Gerando resumo
Qual a melhor massa folhada pronta?
Paladar Testou as principais marcas de massa folhada disponíveis nas redes de supermercado. Crédito: Estadão
Este Paladar Testou já entrou para a lista dos mais desafiadores dos últimos anos. A maratona começou durante a peregrinação pelas principais redes de supermercado em busca de marcas para compor a seleção de produtos que seriam avaliados às cegas pelos jurados.
E a confusão começou, de cara, na definição usada por cada uma das marcas nas embalagens. “Massa folhada laminada”, “semi-laminada”, apenas “massa folhada”. Algumas marcas oferecem opções para preparos específicos: tortas, empanadas, canapés.
Quais delas, afinal, poderiam ser testadas de maneira equivalente e justa? Suspendemos as compras imediatamente. Hora de procurar ajuda especializada antes de retomar as buscas. O primeiro profissional chamado para nos auxiliar na questão foi o chefe Henrique Eide, da Kio Bakehouse. A entrevista rendeu um pequeno manual sobre cada um dos tipos de massa folhada disponíveis nos supermercados.
Como escolher a massa folhada mais indicada para a sua receita
Elucidadas as dúvidas, retomamos o garimpo das massas. Decidimos testar apenas massas folhadas sem fermento, algumas denominadas como laminadas, outras apenas com o nome “massa folhada”, sem complementos adicionais. “É o tipo de massa folhada usado no preparo de doces como o mil folhas”, explicou Henrique Eide.
Mas... Como confusão pouca é bobagem, outras “pegadinhas” surgiram no dia do teste. Tínhamos 5 marcas selecionadas de acordo com os pré-requisitos indicados pelo nosso especialista. Assim que abrimos as embalagens, a primeira surpresa: uma delas tinha cinco vezes a espessura das demais. Henrique entrou em cena novamente e constatou: “Não é massa folhada laminada para doces, tem fermento na lista de ingredientes”. Uma marca a menos para o teste...

Para que a avaliação das marcas fosse o mais justa possível, decidimos assar quadradinhos iguais de massa de cada uma das marcas selecionadas de uma só vez. Resultado desastroso: massas de duas marcas queimaram enquanto as demais ainda estavam assando. Apesar de todas terem a mesma espessura in natura.
Sou brasileiro e não desisto nunca!
Optamos então por assar cada marca em uma bandeja e acompanhar de perto o tempo de forno de cada uma delas. Para dar um pouco mais de emoção ao teste, Henrique assou quadradinhos de sua própria massa artesanal para que os jurados usassem como parâmetro de avaliação.
Dessa vez deu certo: quadradinhos das 4 marcas industrializadas, além da bandeja com a massa artesanal, assados com sucesso. Hora da avaliação às cegas com o time de jurados composto por Roberta Nepomuceno, da Le Pain Quotidien, Veronica Kim, da @bykimconfeitaria, Anderson Lauer, do Luce @lucegastronomia, e Claudia Rezende, da Zestzing Padaria Artesanal @zestzing_padaria_artesanal.

Os especialistas foram unânimes sobre o sabor: nenhuma das amostras tinha gosto real de manteiga, ingrediente obrigatório em uma massa folhada feita artesanalmente. Até esse momento, eles ainda não haviam tido acesso às embalagens dos produtos, revelada somente após o término do teste e a contagem de pontos.
Uma das massas folhadas foi considerada de cara muito superior às demais. Tanto no quesito sabor quanto no que diz respeito a textura, aroma e aparência, outros critérios usados na avaliação.
Quando comparadas a versão artesanal, todas cresceram bem menos no forno, o que também não surpreendeu o júri.

