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Ter cílios mais longos, curvados e volumosos por semanas é o que atrai muitas pessoas para a extensão de cílios. O procedimento transforma o olhar sem a necessidade de máscara todos os dias, mas envolve aplicar fios artificiais e cola bem perto dos olhos, o que exige alguns cuidados para evitar problemas de saúde.
“Fazer extensão de cílios com frequência aumenta o risco de complicações, principalmente porque a exposição à cola é repetida e os cílios naturais permanecem submetidos ao peso e à tração das extensões. Também existe a possibilidade de desenvolver alergia com o passar do tempo”, destaca Emilio Suzuki, oftalmologista e presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).
O especialista reforça que o excesso de volume dificulta a limpeza adequada das pálpebras e aumenta o acúmulo de resíduos e as chances de irritação e inflamação.

Quando a extensão vira um problema de saúde
Os olhos e as pálpebras ficam expostos aos produtos usados na aplicação e ao contato contínuo com as extensões. Se houver reação aos materiais, excesso de peso ou cuidados inadequados, surgem diferentes problemas na região. Entre os principais estão:
Irritação e vermelhidão
Surgem quando a pele das pálpebras ou a superfície dos olhos entra em contato com substâncias irritantes presentes na cola ou em outros produtos usados durante a aplicação.
A região pode ficar vermelha, arder, coçar e apresentar inchaço. A irritação também acontece por resíduos de cola ou removedor que permanecem próximos aos olhos.
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Blefarite
É uma inflamação da borda das pálpebras, região onde ficam os cílios. Pode causar vermelhidão, coceira, ardência, descamação e sensação de desconforto.
A presença das extensões dificulta a higienização da região e aumenta o acúmulo de oleosidade e resíduos, o que contribui para o problema.
Olho seco
Ocorre quando a lágrima não consegue lubrificar adequadamente a superfície dos olhos. A pessoa pode sentir ardência, ressecamento, sensação de areia, vermelhidão e desconforto.
Sensação de areia ou corpo estranho
É aquela impressão de que há algo dentro do olho, mesmo quando não existe um objeto ali. Pode aparecer por irritação da superfície ocular, contato com resíduos dos produtos ou alterações provocadas pela própria extensão. O desconforto costuma vir acompanhado de lacrimejamento e vermelhidão.
Lesões na córnea
A córnea é a camada transparente que recobre a parte da frente do olho. Em situações menos frequentes, cola ou produtos usados para retirar as extensões podem atingir essa região e provocar uma lesão. Dor intensa, lacrimejamento, vermelhidão, sensibilidade à luz e visão embaçada surgem nesses casos.
Infecções
Ocorrem quando há contaminação durante a aplicação ou quando a higiene dos materiais e da região dos olhos é inadequada. Dependendo do local afetado, aparece vermelhidão, secreção, inchaço, dor e desconforto.
Queda ou quebra dos cílios naturais
Extensões muito pesadas, longas ou aplicadas em grande quantidade exercem tração contínua sobre os cílios naturais. Isso faz com que eles se quebrem ou caiam antes do tempo.

Estudo recente analisa impacto do procedimento
Um estudo apresentado em setembro de 2026 no congresso da European Society of Cataract and Refractive Surgeons (ESCRS) encontrou sinais de disfunção das glândulas de Meibômio em 85% das mulheres que haviam feito extensão de cílios pelo menos dez vezes. Essas glândulas produzem a parte oleosa da lágrima e ajudam a evitar sua evaporação. Quando não funcionam adequadamente, podem favorecer o olho seco.
Em outra etapa, o Demodex folliculorum, um ácaro que vive naturalmente na pele e nos folículos dos cílios, foi encontrado em 24 das 25 mulheres que faziam extensão regularmente e tiveram os cílios analisados.
Dentre elas, 18 apresentavam sinais de irritação nas pálpebras. No entanto, a presença do ácaro é comum e não indica doença por si só, e o estudo não permite afirmar que a extensão tenha causado essas alterações.
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É possível reduzir os riscos
O primeiro passo para quem decide colocar a extensão de cílios é avaliar as condições dos olhos antes do procedimento, principalmente se houver algum problema ocular.
“É importante compartilhar com o médico a intenção de colocar os cílios para entender os cuidados adequados. O exame oftalmológico é sempre válido. O especialista avalia se os olhos podem ser submetidos ao procedimento e orienta sobre os cuidados pré e pós-procedimento”, afirma Renata Rabelo, oftalmologista e coordenadora da área de oftalmologia do Hospital São Camilo - Ipiranga (SP).
Também é fundamental que o procedimento seja feito por profissionais qualificados, com materiais de qualidade, e sem exagerar na frequência. Nas técnicas que usam cola, a manutenção costuma ser feita a cada 20 ou 30 dias, o que significa novas exposições ao adesivo e à tração sobre os cílios naturais.
Alguns cuidados ajudam a preservar os fios e evitar irritações, como não coçar ou esfregar os cílios, evitar rímel e demaquilantes e não molhá-los nas primeiras 24 horas após a aplicação.
“Não existe uma cola que possa ser considerada totalmente livre de riscos. É importante usar a menor quantidade possível, evitar contato do adesivo com a pele e com os olhos e não utilizar extensões excessivamente pesadas ou longas. Vale ressaltar que expressões como ‘hipoalergênica’ ou ‘sem formaldeído’ não significam risco zero”, alerta Suzuki.
Há alguns anos, vídeos que circulavam nas redes sociais mostravam pessoas usando colas inapropriadas, como super bonder, nos cílios – seja para realizar alongamentos ou para grudar fios postiços. Isso é extremamente perigoso, pois ao colar as pálpebras, você causa uma cegueira momentânea por não ser possível abrir os olhos.

Quem deve tomar mais cuidado
Pessoas com olho seco grave sentem com mais frequência sintomas como ardência, ressecamento e sensação de corpo estranho, por isso vale avaliar as condições da superfície ocular antes da aplicação.
Problemas nos olhos ou nas pálpebras também exigem cautela antes da extensão. Inflamações na região, alergia ocular ou histórico de reação a cosméticos e colas aumentam o risco de complicações.
Já quem usa lentes de contato precisa de cuidados extras. “O ideal é retirar as lentes de contato antes de colocar ou remover as extensões. Isso reduz a possibilidade de resíduos da cola ou do removedor ficarem presos entre a lente e o olho. As lentes só devem ser recolocadas quando o procedimento tiver terminado e os olhos estiverem confortáveis, sem ardência, vermelhidão ou lacrimejamento”, complementa Emilio Suzuki.
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Quando procurar ajuda?
Nem todo desconforto depois da aplicação significa que há uma complicação, mas alguns sintomas merecem atenção. Dor, vermelhidão intensa, sensibilidade à luz e alterações na visão, por exemplo, indicam que é importante buscar avaliação médica.
“É importante diferenciar uma irritação passageira de algo mais sério. Na presença de qualquer sintoma, a recomendação é não fazer nada em casa e procurar um oftalmologista para avaliação”, recomenda Renata.
Durante a consulta, o médico observa as estruturas oculares e avalia em detalhes se há algum problema na região. A partir dessa avaliação, é possível definir se há necessidade de tratamento ou até de retirar a extensão de cílios.