo de maneira cínica que a Justiça atendera somente a um pleito do PT. Embora a decisão do Supremo Tribunal Federal possa ser alvo de críticas por ter criado confusão nos momentos finais da votação, a medida não interferiu no resultado das urnas e não valida as alegações de contestação do candidato.

Gilberto Pereira Tiriba

Santos

*

PRORROGAÇÃO DA VOTAÇÃO

Agora, Flávio Bolsonaro pediu a anulação da eleição sob a alegação de que houve favorecimento da parte do Supremo Tribunal Federal para o candidato Lula, com a prorrogação do tempo de votação. Mas ele deve se lembrar de que a sua própria campanha também solicitou a prorrogação. Será que se esqueceu de que estaria na mesma situação? E para terminar, só uma perguntinha: após a derrota nas urnas, será que Flávio irá aceitar a sugestão do seu irmão que é ex-deputado federal cassado para fugir do Brasil?

Tomomasa Yano

Campinas

*

IMPREVISTO E PREVISTO

O resultado das eleições de 2026 pode ser entendido a partir das perspectivas do imprevisível e do previsível. A virada na vantagem do porcentual de votos do PT em relação ao PL foi, sem dúvida, imprevisível. A rejeição do resultado final do pleito por parte do candidato Flávio Bolsonaro, além de previsível, já estava escrita nas estrelas. É próprio de regimes autoritários e conservadores flertar com a rigidez dos processos burocráticos. Trata-se de um compromisso cego com o excesso de positivismo. Seguir a ordem é o único meio de alcançar o progresso. Toda e qualquer flexibilidade liberal é diagnosticada como anarquismo. Conclui-se daí que prolongar o tempo de votação para que a democracia seja efetivamente realizada deixa de ser um direito e passa a representar uma ameaça à lisura da eleição. Mas que lição podemos tirar dessa história toda? Mais do que um otimismo superficial, é melhor ser realista. O Estado Democrático de Direito é uma realidade complexa, uma casa comum para o previsto e o imprevisto.

Luís Fabiano dos Santos Barbosa

Bauru

*

STF

Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ele poderá indicar pelo menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal ao longo de seu novo mandato. “E vai rolar a festa, vai rolar...”

Roberto Solano

Rio de Janeiro