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BRASÍLIA - O advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi a pessoa que fez o maior aporte em bets no País, em 2025, e movimentou R$ 5 bilhões com casa de apostas no período. Ele é investigado por suspeita de lavar dinheiro com jogos online.
A cifra bilionária diz respeito a prêmios que foram reapostados. O valor depositado por ele, de R$ 258 milhões, é quase o dobro do aporte feito pelo segundo maior apostador. Tomaz sacou R$ 200 milhões no ano.

Os dados estão em uma nota técnica do Ministério da Fazenda que foi revelada pelo UOL. O Estadão também teve acesso ao documento.
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), da Fazenda, abriu um processo administrativo contra a casa de apostas Blaze por avaliar que a bet não tomou as medidas que deveria tomar para coibir possível lavagem de dinheiro por parte do advogado.
Procurado, o advogado afirmou que “os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal”. Também disse que O advogado Willer Tomaz nunca recorreu a ferramenta automatizada nem fracionou operações para contornar qualquer controle.
A Foggo Entertainment, empresa dona da marca Blaze no Brasil, informou em nota que atua em estrita conformidade com a legislação e a regulação vigentes, adotando políticas rigorosas e contínuas de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), monitoramento de transações e comunicação de operações atípicas aos órgãos competentes (leia mais abaixo).
Willer Tomaz tem um amplo espectro de relações políticas em Brasília. Entre os amigos mais próximos estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e o senador Weverton Rocha, vice-líder do governo Lula no Senado.
Ao longo de 2025, Willer Tomaz fez 1936 aportes, sendo cada um de R$ 133 mil, em média, e 3.408 saques, com média de R$ 58 mil. A nota técnica do Ministério da Fazenda apontou “múltiplos depósitos ou saques” realizados “em curtíssimo espaço de tempo”.
Em 30 de outubro, por exemplo, ele fez 14 depósitos de R$ 500 mil, em horários próximos, o que significou aporte de R$ 7 milhões em um único dia. No dia seguinte, o advogado fez 12 saques de R$ 500 mil em um intervalo de 18 minutos, um total de R$ 6 milhões retirados. O documento aponta suspeitas de uso de sistema automatizado e “dissimulação”.
Em manifestação enviada à Secretaria de Prêmios e Apostas, a Blaze informou que as apostas de Willer não foram nenhuma vez objeto de análise. Além disso, a bet nunca alterou a classificação de “risco médio” atribuída ao advogado, desde que ele se cadastrou na casa de apostas.
A regra de funcionamento das casas de apostas exigia a elevação da classificação do risco em casos de “padrões atípicos de jogos online” e de transações com “volumes elevados”.
“Essa constatação se torna ainda mais flagrante ao identificar-se que o cliente em questão também poderia se enquadrar na categoria de risco máximo utilizada pela empresa (‘crítico’), em razão de nela constar o elemento da ‘potencial violação sistêmica da legislação aplicável’, dado que uma rápida pesquisa em fontes abertas na internet mostra que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção”, frisou o documento, de 1º de outubro.
Willer Tomaz é alvo de uma investigação da Polícia Federal por indícios de lavagem de dinheiro com apostas online. O inquérito aponta suspeita de que as apostas eram simulação. O advogado se diz viciado em jogo e entrou na Justiça para tentar recuperar dinheiro perdido.
Ele também está na mira da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. A investigação suspeita que ele atuou como “hub financeiro” de outros envolvidos no esquema. Em outra frente, o advogado é suspeito de receber informações sigilosas vazadas indevidamente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Ministério Público Federal (MPF).
Uma das investigações inicialmente abertas contra Willer alcançou o senador Flávio Bolsonaro. O inquérito, que tem a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeita de lavagem de dinheiro na relação do parlamentar com Tomaz.
Essa nova investigação surgiu a partir de provas colhidas em um inquérito da PF que tramitava no Rio Grande do Sul na primeira instância e apurava suspeitas envolvendo plataformas de pagamento digital e o setor de apostas.
Após análise da quebra de sigilo da nuvem do celular de Willer Tomaz, os investigadores identificaram vínculos entre o advogado e o senador Flávio Bolsonaro, que tem foro privilegiado. Por isso, o caso foi enviado ao STF.
Em nota, Willer Tomaz afirmou que os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e estão declarados à Receita. Também disse que nunca fracionou operações para contornar qualquer controle.
A Foggo informou que “atua em estrita conformidade com a legislação e a regulação vigentes” e que Willer Tomaz atuou somente como usuário da plataforma, “não possuindo qualquer tipo de participação societária, direta ou indireta, vínculo de controle, ou ingerência na gestão da empresa”.





