Foto: Leo Martins/Estadão
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Macunaíma é eleito o melhor drinque e se firma como clássico moderno da coquetelaria brasileira

Nascido de forma despretensiosa no bar Boca de Ouro, o coquetel à base de cachaça e Fernet conquistou bares em todo o País e ganhou lugar de destaque no Prêmio Paladar

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Se Hemingway tinha seu daiquiri, Mário de Andrade tem seu Macunaíma. Mas, ao contrário do clássico caribenho que embalava as madrugadas do escritor americano, o coquetel paulistano nasce com sotaque brasileiro, alma irreverente e um toque de antropofagia líquida.

Macunaíma, do bar Boca de Ouro, eleito o melhor drinque, na trilha Honra ao Mérito, do Prêmio Paladar. Foto: Leo Martins/Estadão

Criado no bar Boca de Ouro, de Arnaldo Hirai e Renato Martins, o drinque nasceu despretensiosamente — o bar, aliás, abriu as portas com foco em cerveja. Mas foi quando Hirai resolveu brincar com os ingredientes que tinha à mão, que surgiu a combinação certeira: cachaça, Fernet, xarope de açúcar e limão. Tudo batido com força para formar uma espuminha no topo (sem clara de ovo, que fique claro!) e servido no copo baixinho típico, sem gelo.

Assim como o personagem de Mário de Andrade, que nasceu para ser “o anti-herói” brasileiro, o sucesso do Macunaíma está justamente nas suas origens inesperadas — e é justamente isso que o torna tão único. Criado no auge da coquetelaria sofisticada paulistana, o Macunaíma surgiu no meio do caminho, em um bar despretensioso e das mãos de um criador que nem bartender era. Um clássico improvável, simples, direto e capaz de traduzir a nossa diversidade cultural — exatamente como o Brasil que carrega no nome.

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O Macunaíma, drinque criado no bar Boca de Ouro por Arnaldo Hirai, já se transformou em um marco para a coquetelaria nacional Foto: LEO MARTINS

Logo, o drinque caiu nas graças dos bartenders, não só de São Paulo. Hoje, o Macunaíma está nas cartas de bares pelo Brasil inteiro. Apesar de jovem, nascido em 2014, já é tratado por muitos como um “clássico moderno da coquetelaria nacional”, como definiu com precisão Gilberto Amendola, jornalista que acompanha de perto a cena etílica da cidade. “O Macunaíma tem uma sacada incrível — dentro da sua simplicidade, um sour com toque de Fernet, Hirai conseguiu capturar aquilo que todo bartender sonha: criar um clássico por meio da simplicidade e se tornar emblemático.”

Por essas e outras, foi eleito o melhor drinque na trilha Honra ao Mérito do Prêmio Paladar 2025 — uma homenagem que celebra os sabores, experiências e profissionais que moldaram (e continuam moldando) a cena gastronômica da cidade.

Aviso importante: ao se acomodar em um dos bancos altos do longo balcão — de onde dá pra ver Hirai em ação todas noites, preparando o Macunaíma e outros coquetéis da carta do Boca de Ouro — não cometa o erro de ignorar o bolovo da casa. Ele é o par perfeito para acompanhar sua jornada etílica nesse discreto bar de Pinheiros.

Boca de Ouro

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R. Cônego Eugênio Leite, 1121, Pinheiros

Funcionamento: 18h às 0h. Fecha domingo e segunda-feira.

Instagram: @barbocadeouro

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