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Região Nordeste: veja como serão as disputas a governador num reduto favorável a Lula

Dois governadores do PT têm a reeleição ameaçada por adversários. Outro deve vencer ainda no 1º turno

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Foto do autor Melissa Duarte
Atualização:
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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BRASÍLIA — Tradicional reduto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Região Nordeste pode ter uma nova configuração após as Eleições 2026. Dois governadores do partido veem a reeleição ameaçada pelo empate técnico com adversários e um aliado tenta se eleger em meio a uma disputa acirrada, indica levantamento do Estadão com base nas últimas pesquisas eleitorais.

Apesar dos entraves, o Nordeste ainda representa o maior palanque de Lula. Ter a chancela do petista ainda tende pesar a favor dos candidatos na região, que passam a se associar à imagem dele e ao vermelho do partido para gerar identificação no eleitorado.

Carreata de Lula na Bahia Foto: Reprodução via Youtube

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Já o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) fica com espaço restrito para a campanha eleitoral no Nordeste, onde a sigla dele só lançou três candidatos próprios a governador em contraste aos demais Estados. Dois deles podem chegar ao 2º turno, mas as projeções apontam baixas chances de vitória.

Os outros três candidatos à Presidência da República que ficam atrás deles nas sondagens eleitorais — Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) — têm um palanque ainda menor na região. Do trio, só o ex-governador de Goiás tem chances para eleger um aliado.

O Estadão compilou os levantamentos mais recentes da Quaest, do Datafolha e da AtlasIntel disponíveis para cada Estado. As margens de erro são de três pontos percentuais (3 p.p.) para mais ou para menos nos casos dos dois primeiros institutos e de 2 p.p. do terceiro, com nível de confiança de 95%.

Alagoas

A corrida pelo governo opõe dois herdeiros políticos de Alagoas. De um lado, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) leva o espólio da família Caldas. Do outro, o senador e ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) almeja voltar ao comando do Palácio República dos Palmares sob a bagagem do clã Calheiros.

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O ex-prefeito ganhou o apoio de Flávio durante uma visita do presidenciável, ainda que não seja um aliado formal e que evite colar a própria imagem à dele. “Nosso candidato a governador é JHC, um palanque importante no Nordeste”, afirmou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em entrevista a jornalistas ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Maceió em 25 de agosto.

No material de divulgação de campanha e nos eventos públicos, aparece o ex-presidente da Câmara dos Deputados e candidato ao Senado Arthur Lira (PP), rival do senador Renan Calheiros (MDB). Nada de Flávio.

Renan é o nome de Lula no Estado. Usa vermelho na campanha, que faz tanto com o presidente quanto com o pai. O ex-prefeito tem 43% contra 41% do ex-governador no 1º turno, conforme pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro.

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Trata-se de um empate técnico que se mantém na projeção para o 2º turno. JHC tem 45% e Renan, 42%.

Bahia

Também herdeiro político, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) põe em xeque a reeleição do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), os únicos candidatos competitivos no Estado. A pesquisa Quaest publicada em 25 de setembro aponta um empate técnico entre os dois, de 42% a 40%, respectivamente, no 1º turno.

ACM Neto declarou apoio a Caiado, amigo de longa data, na corrida presidencial, mas prefere focar na disputa para governador. Jerônimo, por sua vez, embala a própria campanha na popularidade de aliados, aos quais endossa a candidatura.

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Além do próprio Lula, aparece lado a lado em eventos e nas redes sociais com o ex-governador Rui Costa, que o antecedeu no cargo, e o senador Jaques Wagner. Todos petistas de carteirinha na Bahia.

A margem apertada nas urnas deve se repetir no 2º turno. O ex-prefeito tem 45% para repetir o feito do avô, Antônio Carlos Magalhães, contra 43% do governador para permanecer no cargo.

Ceará

O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) volta ao páreo no Estado após perder duas disputas presidenciais pelo PDT em 2018 e em 2022. Agora, ameaça a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) numa votação que promete ser apertada.

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Ciro — que já foi aliado e ministro de Lula, com quem rompeu — marcou 43% contra 41% de Elmano no 1º turno na sondagem da Quaest de 23 de setembro. A disputa deve continuar no 2º turno, para o qual se projeta 45% a 42%.

O empate técnico se mantém no levantamento do Datafolha divulgado dois dias depois: 44% de Ciro contra 43% de Elmano no 1º turno. Os dois candidatos têm 48% e 46%, respectivamente, no 2º turno. Ainda não é possível saber quem sairá vencedor.

