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O custo Lula

É essencial que o presidente reeleito nomeie o novo ministro da Fazenda o mais rapidamente possível para apaziguar os investidores e conferir alguma credibilidade fiscal a seu governo

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Por Notas & Informações

A trégua que o mercado financeiro havia dado ao País acabou já nas primeiras horas de ontem, com o derretimento da Bolsa e a disparada do dólar. Completamente ignorado durante a campanha eleitoral, o desequilíbrio estrutural das contas públicas terá de ser enfrentado com urgência. É essencial, portanto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomeie seu novo ministro da Fazenda o mais rapidamente possível para apaziguar os ânimos dos investidores e conferir alguma credibilidade fiscal a seu governo.

Passou da hora de Lula parar de lutar contra moinhos de vento e compreender a lógica que guia o mercado financeiro e suas apostas. É fato que ninguém em sã consciência acreditava na viabilidade da promessa do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de promover um corte da ordem de R$ 200 bilhões nas despesas públicas com base em ações cosméticas, como o combate à corrupção e a revisão das compras públicas. Mas enquanto a equipe de campanha do senador vendia essa possibilidade nos bastidores, Lula classificava os clamores pela busca de um superávit primário de “babaquice”, dizia não estar preocupado com a dívida pública e criticava a autonomia do Banco Central (BC).

Logo, entre as justificadas dúvidas sobre o ajuste fiscal do candidato da oposição e a certeza de que a política fiscal do atual governo seria mantida como está, os investidores preferiram dar algum crédito à primeira opção. Bolsa, dólar e juros passaram a refletir essa aposta após Flávio ter ficado à frente do petista no primeiro turno da disputa eleitoral, ainda que os fundamentos da economia não dessem o menor respaldo a nada disso.

Encerrada a eleição, já nas primeiras horas dessa segunda-feira as ações das empresas despencaram, ocasionando o primeiro circuit breaker desde 2020; o câmbio disparou, na maior alta em um único dia desde janeiro de 1999; e a curva de juros futuros empinou para cima, a despeito de não ser essa a sinalização dada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua reunião mais recente, em setembro.

Não foi mera ojeriza ao petista, mas ajuste de posições em direção ao cenário que havia até outubro, no qual a existência de um problema fiscal nem sequer era reconhecida pelo presidente da República. Como essa correção pode levar dias ou semanas, o melhor que Lula pode fazer para trazer alguma serenidade ao mercado é anunciar o quanto antes o nome do novo chefe da equipe econômica.

Seria um desastre se Lula resolvesse manter o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, ou promover ao cargo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Ambos provaram-se incapazes de dizer “não” ao chefe e atuaram como cabos eleitorais, e não como ministros, durante a disputa presidencial.

O nome do vice-presidente Geraldo Alckmin, que teve atuação elogiada nas negociações para reduzir o alcance do tarifaço imposto pelos EUA aos produtos brasileiros, circulou como potencial ministro da Fazenda já na reta final da campanha, como uma espécie de calmante para o mercado – afinal, Alckmin um dia já foi tucano e tem perfil austero. Também está cotado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que ganha pontos por sua ortodoxia, tornando-se indigesto para os petistas inconformados com a manutenção da taxa de juros. Correm por fora o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Renan Filho (MDB-AL).

Seja quem for o nome escolhido, contudo, o mais importante é que Lula assuma a responsabilidade fiscal como princípio de seu quarto e último mandato presidencial. Faltam quase R$ 40 bilhões no Orçamento de 2027 para custear todas as bondades que foram aprovadas nas últimas semanas – sem contar as promessas feitas sem qualquer lastro, como o perdão à dívida das empresas do Simples Nacional, o fornecimento de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a tarifa zero para o transporte público aos fins de semana.

Não há espaço fiscal para malabarismos. A farra eleitoral custou caro e caberá ao próprio governo lidar com as consequências de suas escolhas populistas.