Gerando resumo
Conheça o Formosa Hi-Fi, novo listening bar no centro de São Paulo
No Viaduto do Chá, empreendimento revitalizou galpão esquecido e será dedicado a audição de vinil. Crédito: Danilo Casaletti e Bruno Nogueirão | Estadão
Tomate sando (R$ 42), tuna tzatziki (R$ 64), croquete de milho (R$ 46) e picolé romeu e julieta (R$ 36) estão entre as opções gastronômicas do CRN.932, bar em Pinheiros que também oferece coquetéis autorais. A casa foi criada pelos sócios da marca de moda CARNAN, Paulo Henrique Carneiro e Breno Fernandes. Com cardápio assinado pelo chef Gustavo Prado, o lugar aposta em uma cozinha contemporânea que combina referências orientais, cariocas e mineiras, além de drinques que incorporam ingredientes e memórias pessoais dos fundadores.
A proposta é oferecer preparos conhecidos com combinações que lhes deem personalidade, sem abrir mão da informalidade de um bar. “A gente queria muito que fosse igual à CARNAN, que seja uma linha de coisas que não são grandes invenções, mas que são coisas muito boas”, conta Fernandes. Essa ideia aparece tanto nos pratos, que vão de sanduíches japoneses a preparos com carne crua, quanto na coquetelaria.
O projeto também nasceu da vontade de criar um ambiente para receber pessoas para além do universo da moda. “A loja tem muito uma carinha de casa, sabe? E a gente gosta muito de receber as pessoas na nossa casa. Então a ideia do bar é que a gente recebesse as pessoas na nossa casa de noite também”, explica Fernandes.
A proposta acompanha um movimento em que marcas buscam construir relações com o público para além dos produtos que vendem. Mas por que tantas marcas estão investindo em gastronomia e o que essa estratégia tem a ver com o conceito de terceiro lugar? Entenda nesta outra reportagem de Paladar.

Leia também
Uma extensão da CARNAN
O CRN.932 surgiu quando os sócios decidiram deixar um prédio comercial, onde mantinham o negócio de moda, e procurar um endereço de rua para a CARNAN. A área externa do novo espaço foi pensada como uma oportunidade de expandir a experiência oferecida pela marca. Entre as possibilidades consideradas estavam a abertura de um café e a criação de um bar, opção escolhida por se aproximar dos hábitos e interesses dos fundadores.
A escolha também passou pela preferência dos sócios por ambientes intimistas, com luz baixa, música, vinhos e coquetelaria. “A gente faz roupa pra gente, e fizemos um bar pra gente”, resume Fernandes.

Apesar de compartilhar a identidade da CARNAN, o estabelecimento tem entrada própria e recebe clientes mesmo quando a loja está fechada. Assim, é possível frequentar o bar sem conhecer previamente a marca de roupas. Segundo Fernandes, essa autonomia ajuda a consolidar o CRN.932 como um ponto de encontro próprio.
A gastronomia ganha espaço
Inicialmente concebido com maior ênfase na coquetelaria, o bar passou a investir em um cardápio mais amplo à medida que os sócios perceberam a receptividade dos clientes aos pratos.
“Inicialmente era pra ser um bar só de coquetelaria e a gente quis trazer um pouco de comida pra acrescentar e a gente viu que a comida tinha muito sucesso. Então a gente falou assim, beleza, acho que a comida tem que ter a mesma representatividade do que os drinks e os vinhos”, conta Fernandes.
Entre as opções do cardápio estão o steak tartare (R$ 62), servido com brioche da Martoca, aliche, mostarda, alcaparra e picles; o katsu sando de porco (R$ 54), com pão shokupan, filé-mignon suíno, maionese de gergelim, repolho, furikake e coentro; e o crudo de atum oriental (R$ 69), preparado com molho oriental e cebolinha.

Para compartilhar, há o taco de lula (duas unidades, R$ 52), acompanhado de salsa roja, cebola queimada, coentro e limão, e o harumaki de cogumelos (duas unidades, R$ 42), recheado com cogumelos e queijo estepe.
A carta de drinques também reúne receitas que dialogam com as referências dos sócios. Entre os autorais está o coquetel Romeu e Julieta (R$ 44), preparado com tequila, goiaba, limão-taiti e queijo. Já o Ipanema (R$ 42) combina chá-mate tostado da casa, rum ou uísque, limão e açúcar. O Colonato (R$ 40), por sua vez, mistura cachaça Amburana, amaretto, café extraído a frio (cold brew) e bitter de laranja.
As escolhas recuperam experiências pessoais dos fundadores. Enquanto o coquetel Romeu e Julieta foi inspirado na infância mineira de Paulo Henrique Carneiro, o mate usado no Ipanema remete à origem carioca de Fernandes. São referências que ajudam a imprimir uma identidade própria ao cardápio sem se restringir a uma única tradição culinária.

Um cardápio com referências próprias
Para Gustavo Prado, a cozinha do CRN.932 se constrói a partir do diálogo entre diferentes influências, sem que elas determinem rigidamente a criação dos pratos.
“Eu definiria o CRN.932 como um encontro entre a cultura oriental, o Rio de Janeiro e Minas, mas sem transformar isso em uma regra rígida. A ideia é usar essas referências como ponto de partida para criar uma cozinha de bar contemporânea, leve e elegante”, afirma o chef. A relação entre cozinha e coquetelaria também orienta o desenvolvimento do menu. Embora a cozinha e o bar tenham criações próprias, a intenção é que pratos e drinques componham uma experiência integrada. “A cozinha e o bar têm criações próprias, mas existe uma conversa muito próxima entre os dois. Acho importante que o cliente perceba uma experiência única, e não duas operações independentes funcionando dentro do mesmo espaço”, diz Prado.

Na elaboração do cardápio, o chef também considera as necessidades da operação. A proposta é ampliar as possibilidades da cozinha sem romper com a identidade que o bar já vinha construindo, equilibrando referências, execução e a experiência de quem frequenta a casa.
Enquanto a CARNAN trabalha com coleções e lançamentos, o CRN.932 oferece outra forma de contato com o público, por meio da gastronomia e da convivência. Para os sócios, a prioridade agora é fortalecer a operação atual. Entre as possibilidades futuras estão encontros gastronômicos com chefs convidados e iniciativas voltadas à carta de drinques, sem planos definidos de expansão por enquanto.
Serviço
Onde: Rua Cônego Eugênio Leite, 932, Pinheiros, São Paulo. De terça-feira a sábado, das 19h à meia-noite.
Veja também: Mambo Italiano: faça um drinque do melhor bar do mundo em casa
O mambo Italiano é uma criação do Dante, de NY, servida no Astor, em São Paulo. O coquetel leva cachaça e é finalizado com cerveja. Crédito: TV Estadão