O ex-governador não declarou voto em Flávio, embora o PL no Ceará tenha endossado a candidatura dele na tentativa de derrotar Elmano, base de Lula no Estado. Além disso, a mudança de partido de Ciro o deixou em lado oposto ao do irmão, o senador Cid Gomes (PSB), que busca a reeleição numa coligação que inclui o PT.

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Maranhão

A corrida ao governo do Maranhão deve ficar entre dois primos de segundo grau: o ex-deputado federal e ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), estreante nas urnas e sobrinho do atual governador, Carlos Brandão (MDB). A disputa familiar remete às eleições para a prefeitura de Recife em 2020, que opôs os primos Marília Arraes e João Campos, então deputados federais pelo PT e pelo PSB, nas urnas e gerou um racha na família na ocasião.

Embora seja correligionário de Caiado, Braide aposta na neutralidade em relação ao Palácio do Planalto para vencer a concorrência pelo governo do Maranhão. Orleans já declarou apoio a Lula, embora o PT tenha lançado candidato próprio, o vice-governador Felipe Camarão.

Braide marcou 46% contra 27% de Orleans no 1º turno na sondagem da Quaest divulgada em 25 de setembro. Camarão fica atrás, com 10%.

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Num provável 2º turno, o ex-prefeito deve vencer por 55% a 33%, projeta o instituto.

Paraíba

O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), se encaminha para a reeleição com a bênção de Lula e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos). A aliança em torno dele contou com a desistência da mãe, a senadora Daniella Ribeiro (PP), em concorrer novamente ao cargo para se tornar suplente na chapa do pai do deputado federal, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado.

A ampla costura política rendeu a Lucas 49% das intenções de voto no 1º turno na pesquisa Quaest divulgada em 22 de setembro. O atual governador, porém, evita usar o vermelho petista nas cores da campanha e associar a própria imagem à de Lula.

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O senador Efraim Filho (PL), palanque de Flávio no Estado, tem 16%, um empate técnico com os 15% do ex-governador e ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), que afirma ser neutro em relação à corrida presidencial. Lucas venceria ambos com larga vantagem em um eventual 2º turno, conforme a projeção.

Pernambuco

O ex-prefeito de Recife João Campos (PSB) e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), estão numericamente empatados na disputa pela chefia do Palácio do Campo das Princesas. Ambos têm 42% no 1º turno e 44% no 2º, conforme levantamento da Quaest divulgado na última terça-feira, 29.

As projeções indicam que as eleições devem ser decididas voto a voto. Campos embarcou no apoio de Lula e também recebeu o de Marília Arraes, hoje candidata ao Senado pelo PDT, e com quem fez as pazes. Lyra, por sua vez, mantém uma postura de neutralidade oficial ainda que o partido dela tenha lançado Caiado à Presidência da República.

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Piauí

O governador Rafael Fonteles (PT) deve se reeleger no Piauí em 1º turno com ampla margem frente aos adversários. O candidato de Lula tem 55% contra 25% do ex-deputado estadual Joel Rodrigues (PP), que evita escolher um presidenciável publicamente.

Sondagem da AtlasIntel projetou uma vantagem ainda maior para Fonteles, que deve vencer com 64,5% no 1º turno, ante os 24,4% de Rodrigues. O Estado não tem outros candidatos competitivos na corrida ao Palácio de Karnak.

Rio Grande do Norte

As eleições para governador do Rio Grande do Norte estão emboladas entre três candidatos: o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), o ex-secretário estadual de Fazenda

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Cadu de Lula (PT) e o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL). As pesquisas não convergem em relação aos escolhidos para o 2º turno, coincidindo apenas o nome do escolhido pelo presidente.

O trio também resgata a polarização nacional: Cadu faz campanha com o petista e Dias, com Flávio. Só Allyson evita se manifestar e já afirmou que governará com quem estiver no poder.

Conforme levantamento da Quaest publicado em 25 de setembro, Allyson teria 39% contra 21% de Cadu, empatado tecnicamente com os 18% de Dias. O candidato da “terceira via” venceria os dois em um eventual 2º turno.

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Já a pesquisa AtlasIntel divulgada na terça-feira, 29, coloca Cadu na liderança, com 37,1%, seguido por Allyson (27,3%) e por Dias (27,1%), dessa vez empatados. A projeção do instituto indica a vitória do petista frente aos adversários.

Sergipe

O atual governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), desponta para a reeleição. O aliado de Lula tem 43% das intenções de voto contra 34% do ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho (Republicanos), indica a sondagem da Quaest divulgada em 23 de setembro.

O candidato alinhado à direita não declarou apoio a Flávio embora já tenha sido filiado ao PL e mantenha boa relação com o clã Bolsonaro. Já o correligionário de Caiado largou o presidenciável para formar chapa com Lula, intensificando a aliança publicamente na reta final da campanha.

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