Enquanto os jurados degustavam os produtos, nosso time lançou algumas perguntas que quase todo mundo tem na hora de escolher uma massa folhada no supermercado. Começamos com a mais básica: qual o melhor uso culinário para as massas folhadas industrializadas? Verônica Kim acredita que, apesar das diferenças gritantes em relação às massas artesanais, as folhadas de supermercado são opções que podem resolver com rapidez o preparo de um Bife Wellington ou um de um peixe que vai ao forno envolto em massa folhada, como o Salmão Folhado Fácil.
E como a emoção não tem fim neste Paladar Testou, quando o teste foi encerrado, e o ranking revelado aos especialistas junto com as embalagens de cada um dos produtos, mais um deles foi eliminado. Uma das massas anunciadas como “folhada” na embalagem era, na verdade, uma massa simples para o preparo de pastéis. O termo folhado foi usado como referência para uma massa separada em folhas na embalagem - mais uma pegadinha para o consumidor.
Conheça o regulamento do Paladar Testou
Em todas as provas realizadas por Paladar, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. E, nos dias anteriores ao teste, as amostras são adquiridas* em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista. No caso de produtos artesanais, eles são comprados nas lojas on-line das próprias marcas de forma anônima. Ou seja, em ambos os casos, as marcas não sabem que seus produtos serão submetidos a uma degustação às cegas. O Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial. Além disso, o júri também não tem conhecimento de quais marcas fazem parte da seleção antes do resultado da apuração.
*Os preços dos produtos foram apurados na segunda quinzena de julho de 2025
Leia na íntegra o regulamento do Paladar Testou 2025
O teste às cegas foi realizado em uma padaria especializada em folhados na Vila Madalena, a Kio Bakehouse @kio.bakehouse, do chef Henrique Eide @henriqueide.
Abaixo, você confere a massa folhada que mais agradou, seguida das duas marcas que permaneceram em jogo neste teste. Na sequência, o ranking com as cinco marcas avaliadas com os comentários do júri e os motivos que levaram duas delas a serem desclassificadas no percurso.
As melhores marcas de massa folhada pronta

Arosa
A massa mais famosa entre as folhadas vendidas no supermercado levou a melhor, disparada na frente na pontuação. “Uma massa que lembra o sabor da manteiga, crocante e bem folhada”, avaliou um dos jurados. O visual também agradou, a massa cresceu bonita no forno. “Uma massa que desmancha na boca”, elogiou outro jurado.

Mezzani
A massa que conquistou o Selo Prata agradou parcialmente o júri. Todos consideraram o sabor agradável. Outros quesitos, porém, mereciam mais atenção. A massa apresentou aroma praticamente neutro e cresceu menos que as demais avaliadas. Alguns gostaram da textura crocante da massa por fora. Por dentro, porém, ela deixou um pouco a desejar. O descompasso de texturas ficou evidente na folhagem irregular da massa.

MassaLeve
A marca que ficou em terceiro lugar também merecia mais atenção na avaliação dos especialistas. A aparência bonita da massa folhada ao sair do forno impressionou positivamente o time. Já o sabor e a textura não agradaram tanto.
As 5 marcas selecionadas para avaliação, na opinião do júri, em ordem alfabética

A massa mais famosa entre as folhadas vendidas no supermercado levou a melhor, disparada na frente na pontuação. “Uma massa que lembra o sabor da manteiga, crocante e bem folhada”, avaliou um dos jurados. O visual também agradou, a massa cresceu bonita no forno. “Uma massa que desmancha na boca”, elogiou outro jurado (R$ 19,90, 300 g)
A massa folhada da marca foi desclassificada no final por não ser uma massa folhada, apesar da descrição apontada na embalagem (R$ 15,88, 350 g)
A marca que ficou em terceiro lugar também merecia mais atenção na avaliação dos especialistas. A aparência bonita da massa folhada ao sair do forno impressionou positivamente o time. Já o sabor e a textura não agradaram tanto (R$ 13,98, 300 g)
A massa que conquistou o Selo Prata agradou parcialmente o júri. Todos consideraram o sabor agradável. Outros quesitos, porém, mereciam mais atenção. A massa apresentou aroma praticamente neutro e cresceu menos que as demais avaliadas. Alguns gostaram da textura crocante da massa por fora. Por dentro, porém, ela deixou um pouco a desejar. O descompasso de texturas ficou evidente na folhagem irregular da massa (R$ 9,39, 300 g)
A massa folhada da marca foi desclassificada antes de ir para o forno por ter cinco vezes a espessura das demais. O veredito do nosso especialista consultor: a massa tem fermento, o que a coloca em outra categoria de massa folhada, a semi-laminada. A embalagem ilustrada com um doce folhado, na teoria feito com massa folhada laminada, pode confundir o consumidor desavisado (R$ 16,98, 450 g)
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