Gerando resumo
Sabe quando a comida se confunde com a diversão que o restaurante proporciona? Pois o Mocotó é um lugar onde se come e se diverte deliciosamente. É um belo programa de paulistano – e de muitos gringos que frequentam a casa, na Zona Norte, entre eles chefs celebridades internacionais, além de brasileiros de todos os cantos. A filosofia da casa é a de que o restaurante tem que restaurar, quer dizer, tem que fazer as pessoas saírem melhor do que entraram. E a diversão começa na (inevitável) fila de espera que se forma nos fins de semana, há mais de duas décadas, onde a caipirinha de três limões e os petiscos aliviam qualquer eventual desconforto enquanto não houver mesa livre.

A história desse endereço na Vila Medeiros, fundado pelo pernambucano Zé Oliveira, há 52 anos, como um armazém de produtos do norte, correu o mundo. Lá pelas tantas, além de vender jabá, farinhas e feijão de corda, entre outras coisas, o seu Zé começou a servir também caldo de mocotó. Depois, um prato ou outro e, com o tempo, o lugar virou um restaurante simples, de comida sertaneja. E o Rodrigo, filho do seu Zé, desde pequeno, estava sempre na cozinha “só para ficar perto do pai”, como ele gosta de contar. Pois acabou se formando em gastronomia, entrou na cozinha para valer, revisou técnicas e processos, sem perder a essência. E transformou o restaurante simples da periferia em uma meca gastronômica.
Na fila imperam as porções, o torresmo frito na hora, carnudo, macio por dentro, com a crosta sequinha e crocante; os dedinhos de tapioca servidos com melado de cana; o croquete de carne de sol. O caldo de mocotó e a mocofava, mistura do caldo com a favada, também fazem sucesso. A caipirinha de caju, cachaça, limão cravo e mel disputa a preferência com a minha nêga, que leva cachaça envelhecida em amburana, limão taiti e xarope de rapadura. Ah, tem a jambu tônica também, feita com cachaça com jambu, água tônica e limão.
Na mesa, o jeito é pedir vários pratos, em porções menores, afinal, não se vai ao Mocotó todos os dias. O feijão de corda com maxixe, chuchu, abóbora e quiabo é obrigatório. O baião de dois, imperdível (ignore os comentários de puristas de que a receita não é a tradicional, você vai raspar o prato). A carne de sol é assada na brasa, com manteiga de garrafa, vem com alho assado, pimenta biquinho e chips de mandioca. Não dá para perder também a carne-seca desfiada com cebola roxa puxada na manteiga de garrafa, acompanhada de mandioca cozida e jerimum assado. Sobremesa? Várias ótimas, mas vá de pudim de creme brûlée de doce de leite e umburana. Programão. Tanto na Vila Medeiros, como na unidade inaugurada na Vila Leopoldina, na Zona Oeste.
Av. Nossa Sra. do Loreto, 1100 - Vila Medeiros, São Paulo - SP, 02219-001.
R. Aroaba, 333 - Vila Leopoldina,






